sábado, 26 de março de 2011

CRISE II

Mais alguns números para se perceber a crise.
Portugal foi na última década um dos três países do mundo que menos cresceu.
Só 36% das empresas pagam IRC; dos restaurantes e hotéis só 1 em cada 4 pagam ao fisco. Só 56% das famílias pagam IRS.
Temos 20% das famílias abaixo do limiar da pobreza, e sem ajuda estatal passavam a 40,6%.
Os PEC conduzem a cortes no abono de família para 1,5 milhões de famílias, e o congelamento das pensões e reformas atingem 3,5 milhões de famílias.
O crédito mal parado, isto é o que se deve e não se paga dos empréstimos contraídos, ultrapassam em muito os 4 mil milhões de euros (ME).

sexta-feira, 25 de março de 2011

CRISE

A imprensa nacional revela que Portugal só tem dinheiro para mais dois meses. A internacional afirma a pés juntos que temos de recorrer à UE e ao FMI.
Recordo que o relatório da Comissão de Inquérito da Crise Financeira dos EUA afirma que a crise "era evitável", e a "maior tragédia é aceitarmos que ninguém podia ter previsto que isto ia acontecer", e se " aceitarmos esta desculpa a crise vai repetir-se".
O relatório acusa "a cultura de desrespeito financeiro" e os grandes bancos de "agirem sem prudência", na ganância de "grandes lucros e apetecíveis bónus".
Esta análise serve igualmente para o que aqui se passa, cai o Sócrates e o Passos já ameaça com a subida do IVA em 2%.
Tudo isto foi previsto há muito tempo, mas não ligaram dado que a política seguida tinha e continua a ter por propósito lixar os portugueses.
As contas estão feitas, mas são ignoradas na imprensa, pois a sua divulgação prejudicava o objectivo aqui mencionado.
Alguns números.
Em 31/12/08 o défice orçamental era 2,8%.
Em 31/12/09  "    "          "            "  9,3%.
Distribuição do Rendimento Nacional, Capital     Trabalho
                                                           1953                  55%                45%
                                                           1976                  40,5%             59,5%
                                                           2005                  59,4%             40,6%
                                                           2008                  66%                34%
Se fosse aplicada uma taxa de 25% sobre a banca e os grandes grupos económicos o Estado receberia, no mínimo, 500 Milhões de Euros (ME).
Se fosse aplicada uma taxa sobre as transacções bolsistas o Estado teria, no mínimo, mais 135 ME. Em relação aos offshores a taxa renderia anualmente, no mínimo, 2.200 ME.
A receita fiscal perdida e as contribuições sociais por pagar rondam os 8.800ME para as primeiras e 1.100 ME para as segundas.
A economia paralela, ou seja a não registada que foge ao fisco anda na casa soa 24% do PIB.
Prescreveram nos últimos 5 anos 4.300ME em processos judiciais. Os benefícios fiscais estão calculados em 13.000 ME.
O Estado tem 13.740 organismos públicos, e destes só 1.724 apresentaram contas, e 418 é que foram fiscalizados.
O orçamento de estado para 2011 prevê, por ex., 11,5 ME para publicidade, para seminários 11,3 ME etc.
Pergunto, para quê carregar mais o pessoal com 2% de IVA, quando há muito lugar para ir buscar dinheiro?
A resposta é esta, enquanto a economia tem crescido uns míseros 1% anuais,
os grandes grupos económicos viram os seus lucros aumentarem 75%.
Sem crescimento económico não há emprego, e penalizando os salários e reformas o consumo interno vai regredir e o desemprego vai aumentar.
Esta é a política deliberadamente praticada, que vai prosseguir, mas como dizia o relatório acima mencionado "era evitável". Esta política está inserida na ofensiva contra quem trabalha, aqui e na UE e nos EUA.
Este é o problema, e só será vencido se as forças políticas e sociais progressistas se unirem.

