A chamada troika (UE/BCE/FMI), apresentou um documento que é um programa de governo para os próximos três anos, detalhado, abarcando todos os sectores da governação, estipulando as medidas a tomar, o prazo, e a fiscalização trimestral da aplicação das mesmas pela troika. O seu incumprimento pode levar ao interrompimento da "ajuda" financeira à economia com as consequências nefastas que se imaginam.
Os partidos que assinaram o documento e com ele se comprometeram, PS/PSD/CDS, podem discutir o que quiserem e apresentarem programas eleitorais, mas quando chegarem ao poder só lhes resta aplicar o programa da troika, com juizinho, espinha curvada e chapéu na mão.
Os que se negaram a falar com a troika, PCP/BE, podem igualmente barafustar, denunciar com razão a gravidade de tal programa, a ingerência externa na nossa economia, mas ficaram excluídos por opção própria do voto dos portugueses como as sondagens demonstram. Quando se vota num partido por haver consonância de ideias ou das propostas, esperamos que tenha a frontalidade de as defenderem em todas as circunstâncias. E neste caso não houve a coragem de ir à troika e dizer bem alto, olhos nos olhos, que tal programa não servia e que havia propostas diferentes e melhores para Portugal e os portugueses.
O que vai mudar, pergunta-se, com preocupação. Sem pretendermos ser exaustivos listamos:
- aumentos no tabaco, nos automóveis, na energia, no gás, nos impostos (IVA,IMI etc.), nos transportes;
- cortes nos salários e vencimentos da Função Pública (e por arrasto no sector privado), horas extraordinárias mais baratas e bancos de horas negociados directamente com os trabalhadores passando sobre os sindicatos, despedimentos individuais por justa causa com alteração para pior da "justa causa", despedimento de 8.000 funcionários públicos ano e redução do pessoal das autarquias, diminuem os descontos patronais para a segurança social, subsídio de desemprego passa a 18 meses e passa a contar no IRS;
- cortes com a despesa na saúde de 550 milhões de euros, aumento das taxas moderadoras, pensões superiores a 1.500 euros sofrem reduções assim como os apoios na saúde e segurança social e na ADSE, aumento do custo dos medicamentos;
- obrigação de privatizar empresas estatais como a TAP, EDP, REN, dando-as a preços de saldo ao capital privado dado o momento pouco favorável à sua venda, fim das "Golden shares" do Estado até Julho, cortes na Transtejo e no Metro de Lisboa, venda do BPN até Julho, venda da actividade seguradora da CGD, dos seus interesses internacionais assim como das participações da CGD em empresas nacionais;
- diminuição do número de câmaras e freguesias e das empresas municipais;
- aumento da concorrência em sectores importantes como as telecomunicações e outros;
- reforma do mercado de arrendamento, sua liberalização, aumento do IMI, maior dificuldade em obter crédito para compra de casa e a juros mais altos;
- travão no investimento público e nas parcerias, as PPP´s etc. etc. etc. etc. etc.
Ao contrário aumenta o já forte apoio à Banca que vai absorver 12 mil milhões de euros dos 78 mil milhões do empréstimo a juros superiores a 5,5%, pagos elos contribuintes. A Portugal humilhado e pedinte a UE e o BCE emprestam a 5,5% ou mais, à Banca o BCE emprestou a 1% que depois a agiotagem emprestava ao estado a juros muito superiores. Significativo que só hoje, 10 de Maio, após os três partidos terem assinado a submissão é que nos revelaram os juros do empréstimo. Ou o governo não sabia ou se "esqueceram" de perguntar, o que demonstra a irresponsabilidade e incompetência dos personagens.
Este pacote é recessivo, aperta a garganta e não deixa a economia crescer, elimina todos os obstáculos ao privado e enfraquece o Estado, deixando os portugueses mais desprotegidos na saúde, no trabalho, no ensino e na pobreza, é um recuo civilizacional e desumano, as pessoas não contam, só o mercado e a economia ao serviço do lucro a qualquer preço. O homem transformou-se em mercadoria e zelosamente os partidos do "arco do poder" vão aplicar este castigo aos portugueses, e sabem o que estão a fazer. Não têm perdão.
Charingado é um termo algarvio polivalente que significa lixado,chateado,zangado,e que é usado correntemente com expressões e intenções diversas.
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terça-feira, 10 de maio de 2011
quarta-feira, 4 de maio de 2011
terça-feira, 19 de abril de 2011
MATAR A FOME COM DIETAS
As receitas aplicadas à Grécia e à Irlanda estão a matar os doentes, quer o diagnóstico quer a terapia estão errados. Estão piores nas suas saúdes económicas e financeiras, e não se vislumbra quando poderão sair dos cuidados intensivos e entrar em convalescença. Pior, querem aplicar mais PEC, mais reestruturações, mais cortes nos direitos sociais, mais privatizações etc., na tentativa de matar a fome à base de dietas.
A doença que nos atinge a todos tem várias causas, claro que a crise internacional tem alguma coisita de responsabilidade, as políticas da UE igualmente, mas o grosso das causas e dos efeitos são “nossos”, fruto da incompetência, irresponsabilidade, corrupção, desleixo e injustiça social.
Esta é a terceira vez que o tão temido FMI vem em “socorro” de Portugal, já cá esteve em 77 e em 83, agora regressa acompanhado da UE e, pasme-se, até com propostas mais sensatas que a UE.
Durante a última década Portugal foi um dos três países que menos cresceu no mundo, e durante décadas desbaratamos os dinheiros vindos da UE, foram muitos milhares de milhões de euros que se evaporaram sem resultados visíveis a nível produtivo, no desenvolvimento regional e na criação de riqueza.
A nossa indústria, agricultura e pescas foram asfixiadas.
Valeram, para tapar os buracos sempre crescentes do nosso défice comercial as remessas dos ignorados e desprezados emigrantes, contributo em divisas para aliviar o défice alimentar e energético.
