quinta-feira, 10 de março de 2011

MAIS UM DISCURSO

Cavaco tomou posse e foi claro, disse ao que vinha, a direita gostou, finalmente sentiu que o chefe regressara.
O PR que nunca se pronunciava, sempre a afirmar de que como PR "não devia falar sobre esse assunto", ou de que como PR "não deveria se pronunciar sobre essa matéria", recuperou a voz depois de reeleito.
Os políticos portugueses têm uma particularidade, acertam nos diagnósticos mas esquecem sempre as causas e aplicam a terapia que mata o doente.
Recordando anteriores discursos de PR`s no dia da posse verificamos, por exemplo em 2001, alerta para a grave situação da dívida externa portuguesa, isto é, muito antes da crise; ou em 1966 alertando para o aumento das desigualdades sociais e das assimetrias regionais, para o crescente divórcio das relações entre o cidadão e o poder político etc.
Que fizeram os governos e os PR para travar o carro que ia tão mal guiado?, nada!, antes meteram o pé no acelerador das políticas causadoras dos diagnósticos apontados e acabaram por estampar a viatura.
Agora escutamos mais um discurso apelando aos jovens a quem roubaram perspectivas de futuro para que intervenham, ou palavras condoídas aos cidadãos que lançaram no desemprego e esmifram com impostos e cortes nos direitos sociais que os sacrifícios têm de ter limites. Santa hipocrisia.
O que vem aí é mais do mesmo: EDP, REN, TAP e ANA estão na linha de partida para novas privatizações. A seguir vão os CTT, Caixa Seguros da CGD, CP Carga. O governo quer fazer €6.000 milhões até 2013, e vai tudo à vida.
Quantos postos de trabalho se vão perder?, quantos milhões de impostos deixarão de ser recebidos? Mas o PSD ainda quer mais e fala já na necessidade de privatizar a RTP, percebe-se, assim a informação também fica privatizada.
Ricardo Salgado, o do BES, afirmou à dias :"O sistema capitalista é amoral, tem de produzir resultados. As pessoas é que podem ser morais ou imorais, mas o sistema tem de ser amoral".  Sendo assim, e é um entendido na matéria que fala, os fins justificam os meios para "produzir resultados", pois a regra é a selva amoral e não servir o país ou as pessoas.
Sobre isto não falam os discursos dos PR, nem sobre os offshores, o supra sumo da imoralidade.

sexta-feira, 4 de março de 2011

SOMOS ASSIM, OU OITO OU OITENTA

Quando se espalha a notícia que algo "está a dar" logo se multiplicam as coisas sem qualquer estudo ou avaliação, ad hoc, depois logo se vê!
Segundo uma avaliação feita há tempos ( ao menos neste caso existiu uma avaliação ), o ideal seria a existência de 29 a 41 campos de golfe no Algarve.
Ora já vamos em mais de 40 e estão previstos ou em construção mais uma vintena, o que faz com que o Algarve tenha mais de metade dos campos do país.
Para este fim já foram desafectados muitos hectares de terrenos quer da Reserva Agrícola Nacional quer da Reserva Ecológica Nacional. Em 2008 os campos de golfe algarvios já somavam mais de 6.000 hectares, e à boleia dos campos vingam os interesses imobiliários e o assalto aos recursos hídricos.
Claro que tudo vem embrulhado nas promessas de mais emprego e desenvolvimento. E, nada de preocupações em relação aos recursos hídricos, novos campos de golfe só com aproveitamento das águas residuais. Imediatamente a seguir o governo veio dizer que não era obrigatório mas sim uma recomendação, e esta entendida numa base de voluntariado.
Em 2008, data já referida, dos 43 campos então referenciados só 1 aproveitava águas residuais de uma ETAR. Nessa data o gasto com a rega dos campos de golfe equivalia a uma população de meio milhão de pessoas, mais do que o total da população algarvia.
Suponho que actualmente a situação não seja muito diferente.
Segundo várias fontes científicas o sul da península ibérica corre o risco de anos de seca e mesmo desertificação acelerada na próxima década. Preservar os aquíferos, tendo em conta tais perspectivas que não devem ser ignoradas,
será a prudência exigida e não o gasto indescriminado da água.
Olhe-se para a Espanha e veja-se os problemas já existentes com a escassez de água, e a pressão sobre os rios e as nascentes de que o Guadiana está a ser vítima.
A pergunta que se coloca é esta: afinal quem controla estas coisas?, é a CCR?, o Ministério do Ambiente?, ou as Câmaras andam à rédea solta?.
Parece que há um Programa Nacional do Uso Eficiente da Água. Haverá mesmo ou será boato?

terça-feira, 1 de março de 2011

A CRISE

A economia subterrânea ou paralela está calculada no nosso país em 24% do PIB. Isto é a economia que não paga impostos que, segundo contas feitas, andará à volta de 8.800 milhões de euros a receita fiscal perdida.
Perdida não, fica nos bolsos de muitos que depois andam a pedir ao Estado  mais e melhor saúde, ensino, reformas, subsídios etc.
Esta massa não arrecadada pagava a crise e ainda sobravam uns carcanholes.
Se juntarmos aos 8.800 milhões mais os 1.100 milhões de contribuições sociais em dívida temos uma verba impressionante fugida aos cofres públicos.
Mais, nos tribunais tributários estão neste momento 44.000 processos que, certamente, dariam mais umas centenas de milhões ao Estado se a justiça funcionasse.
Pasmamos, como é possível que isto aconteça, que máquina fiscal é a nossa que num país pobre deixa tal evasão fiscal acontecer?
Mais pasmados ficamos quando sabemos que, desde 2003,a administração fiscal perdeu um quarto dos funcionários!
Então este não será um sector fundamental para investimento humano para uma melhor saúde financeira do país?
Dá que pensar, até se pode imaginar que é de propósito para impedir sarilhos com as negociatas dos boys.
É mais fácil esmifrar os mesmos de sempre com impostos, e o resto que se lixe.