quarta-feira, 23 de março de 2011

AMBIENTE POLÍTICO E NATURAL EM 24 DE MARÇO DE 2011

Pronto, acabou-se o Sócrates. O ambiente fica mais higiénico moralmente mas muito preocupante política e economicamente.
Vamos ter o actual governo em gestão por alguns meses até novas eleições e entrada em funções de um novo governo.
Ao contrário do que geralmente se pensa um governo de gestão continua com uma margem de manobra grande, isto a partir do momento em que o Jorge Sampaio pediu ao Tribunal Constitucional uma interpretação da "gestão" e este esclareceu que "são os actos estritamente necessários ao governo do país" e, quem define esses actos é o próprio governo. Neste campo tem uma importância decisiva o papel do PR que, com garante da Constituição, deve fiscalizar se o governo extravasa ou não as suas funções.
A quente mais não avanço por hoje.
O ano passado em Março a jornada nacional LIMPAR PORTUGAL retirou mais de 50.000 toneladas de lixo de mais de 5.000 lixeiras.
Este ano foi feito um levantamento desses locais para se verificar como estavam depois de terem sido limpos. Surpresa ou talvez não, 80% tinham voltado a ser lixeiras. Este é um bom retrato do que somos, sem civismo, desleixados, irresponsáveis.
Não me admiraria que o lixo político que hoje acabou na Assembleia da República volte em força nas listas dos partidos e seja eleito pelo voto.
Merecemos muito do que temos.

segunda-feira, 21 de março de 2011

YouTube - José Afonso - Os Vampiros (ao vivo no Coliseu)

YouTube - José Afonso - Os Vampiros (ao vivo no Coliseu)


Esta canção continua, infelizmente, actual

DIA DA ÁRVORE

Hoje, dia 21 de Março, começo da Primavera é também Dia da Árvore.
Recordamos que este ano é o Ano Internacional das Florestas, e que sábado e domingo passados realizaram-se em vários pontos do país jornadas para limpeza das florestas recolhendo lixo para elas criminosamente despejado.
Faz também um ano que se realizou a iniciativa LIMPAR PORTUGAL, participada por mais de 100 mil pessoas que recolheram mais de 50 mil toneladas de lixo.
No dia 11 de Fevereiro escrevi aqui uma nota (ver na etiqueta Ambiente), sobre o Dia da Árvore e das verbas disponíveis para esse efeito, e fazia votos para que a Câmara de VRSA e a Reserva do Sapal se candidatassem a esse fundo e realizassem uma jornada de sensibilização e limpeza da nossa Mata Nacional das Dunas.
Que saiba nada foi feito.
Hoje, dia 24 de Março, quero penitenciar-me por ter tido uma informação errada e não a ter confirmado antes de falar sobre o assunto.
Houve jornada e 70 pessoas nela participaram, retirando 3,5 toneladas de lixo da Ria Formosa e da Mata.
Podia ter sido mais, mas é de louvar o que foi feito.

sexta-feira, 18 de março de 2011

CAVACO E A GUERRA COLONIAL

Para mim, ex-prisioneiro de guerra, foi chocante conhecer as palavras de alguém que é PR eleito graças ao 25 de Abril.
Chamar guerra do "ultramar" à Guerra Colonial defendida com "determinação" pela juventude portuguesa, segundo Cavaco, é uma afronta e uma tentativa reaccionária de reescrever a história. Mas qualifica o homem.
Na India, onde me encontrava, o telegrama enviado por Salazar no qual afirmava que só poderia haver "soldados e marinheiros vencedores ou mortos", é de um cinismo desumano, lançar à morte numa luta desigual milhares de jovens só para fazer apologia internacional do seu regime.
No fundo o PR fez um elogio do passado derrubado em 25/A, o qual contra a corrente da história enviou para as colónias a nossa juventude, carne para canhão, matar e morrer para glória do regime. Milhares de jovens recusaram tal destino e emigraram, assim como mais de um milhão de outros portugueses emigraram forçados pelas injustiças sociais e humanas do fascismo.
Este pesadelo que terminou há 36 anos e regressou agora pelas palavras do PR demonstrou, mais uma vez, que Cavaco não tem estatura para chefiar um país democrático.
Dessa guerra continuam a sofrer milhares de ex-combatentes problemas físicos e psiquícos, injustiça dupla, foram envidos à força para a guerra e agora sentem que a democracia não os trata correctamente, os ignora e fica incomodada com a sua existência. Disso é que devia ter falado o PR.