Vivemos do aparato e da fachada, estão falidos o Estado, as autarquias, os bancos, as empresas e as famílias, tudo somado, o que se conhece, ultrapassa mais de duas vezes o nosso PIB.
Agora, passamos por mais esta vergonha de virem os de fora tentar pôr ordem na casa e ditar o que temos de fazer se queremos ser “ajudados”.
O inacreditável da questão é a pressão que se está a fazer para que sejam os mesmos incompetentes de sempre a juntarem-se a três num governo, espécie de “salvação nacional”, para aplicar a receita mortal.
Vai ser um lindo enterro. E não haverá apuramento de responsabilidades, e os que delapidaram o erário público irão descansados para casa com boas reformas sem serem criminalmente processados.
As eleições vão ser um referendo de submissão, podem gritar e acusarem-se mutuamente, mas tudo está já decidido. O mercado manda e a política transformou-se em mercadoria.
A partir do empréstimo toda a medida que tenha impacto orçamental terá de ser vista e obter o sim de Bruxelas. É uma evidência que Bruxelas e o FMI não acreditam nestes governantes e, por isso, semanalmente temos de os informar da liquidez, mensalmente de como vão as contas e trimestralmente do abate do défice, das contas das empresas públicas etc.
A massa só irá entrando trimestre a trimestre após se ter examinado se o governo cumpriu o estipulado para o trimestre anterior.
Durante três anos vai ser assim, e teremos de pagar os 80 mil milhões de euros até 2021 (53 da UE e 27 do FMI), caso consigamos pagar, e é de esperar que apareçam pelo caminho novos planos para reestruturar a dívida, isto é, mais aperto do cinto, mais recessão e mais desemprego.
Nota final para aqueles que defendem a saída de Portugal da Zona Euro.
O Tratado de Lisboa explica muito bem quais as condições para um país poder entrar e sair da UE, o mesmo para entrar na Zona Euro, mas é omisso em relação à forma de se poder sair da Zona Euro.
Dado que não existe base jurídica para ser invocada em relação à saída da Zona Euro, e a não ser alterado o Tratado visando a resolução dessa omissão, sair do Euro vai colocar a questão de se sair também da UE.
Estamos totalmente entalados, há saídas, mas essas são totalmente escondidas pois ajudariam o povo e o país, mas estragariam os negócios e os partidos do “arco do poder” não podem desobedecer aos mercados.
terça-feira, 12 de abril de 2011
Emenda
Não podemos afirmar que foi por causa do que aqui se disse sobre aquela aberração que queriam implantar na Avª da República, que hoje verifiquei que a estão a desmontar.
Parece que prevaleceu o bom senso.
Ainda bem!
Parece que prevaleceu o bom senso.
Ainda bem!
SAUDAÇÃO AO MEU AMIGO CHARLIE
No dia 9,véspera do referendo na Islândia, editei aqui um post Viva a Islândia!.
Tinha a certeza que o não iria ganhar, como ganhou, confirmando o resultado do primeiro referendo.
Temos de reconhecer que os islandeses são um povo de grande dignidade, e as ameaças e as perspectivas de grandes dificuldades na sequência da sua soberana decisão não os vergaram.
Afirmam que o povo não tem de pagar os crimes dos bancos, e os cidadãos não podem ser dados como garantias das operações especulativas de administrações de gananciosos que, com total insensibilidade,arruinam países.
De salientar que 70% dos deputados tinham aprovado um plano que permitia escalonar o pagamento da "dívida" bancária de 3,9 mil milhões de euros até 2045 com um juro de 3%.
O Presidente levou essa decisão aos eleitores que a rejeitaram com 60% de votos contra.
Quantos anos ainda precisamos para agir à islandesa?
Quero daqui saudar o meu amigo Charlie, um dinamarquês islandês, um perfeito viking com alma infantil que um dia entrou pelo meu gabinete dentro, em Bruxelas, e disparou:-sabes, vou para a Islândia, estou farto disto e de tanta mentira.
Não o consigo imaginar a votar sim. Um abraço.
Tinha a certeza que o não iria ganhar, como ganhou, confirmando o resultado do primeiro referendo.
Temos de reconhecer que os islandeses são um povo de grande dignidade, e as ameaças e as perspectivas de grandes dificuldades na sequência da sua soberana decisão não os vergaram.
Afirmam que o povo não tem de pagar os crimes dos bancos, e os cidadãos não podem ser dados como garantias das operações especulativas de administrações de gananciosos que, com total insensibilidade,arruinam países.
De salientar que 70% dos deputados tinham aprovado um plano que permitia escalonar o pagamento da "dívida" bancária de 3,9 mil milhões de euros até 2045 com um juro de 3%.
O Presidente levou essa decisão aos eleitores que a rejeitaram com 60% de votos contra.
Quantos anos ainda precisamos para agir à islandesa?
Quero daqui saudar o meu amigo Charlie, um dinamarquês islandês, um perfeito viking com alma infantil que um dia entrou pelo meu gabinete dentro, em Bruxelas, e disparou:-sabes, vou para a Islândia, estou farto disto e de tanta mentira.
Não o consigo imaginar a votar sim. Um abraço.
sábado, 9 de abril de 2011
VIVA A ISLÃNDIA !
A Islândia era considerada um dos países mais desenvolvidos e menos corruptos do mundo.
Foi à falência, e o relatório saído da investigação às causas dessa falência revelou que algumas dezenas de banqueiros, empresários e políticos do partido conservador que governou desde 1944 até recentemente, constituíram uma máfia que rebentou com o país.
Ao contrário do que se passa em Portugal vários banqueiros e outros da quadrilha já se encontram na prisão.
Mas o que queremos sublinhar, comparando com Portugal, é que a maioria do povo islandês recusa pagar aos credores as dívidas provocadas pela ganância e irresponsabilidade dos bancos. E são só 320 mil.
O Presidente Ólafujr afirmou: O fundamental é que a Islândia é uma democracia, não um sistema financeiro. Os governos não podem continuar a ser arrastados pelos mercados.
Será que Sócrates e Cavaco conhecem esta situação?
