sábado, 22 de janeiro de 2011

REFLEXÃO

Afirma hoje, 22 de Janeiro, o deputado Pacheco Pereira do PSD/PPD e ex-esquerdista ( tal como Durão Barroso ou Santana Lopes ), que a "crise do regime" é caracterizada  pela crise da justiça, a crise de representação ( partidos e parlamento e, acrescento eu, crise do Poder Local ), e a crescente subordinação do poder político ao poder económico, com fragilização acentuada  do poder executivo.
Neste caso os extremos tocam-se, pois sendo eu de esquerda desde que me conheço politicamente, não posso deixar de concordar com o Pacheco que pela sua posição sabe bem do que fala.
É por estas e outras que amanhã vou votar alegremente contrariado, para dar expressão ao descontentamento existente contra aqueles que recebem autorização para construir uma casa três meses depois de a mesma estar pronta e sem se saber qual o notário onde a escritura foi feita.
Chama-se a isto promiscuidade entre a política e os negócios.
A propósito, tendo em conta a crise e a austeridade imposta para que diabo quer o Estado mais 2.665 carros?
Foi aberto um concurso público para este fim com a dotação de 35 milhões.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

QUEM CALA CONSENTE

Estamos a quatro dias das eleições, o acontecimento que vai ter mais influência no nosso próximo futuro.
Relacionado com as eleições, embora não pareça, saíu a público uma sondagem de opinião que é um bom e actual retrato da nossa sociedade.
Segundo a sondagem que interrogou portugueses entre os 18 e os 64 anos, a maioria, 94%, não confia na classe política. Isto significa que esta opinião sentida engloba tudo desde a esquerda radical à direita radical. São 94%, é obra!
A não confiar no Governo são 90%, 89% nos partidos, 84% na Assembleia da República e 70% não confiam também nos tribunais, na administração pública e nos sindicatos.
É aterrador, afinal em quem confiam os portugueses?, em ninguém!, segundo parece. Concluindo, não confiam em si próprios.
É impossível que a sondagem, dado o número de cidadãos contactados, por azar não tivesse encontrado um português filiado num partido, ou trabalhasse na administração nacional ou local, ou sindicalizado. Mesmo esses, dadas as percentagens, não acreditam nas organizações a que pertencem ou nos organismos em que trabalham.
Mais, cerca de 50% não se interessam por política, e 78% acham que Portugal está a caminhar na direcção errada e 46% que vivemos pior que antes do 25 de Abril, e 58% que vivemos pior do que há 25 anos.
Ao mesmo tempo reconhecem que deveriam ter um maior compromisso com a causa pública mas não estão dispostos a isso.
É a foto de uma sociedade vencida, acomodada, individualista e egoísta, dependente do consumismo, da fotonovela e do futebol. Confirma anteriores estudos europeus que classificam os portugueses como o povo que menos participa na vida pública, em associações humanitárias, ou no voluntariado, ou que tem as mais baixas percentagens sindicais.
Nos tempos a seguir ao 25 de Abril todos queriam ter na família um operário ou um trabalhador, uma forma de mostrar que não se era burguês. Hoje mesmo os trabalhadores mais desqualificados não se sindicalizam, seria reconhecer que se é pobre, e ser pobre e sindicalizado é uma despromoção social.
Outros estudos recentes revelaram que os portugueses são uma das sociedades comunitárias que mais problemas mentais sofrem e que mais antidepressivos tomam.
Que fizemos deste país?
É esta sociedade que vai votar dia 23 de Janeiro.