Claro que conhecem, mas o governo e o presidente da Islândia estão com o povo, os nossos estão com o mercado.
Foi à falência, e o relatório saído da investigação às causas dessa falência revelou que algumas dezenas de banqueiros, empresários e políticos do partido conservador que governou desde 1944 até recentemente, constituíram uma máfia que rebentou com o país.
Ao contrário do que se passa em Portugal vários banqueiros e outros da quadrilha já se encontram na prisão.
Mas o que queremos sublinhar, comparando com Portugal, é que a maioria do povo islandês recusa pagar aos credores as dívidas provocadas pela ganância e irresponsabilidade dos bancos. E são só 320 mil.
O Presidente Ólafujr afirmou: O fundamental é que a Islândia é uma democracia, não um sistema financeiro. Os governos não podem continuar a ser arrastados pelos mercados.
Será que Sócrates e Cavaco conhecem esta situação?
Claro que conhecem, mas o governo e o presidente da Islândia estão com o povo, os nossos estão com o mercado.
QUE SERÁ?
A foto colocada noutro post com o mesmo título tem a sua razão de ser.
Em primeiro lugar como pode a Câmara de VRSA ter permitido tal ocupação do espaço público?
O passeio na Avª da República não é suficientemente largo para tal bizarria, a qual quase não deixa espaço para uma circulação normal das pessoas, e irá complicar a vida de deficientes, a passagem de cadeiras de rodas, carros de bebé etc.
Fala-se tanto em mobilidade e depois a obra desmente as palavras.
Duvidamos que tal coisa esteja em conformidade com regulamentos municipais de ocupação do espaço público ou outras normas sobre a matéria.
Parece ser uma esplanada?, será envidraçada ou aberta com toldo?, e se os outros cafés e restaurantes que se encontram na Avª da República exigirem tratamento idêntico o melhor será andar no meio da rua, com risco de atropelamento, pois no passeio vai ser um inferno.
Não será também tal coisa um atentado à fachada pombalina do prédio?
Em primeiro lugar como pode a Câmara de VRSA ter permitido tal ocupação do espaço público?
O passeio na Avª da República não é suficientemente largo para tal bizarria, a qual quase não deixa espaço para uma circulação normal das pessoas, e irá complicar a vida de deficientes, a passagem de cadeiras de rodas, carros de bebé etc.
Fala-se tanto em mobilidade e depois a obra desmente as palavras.
Duvidamos que tal coisa esteja em conformidade com regulamentos municipais de ocupação do espaço público ou outras normas sobre a matéria.
Parece ser uma esplanada?, será envidraçada ou aberta com toldo?, e se os outros cafés e restaurantes que se encontram na Avª da República exigirem tratamento idêntico o melhor será andar no meio da rua, com risco de atropelamento, pois no passeio vai ser um inferno.
Não será também tal coisa um atentado à fachada pombalina do prédio?
sexta-feira, 8 de abril de 2011
YouTube - Gafe Sócrates ensaia discurso ao País em directo!
YouTube - Gafe Sócrates ensaia discurso ao País em directo!
Momentos antes de informar o país de que o governo ia pedir uma esmola externa para acudir a um país falido, a grande preocupação do Sócrates era assegurar que ficaria bem no retrato.
É uma fotografia bem reveladora do personagem.
Momentos antes de informar o país de que o governo ia pedir uma esmola externa para acudir a um país falido, a grande preocupação do Sócrates era assegurar que ficaria bem no retrato.
É uma fotografia bem reveladora do personagem.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
23 DE JANEIRO DE 1995
Estou a ler o livro Tempo Contado, do escritor português há muito exilado na Holanda, J.Rentes de Carvalho. É um Diário, mas o autor ultrapassa brilhantemente esse limite e faz-nos com ele viajar pela terra e pela sociedade portuguesa e holandesa.
No dia 23 de Janeiro de 1995, a propósito da intervenção televisiva de Cavaco e Silva em que anuncia que não se recandidata a chefe de governo e que abandona a chefia do PSD, escreve:
A sociedade portuguesa continua baseada no mandonismo e os quase dez anos de governo PSD tornaram-se notáveis, sobretudo, pelos escândalos de corrupção e pelo vergonhoso enriquecimento dos funcionários, dos políticos e da burguesia, à custa dos dinheiros que vindos da União Europeia deveriam ser aplicados no bem público. E nesse particular os socialistas, que certamente vão ganhar as próximas eleições legislativas, irão fazer igual figura.
Com eleições à porta a profecia continua válida, basta mudar os nomes e colocar PS onde está PSD e vice-versa.
No dia 23 de Janeiro de 1995, a propósito da intervenção televisiva de Cavaco e Silva em que anuncia que não se recandidata a chefe de governo e que abandona a chefia do PSD, escreve:
A sociedade portuguesa continua baseada no mandonismo e os quase dez anos de governo PSD tornaram-se notáveis, sobretudo, pelos escândalos de corrupção e pelo vergonhoso enriquecimento dos funcionários, dos políticos e da burguesia, à custa dos dinheiros que vindos da União Europeia deveriam ser aplicados no bem público. E nesse particular os socialistas, que certamente vão ganhar as próximas eleições legislativas, irão fazer igual figura.
Com eleições à porta a profecia continua válida, basta mudar os nomes e colocar PS onde está PSD e vice-versa.
sábado, 2 de abril de 2011
RATING QUE OS PARIU!
Parece que a Comissão Europeia vai avançar com o plano, várias vezes prometido, de responsabilizar jurídicamente as agências de rating pelos erros das suas avaliações.
Também já foi falado várias vezes de a Comissão dar à luz uma agência de rating europeia, subtraindo assim aos angloamericanos a exclusividade deste sector.
A maioria das pessoas desconhece que estas agências são pagas por aqueles que elas avaliam, bancos e países, e a maioria das vezes as avaliações não passam de chantagem sobre os avaliados para obter mais proventos, caso contrário terão notas baixas. Há dias o BES saiu de uma e nada de grave lhe aconteceu.
Recordamos que elas nada previram em relação à crise, à falência dos bancos, à batota e especulação com os chamados produtos tóxicos, etc. Pelo contrário, tinham todos avaliações altas e positivas, e até colaboraram com os governos gregos de direita para esconder a situação calamitosa das contas públicas.
Os mercados, isto é a especulação através das agências de rating, já fizeram saber que estão contra e "não estão dispostas a aceitar este tipo de responsabilização".
Claro, querem rédea solta para a sua chantagem financeira e estão-se nas tintas para as tragédias que provocam.
Quando em 2008 começou o descalabro tudo foi prometido: reforço da supervisão e controlo, fim dos off-shores, taxa Tobin, taxa sobre as bolsas etc.
Depois foi o regabofe de transferir para a banca capitais públicos para "salvar" os bancos dos crimes e irresponsabilidades dos génios financeiros. O BPN e o BPP já sugaram mais de 2.200 milhões de euros públicos, e não ficará por aqui o descalabro.
Caso a Comissão consiga efectivar o plano é positivo, sem ilusões, mas é uma pequena brecha no sistema.
Também já foi falado várias vezes de a Comissão dar à luz uma agência de rating europeia, subtraindo assim aos angloamericanos a exclusividade deste sector.
A maioria das pessoas desconhece que estas agências são pagas por aqueles que elas avaliam, bancos e países, e a maioria das vezes as avaliações não passam de chantagem sobre os avaliados para obter mais proventos, caso contrário terão notas baixas. Há dias o BES saiu de uma e nada de grave lhe aconteceu.
Recordamos que elas nada previram em relação à crise, à falência dos bancos, à batota e especulação com os chamados produtos tóxicos, etc. Pelo contrário, tinham todos avaliações altas e positivas, e até colaboraram com os governos gregos de direita para esconder a situação calamitosa das contas públicas.
Os mercados, isto é a especulação através das agências de rating, já fizeram saber que estão contra e "não estão dispostas a aceitar este tipo de responsabilização".
Claro, querem rédea solta para a sua chantagem financeira e estão-se nas tintas para as tragédias que provocam.
Quando em 2008 começou o descalabro tudo foi prometido: reforço da supervisão e controlo, fim dos off-shores, taxa Tobin, taxa sobre as bolsas etc.
Depois foi o regabofe de transferir para a banca capitais públicos para "salvar" os bancos dos crimes e irresponsabilidades dos génios financeiros. O BPN e o BPP já sugaram mais de 2.200 milhões de euros públicos, e não ficará por aqui o descalabro.
Caso a Comissão consiga efectivar o plano é positivo, sem ilusões, mas é uma pequena brecha no sistema.
quinta-feira, 31 de março de 2011
DÍVIDAS MUNICIPAIS
O Jornal algarvio POSTAL revelou que em 31 de Dezembro de 2010 os municípios algarvios mais as suas empresas municipais deviam 32,680 milhões de euros à empresa Águas do Algarve.
Segundo o mesmo jornal VRSA devia 3,811 milhões. O município não caloteiro é Alcoutim. O maior devedor é Albufeira.
A dívida é superior à água vendida aos municípios pela AdA em 2010.
Segundo a notícia " os valores em dívida correspondem a fornecimentos feitos pelas autarquias e empresas municipais e que os utentes já pagaram, pelo que as entidades devem o que efectivamente já receberam, restando saber que destino deram às verbas recebidas".
Recentemente foram aumentadas as tarifas que os utentes pagam pelo consumo de água, mas quem recebe por sua vez não paga, mas corta o fornecimento aos utentes devedores.
E se a AdA cortasse o fornecimento de água às autarquias caloteiras?
Este é mais um exemplo do nosso país irresponsável, que se endivida e não presta contas aos cidadãos mas exige deles mais aumentos de impostos, seja na água ou no IVA, para sustentar uma gestão ruinosa.
Estarão estas dívidas devidamente contabilizadas no total da dívida pública portuguesa?, aposto que não, pelo que os números mencionados por vezes como sendo o que o Estado deve é pura demagogia, devemos muito mais.
Segundo o mesmo jornal VRSA devia 3,811 milhões. O município não caloteiro é Alcoutim. O maior devedor é Albufeira.
A dívida é superior à água vendida aos municípios pela AdA em 2010.
Segundo a notícia " os valores em dívida correspondem a fornecimentos feitos pelas autarquias e empresas municipais e que os utentes já pagaram, pelo que as entidades devem o que efectivamente já receberam, restando saber que destino deram às verbas recebidas".
Recentemente foram aumentadas as tarifas que os utentes pagam pelo consumo de água, mas quem recebe por sua vez não paga, mas corta o fornecimento aos utentes devedores.
E se a AdA cortasse o fornecimento de água às autarquias caloteiras?
Este é mais um exemplo do nosso país irresponsável, que se endivida e não presta contas aos cidadãos mas exige deles mais aumentos de impostos, seja na água ou no IVA, para sustentar uma gestão ruinosa.
Estarão estas dívidas devidamente contabilizadas no total da dívida pública portuguesa?, aposto que não, pelo que os números mencionados por vezes como sendo o que o Estado deve é pura demagogia, devemos muito mais.
sábado, 26 de março de 2011
CRISE II
Mais alguns números para se perceber a crise.
Portugal foi na última década um dos três países do mundo que menos cresceu.
Só 36% das empresas pagam IRC; dos restaurantes e hotéis só 1 em cada 4 pagam ao fisco. Só 56% das famílias pagam IRS.
Temos 20% das famílias abaixo do limiar da pobreza, e sem ajuda estatal passavam a 40,6%.
Os PEC conduzem a cortes no abono de família para 1,5 milhões de famílias, e o congelamento das pensões e reformas atingem 3,5 milhões de famílias.
O crédito mal parado, isto é o que se deve e não se paga dos empréstimos contraídos, ultrapassam em muito os 4 mil milhões de euros (ME).
Portugal foi na última década um dos três países do mundo que menos cresceu.
Só 36% das empresas pagam IRC; dos restaurantes e hotéis só 1 em cada 4 pagam ao fisco. Só 56% das famílias pagam IRS.
Temos 20% das famílias abaixo do limiar da pobreza, e sem ajuda estatal passavam a 40,6%.
Os PEC conduzem a cortes no abono de família para 1,5 milhões de famílias, e o congelamento das pensões e reformas atingem 3,5 milhões de famílias.
O crédito mal parado, isto é o que se deve e não se paga dos empréstimos contraídos, ultrapassam em muito os 4 mil milhões de euros (ME).
sexta-feira, 25 de março de 2011
CRISE
A imprensa nacional revela que Portugal só tem dinheiro para mais dois meses. A internacional afirma a pés juntos que temos de recorrer à UE e ao FMI.
Recordo que o relatório da Comissão de Inquérito da Crise Financeira dos EUA afirma que a crise "era evitável", e a "maior tragédia é aceitarmos que ninguém podia ter previsto que isto ia acontecer", e se " aceitarmos esta desculpa a crise vai repetir-se".
O relatório acusa "a cultura de desrespeito financeiro" e os grandes bancos de "agirem sem prudência", na ganância de "grandes lucros e apetecíveis bónus".
Esta análise serve igualmente para o que aqui se passa, cai o Sócrates e o Passos já ameaça com a subida do IVA em 2%.
Tudo isto foi previsto há muito tempo, mas não ligaram dado que a política seguida tinha e continua a ter por propósito lixar os portugueses.
As contas estão feitas, mas são ignoradas na imprensa, pois a sua divulgação prejudicava o objectivo aqui mencionado.
Alguns números.
Em 31/12/08 o défice orçamental era 2,8%.
Em 31/12/09 " " " " 9,3%.
Distribuição do Rendimento Nacional, Capital Trabalho
1953 55% 45%
1976 40,5% 59,5%
2005 59,4% 40,6%
2008 66% 34%
Se fosse aplicada uma taxa de 25% sobre a banca e os grandes grupos económicos o Estado receberia, no mínimo, 500 Milhões de Euros (ME).
Se fosse aplicada uma taxa sobre as transacções bolsistas o Estado teria, no mínimo, mais 135 ME. Em relação aos offshores a taxa renderia anualmente, no mínimo, 2.200 ME.
A receita fiscal perdida e as contribuições sociais por pagar rondam os 8.800ME para as primeiras e 1.100 ME para as segundas.
A economia paralela, ou seja a não registada que foge ao fisco anda na casa soa 24% do PIB.
Prescreveram nos últimos 5 anos 4.300ME em processos judiciais. Os benefícios fiscais estão calculados em 13.000 ME.
O Estado tem 13.740 organismos públicos, e destes só 1.724 apresentaram contas, e 418 é que foram fiscalizados.
O orçamento de estado para 2011 prevê, por ex., 11,5 ME para publicidade, para seminários 11,3 ME etc.
Pergunto, para quê carregar mais o pessoal com 2% de IVA, quando há muito lugar para ir buscar dinheiro?
A resposta é esta, enquanto a economia tem crescido uns míseros 1% anuais,
os grandes grupos económicos viram os seus lucros aumentarem 75%.
Sem crescimento económico não há emprego, e penalizando os salários e reformas o consumo interno vai regredir e o desemprego vai aumentar.
Esta é a política deliberadamente praticada, que vai prosseguir, mas como dizia o relatório acima mencionado "era evitável". Esta política está inserida na ofensiva contra quem trabalha, aqui e na UE e nos EUA.
Este é o problema, e só será vencido se as forças políticas e sociais progressistas se unirem.
Recordo que o relatório da Comissão de Inquérito da Crise Financeira dos EUA afirma que a crise "era evitável", e a "maior tragédia é aceitarmos que ninguém podia ter previsto que isto ia acontecer", e se " aceitarmos esta desculpa a crise vai repetir-se".
O relatório acusa "a cultura de desrespeito financeiro" e os grandes bancos de "agirem sem prudência", na ganância de "grandes lucros e apetecíveis bónus".
Esta análise serve igualmente para o que aqui se passa, cai o Sócrates e o Passos já ameaça com a subida do IVA em 2%.
Tudo isto foi previsto há muito tempo, mas não ligaram dado que a política seguida tinha e continua a ter por propósito lixar os portugueses.
As contas estão feitas, mas são ignoradas na imprensa, pois a sua divulgação prejudicava o objectivo aqui mencionado.
Alguns números.
Em 31/12/08 o défice orçamental era 2,8%.
Em 31/12/09 " " " " 9,3%.
Distribuição do Rendimento Nacional, Capital Trabalho
1953 55% 45%
1976 40,5% 59,5%
2005 59,4% 40,6%
2008 66% 34%
Se fosse aplicada uma taxa de 25% sobre a banca e os grandes grupos económicos o Estado receberia, no mínimo, 500 Milhões de Euros (ME).
Se fosse aplicada uma taxa sobre as transacções bolsistas o Estado teria, no mínimo, mais 135 ME. Em relação aos offshores a taxa renderia anualmente, no mínimo, 2.200 ME.
A receita fiscal perdida e as contribuições sociais por pagar rondam os 8.800ME para as primeiras e 1.100 ME para as segundas.
A economia paralela, ou seja a não registada que foge ao fisco anda na casa soa 24% do PIB.
Prescreveram nos últimos 5 anos 4.300ME em processos judiciais. Os benefícios fiscais estão calculados em 13.000 ME.
O Estado tem 13.740 organismos públicos, e destes só 1.724 apresentaram contas, e 418 é que foram fiscalizados.
O orçamento de estado para 2011 prevê, por ex., 11,5 ME para publicidade, para seminários 11,3 ME etc.
Pergunto, para quê carregar mais o pessoal com 2% de IVA, quando há muito lugar para ir buscar dinheiro?
A resposta é esta, enquanto a economia tem crescido uns míseros 1% anuais,
os grandes grupos económicos viram os seus lucros aumentarem 75%.
Sem crescimento económico não há emprego, e penalizando os salários e reformas o consumo interno vai regredir e o desemprego vai aumentar.
Esta é a política deliberadamente praticada, que vai prosseguir, mas como dizia o relatório acima mencionado "era evitável". Esta política está inserida na ofensiva contra quem trabalha, aqui e na UE e nos EUA.
Este é o problema, e só será vencido se as forças políticas e sociais progressistas se unirem.
sexta-feira, 18 de março de 2011
CAVACO E A GUERRA COLONIAL
Para mim, ex-prisioneiro de guerra, foi chocante conhecer as palavras de alguém que é PR eleito graças ao 25 de Abril.
Chamar guerra do "ultramar" à Guerra Colonial defendida com "determinação" pela juventude portuguesa, segundo Cavaco, é uma afronta e uma tentativa reaccionária de reescrever a história. Mas qualifica o homem.
Na India, onde me encontrava, o telegrama enviado por Salazar no qual afirmava que só poderia haver "soldados e marinheiros vencedores ou mortos", é de um cinismo desumano, lançar à morte numa luta desigual milhares de jovens só para fazer apologia internacional do seu regime.
No fundo o PR fez um elogio do passado derrubado em 25/A, o qual contra a corrente da história enviou para as colónias a nossa juventude, carne para canhão, matar e morrer para glória do regime. Milhares de jovens recusaram tal destino e emigraram, assim como mais de um milhão de outros portugueses emigraram forçados pelas injustiças sociais e humanas do fascismo.
Este pesadelo que terminou há 36 anos e regressou agora pelas palavras do PR demonstrou, mais uma vez, que Cavaco não tem estatura para chefiar um país democrático.
Dessa guerra continuam a sofrer milhares de ex-combatentes problemas físicos e psiquícos, injustiça dupla, foram envidos à força para a guerra e agora sentem que a democracia não os trata correctamente, os ignora e fica incomodada com a sua existência. Disso é que devia ter falado o PR.
Chamar guerra do "ultramar" à Guerra Colonial defendida com "determinação" pela juventude portuguesa, segundo Cavaco, é uma afronta e uma tentativa reaccionária de reescrever a história. Mas qualifica o homem.
Na India, onde me encontrava, o telegrama enviado por Salazar no qual afirmava que só poderia haver "soldados e marinheiros vencedores ou mortos", é de um cinismo desumano, lançar à morte numa luta desigual milhares de jovens só para fazer apologia internacional do seu regime.
No fundo o PR fez um elogio do passado derrubado em 25/A, o qual contra a corrente da história enviou para as colónias a nossa juventude, carne para canhão, matar e morrer para glória do regime. Milhares de jovens recusaram tal destino e emigraram, assim como mais de um milhão de outros portugueses emigraram forçados pelas injustiças sociais e humanas do fascismo.
Este pesadelo que terminou há 36 anos e regressou agora pelas palavras do PR demonstrou, mais uma vez, que Cavaco não tem estatura para chefiar um país democrático.
Dessa guerra continuam a sofrer milhares de ex-combatentes problemas físicos e psiquícos, injustiça dupla, foram envidos à força para a guerra e agora sentem que a democracia não os trata correctamente, os ignora e fica incomodada com a sua existência. Disso é que devia ter falado o PR.
terça-feira, 15 de março de 2011
PORTUGAL E A WIKILEAKS
Ficamos a saber, graças à WikiLeaks, que antes da cada Conselho Europeu de Ministros de Negócios Estrangeiros, Portugal informa os EUA do conteúdo da reunião.
Mais, é frequente o Ministério de Negócios Estrangeiros Português enviar diplomatas à Embaixada dos EUA, em Lisboa, para contar aos americanos as conversas tidas com presidentes ou chefes de estado estrangeiros.
Há alguns meses o Presidente do BCP era denunciado num telegrama da WikiLeaks por ter proposto aos EUA uma negociata: os americanos fechavam os olhos ao BCP e seus negócios com Teerão e nós contávamos aos EUA coisas sobre o Irão.
Na verdade não somos de confiança, mas esta de atraiçoarmos a UE de que fazemos parte e tanta massa para cá ter enviado, para ir contar aos rivais no campo económico e comercial o que se está a discutir é demais.
Ainda por cima somos mal tratados, é ver como as agências de rating americanas nos estão a estrangular financeira e economicamente, sem qualquer piedade.
Ser bufo, sabe-se, para além de moralmente condenável nunca trouxe compensação material à altura do aviltamento praticado.
Mais, é frequente o Ministério de Negócios Estrangeiros Português enviar diplomatas à Embaixada dos EUA, em Lisboa, para contar aos americanos as conversas tidas com presidentes ou chefes de estado estrangeiros.
Há alguns meses o Presidente do BCP era denunciado num telegrama da WikiLeaks por ter proposto aos EUA uma negociata: os americanos fechavam os olhos ao BCP e seus negócios com Teerão e nós contávamos aos EUA coisas sobre o Irão.
Na verdade não somos de confiança, mas esta de atraiçoarmos a UE de que fazemos parte e tanta massa para cá ter enviado, para ir contar aos rivais no campo económico e comercial o que se está a discutir é demais.
Ainda por cima somos mal tratados, é ver como as agências de rating americanas nos estão a estrangular financeira e economicamente, sem qualquer piedade.
Ser bufo, sabe-se, para além de moralmente condenável nunca trouxe compensação material à altura do aviltamento praticado.
quinta-feira, 10 de março de 2011
MAIS UM DISCURSO
Cavaco tomou posse e foi claro, disse ao que vinha, a direita gostou, finalmente sentiu que o chefe regressara.
O PR que nunca se pronunciava, sempre a afirmar de que como PR "não devia falar sobre esse assunto", ou de que como PR "não deveria se pronunciar sobre essa matéria", recuperou a voz depois de reeleito.
Os políticos portugueses têm uma particularidade, acertam nos diagnósticos mas esquecem sempre as causas e aplicam a terapia que mata o doente.
Recordando anteriores discursos de PR`s no dia da posse verificamos, por exemplo em 2001, alerta para a grave situação da dívida externa portuguesa, isto é, muito antes da crise; ou em 1966 alertando para o aumento das desigualdades sociais e das assimetrias regionais, para o crescente divórcio das relações entre o cidadão e o poder político etc.
Que fizeram os governos e os PR para travar o carro que ia tão mal guiado?, nada!, antes meteram o pé no acelerador das políticas causadoras dos diagnósticos apontados e acabaram por estampar a viatura.
Agora escutamos mais um discurso apelando aos jovens a quem roubaram perspectivas de futuro para que intervenham, ou palavras condoídas aos cidadãos que lançaram no desemprego e esmifram com impostos e cortes nos direitos sociais que os sacrifícios têm de ter limites. Santa hipocrisia.
O que vem aí é mais do mesmo: EDP, REN, TAP e ANA estão na linha de partida para novas privatizações. A seguir vão os CTT, Caixa Seguros da CGD, CP Carga. O governo quer fazer €6.000 milhões até 2013, e vai tudo à vida.
Quantos postos de trabalho se vão perder?, quantos milhões de impostos deixarão de ser recebidos? Mas o PSD ainda quer mais e fala já na necessidade de privatizar a RTP, percebe-se, assim a informação também fica privatizada.
Ricardo Salgado, o do BES, afirmou à dias :"O sistema capitalista é amoral, tem de produzir resultados. As pessoas é que podem ser morais ou imorais, mas o sistema tem de ser amoral". Sendo assim, e é um entendido na matéria que fala, os fins justificam os meios para "produzir resultados", pois a regra é a selva amoral e não servir o país ou as pessoas.
Sobre isto não falam os discursos dos PR, nem sobre os offshores, o supra sumo da imoralidade.
O PR que nunca se pronunciava, sempre a afirmar de que como PR "não devia falar sobre esse assunto", ou de que como PR "não deveria se pronunciar sobre essa matéria", recuperou a voz depois de reeleito.
Os políticos portugueses têm uma particularidade, acertam nos diagnósticos mas esquecem sempre as causas e aplicam a terapia que mata o doente.
Recordando anteriores discursos de PR`s no dia da posse verificamos, por exemplo em 2001, alerta para a grave situação da dívida externa portuguesa, isto é, muito antes da crise; ou em 1966 alertando para o aumento das desigualdades sociais e das assimetrias regionais, para o crescente divórcio das relações entre o cidadão e o poder político etc.
Que fizeram os governos e os PR para travar o carro que ia tão mal guiado?, nada!, antes meteram o pé no acelerador das políticas causadoras dos diagnósticos apontados e acabaram por estampar a viatura.
Agora escutamos mais um discurso apelando aos jovens a quem roubaram perspectivas de futuro para que intervenham, ou palavras condoídas aos cidadãos que lançaram no desemprego e esmifram com impostos e cortes nos direitos sociais que os sacrifícios têm de ter limites. Santa hipocrisia.
O que vem aí é mais do mesmo: EDP, REN, TAP e ANA estão na linha de partida para novas privatizações. A seguir vão os CTT, Caixa Seguros da CGD, CP Carga. O governo quer fazer €6.000 milhões até 2013, e vai tudo à vida.
Quantos postos de trabalho se vão perder?, quantos milhões de impostos deixarão de ser recebidos? Mas o PSD ainda quer mais e fala já na necessidade de privatizar a RTP, percebe-se, assim a informação também fica privatizada.
Ricardo Salgado, o do BES, afirmou à dias :"O sistema capitalista é amoral, tem de produzir resultados. As pessoas é que podem ser morais ou imorais, mas o sistema tem de ser amoral". Sendo assim, e é um entendido na matéria que fala, os fins justificam os meios para "produzir resultados", pois a regra é a selva amoral e não servir o país ou as pessoas.
Sobre isto não falam os discursos dos PR, nem sobre os offshores, o supra sumo da imoralidade.
terça-feira, 1 de março de 2011
A CRISE
A economia subterrânea ou paralela está calculada no nosso país em 24% do PIB. Isto é a economia que não paga impostos que, segundo contas feitas, andará à volta de 8.800 milhões de euros a receita fiscal perdida.
Perdida não, fica nos bolsos de muitos que depois andam a pedir ao Estado mais e melhor saúde, ensino, reformas, subsídios etc.
Esta massa não arrecadada pagava a crise e ainda sobravam uns carcanholes.
Se juntarmos aos 8.800 milhões mais os 1.100 milhões de contribuições sociais em dívida temos uma verba impressionante fugida aos cofres públicos.
Mais, nos tribunais tributários estão neste momento 44.000 processos que, certamente, dariam mais umas centenas de milhões ao Estado se a justiça funcionasse.
Pasmamos, como é possível que isto aconteça, que máquina fiscal é a nossa que num país pobre deixa tal evasão fiscal acontecer?
Mais pasmados ficamos quando sabemos que, desde 2003,a administração fiscal perdeu um quarto dos funcionários!
Então este não será um sector fundamental para investimento humano para uma melhor saúde financeira do país?
Dá que pensar, até se pode imaginar que é de propósito para impedir sarilhos com as negociatas dos boys.
É mais fácil esmifrar os mesmos de sempre com impostos, e o resto que se lixe.
Perdida não, fica nos bolsos de muitos que depois andam a pedir ao Estado mais e melhor saúde, ensino, reformas, subsídios etc.
Esta massa não arrecadada pagava a crise e ainda sobravam uns carcanholes.
Se juntarmos aos 8.800 milhões mais os 1.100 milhões de contribuições sociais em dívida temos uma verba impressionante fugida aos cofres públicos.
Mais, nos tribunais tributários estão neste momento 44.000 processos que, certamente, dariam mais umas centenas de milhões ao Estado se a justiça funcionasse.
Pasmamos, como é possível que isto aconteça, que máquina fiscal é a nossa que num país pobre deixa tal evasão fiscal acontecer?
Mais pasmados ficamos quando sabemos que, desde 2003,a administração fiscal perdeu um quarto dos funcionários!
Então este não será um sector fundamental para investimento humano para uma melhor saúde financeira do país?
Dá que pensar, até se pode imaginar que é de propósito para impedir sarilhos com as negociatas dos boys.
É mais fácil esmifrar os mesmos de sempre com impostos, e o resto que se lixe.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
A GANÂNCIA CONTINUA A FAZER VÍTIMAS
Segundo tem sido noticiado centenas de empresas portuguesas estão com a corda na garganta, perderam milhões de euros e algumas estão à beira da falência.
No caso não foi a crise a causadora desta situação, mas a ganância de ganhar dinheiro sem trabalhar, isto é, criar riqueza sem estar ligada à produção, a tal economia de casino.
Passando por cima dos aspectos técnicos a coisa resume-se no seguinte: os bancos e as empresas faziam um contrato ligado à flutuação da taxa Euribor;
as empresas ganhavam caso a dita taxa subisse acima de determinado valor, e perdiam se ela descesse abaixo do patamar contratado.
Foram manobras deste género que estão na origem da crise que assolou os EUA e a UE.
A questão levanta muitas interrogações, aqui vão algumas.
Como é possível permitir estas jogadas que colocam em risco não só empresas mas também a economia de um país?
Isto não tem regulamentação?, quem fiscaliza tais aventuras?
Certamente muitos trabalhadores vão cair no desemprego, sofrendo eles e as suas famílias a irresponsabilidade deste sistema de risco fraudulento e quem vai pagar a factura são os contribuintes. Não é a solidariedade social que está em causa, mas os responsáveis por isto ficam sem sofrer qualquer consequência, o que é na verdade tremendamente injusto.
Agora, muitos destes "empresários" irresponsáveis (sabiam bem o que arriscavam),e sem consciência social, vão começar a pedir ao Estado que os auxilie e, naturalmente, alguns vão conseguir subsídios para os seus crimes, tudo dependerá dos conhecimentos e cunhas.
Este é o sistema que nos rege e que os governos não mudam, pois estão ao seu serviço.
domingo, 27 de fevereiro de 2011
O AMBIENTE POLÍTICO INIMIGO DO AMBIENTE
O Programa da ONU para o Ambiente (Pnua), publicou recentemente um relatório com estudos que demonstram que o crescimento económico e a protecção do ambiente são compatíveis.
Caso se investisse anualmente 2% do PIB global nos sectores da agricultura, energia limpa, pescas, florestas, gestão de resíduos e da água entre outros sectores "verdes", a economia mundial cresceria a um ritmo superior ao actual, mais sustentável e com repercussão positiva no emprego.
E nós, que estamos em recessão, vamos ter de devolver a Bruxelas 121 milhões de euros destinados à agricultura por falhas na sua aplicação e controlo nos anos de 2007 e 2008. No ano passado tivemos de devolver 45 milhões pelos mesmos causas, relativos ao ano de 2006.
É desesperante tanta incompetência, necessitados e criminosamente perdulários.
Mais, está neste momento para ratificação na Presidência da República um novo decreto-lei para facilitar ainda mais os PIN´s. Vale a pena fazer um pequeno exercício de memória: em 1994, com o Cavaco, criaram-se os "projectos estruturantes" que, desde que ultrapassassem os 500 milhões de euros, tinham a sua aprovação rápida; depois vieram os PIN (Potencial Interesse Nacional) para os projectos que tivessem 25 milhões de euros; agora o diploma que aguarda ratificação desce o investimento para ser considerado PIN para 10 milhões de euros.
A experiência destes 17 anos de "projectos" é aterradora, à boleia de promessas mirabolantes de milhares de novos empregos e desenvolvimento económico sabotou-se o ordenamento do território, invadiu-se áreas classificadas e de reserva, mutilou-se paisagens em troca de cimento.
Pelo visto ainda não chega a fúria destruidora, agora com 10 milhões já se pode subverter todas as leis.
Bem se esfalfa a ONU com relatórios e recomendações para um desenvolvimento sustentável e inteligente, o "mercado" é que manda e há sempre poderes que lhes obedecem.
Caso se investisse anualmente 2% do PIB global nos sectores da agricultura, energia limpa, pescas, florestas, gestão de resíduos e da água entre outros sectores "verdes", a economia mundial cresceria a um ritmo superior ao actual, mais sustentável e com repercussão positiva no emprego.
E nós, que estamos em recessão, vamos ter de devolver a Bruxelas 121 milhões de euros destinados à agricultura por falhas na sua aplicação e controlo nos anos de 2007 e 2008. No ano passado tivemos de devolver 45 milhões pelos mesmos causas, relativos ao ano de 2006.
É desesperante tanta incompetência, necessitados e criminosamente perdulários.
Mais, está neste momento para ratificação na Presidência da República um novo decreto-lei para facilitar ainda mais os PIN´s. Vale a pena fazer um pequeno exercício de memória: em 1994, com o Cavaco, criaram-se os "projectos estruturantes" que, desde que ultrapassassem os 500 milhões de euros, tinham a sua aprovação rápida; depois vieram os PIN (Potencial Interesse Nacional) para os projectos que tivessem 25 milhões de euros; agora o diploma que aguarda ratificação desce o investimento para ser considerado PIN para 10 milhões de euros.
A experiência destes 17 anos de "projectos" é aterradora, à boleia de promessas mirabolantes de milhares de novos empregos e desenvolvimento económico sabotou-se o ordenamento do território, invadiu-se áreas classificadas e de reserva, mutilou-se paisagens em troca de cimento.
Pelo visto ainda não chega a fúria destruidora, agora com 10 milhões já se pode subverter todas as leis.
Bem se esfalfa a ONU com relatórios e recomendações para um desenvolvimento sustentável e inteligente, o "mercado" é que manda e há sempre poderes que lhes obedecem.
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