quinta-feira, 19 de maio de 2011

PESOS E CONTRAPESOS

Quando vamos às compras ao mercado ou ao super, procuramos distribuir o peso das compras pelas duas mãos para equilibrar o corpo, e a coluna serve de fiel da balança, fica direita e impede que tenhamos problemas nas "cruzes", como popularmente se diz.
A crise e não só, é o resultado do país andar descompensado há mais de 30 anos. Votamos maioritariamente nos mesmos sacos e o peso eleitoral é mal distribuído e cai fortemente para a direita.
O PS que em teoria devia ser uma espécie de fiel da balança avariou há muito e tem ferrugem do lado esquerdo, pelo que pende sempre para a direita obrigando a caminhar enviesado com grandes dores nas nossas pobres cruzes.
Enquanto não equilibrarmos mais a distribuição do peso eleitoral pela esquerda e direita vamos continuar a não ser saudáveis e teremos grandes e graves problemas de saúde política, financeira e económica.
No próximo dia 5 de Junho caso não se puxe um pouco mais o fiel da balança política para o centro e o contrapeso da esquerda não subir um bocado vamos passar por um período de tragédias. Não é exagero, ou não ouviram hoje o patronato reclamar o fim do despedimento com justa causa na Constituição?
Na canção dos Deolinda é preciso estudar para ser escravo, agora querem que se trabalhe para ser escravo. Depois não digam como na canção, "mas que parvo que eu sou".




PUBLICADA HOJE,19 DE MAIO,NO JORNAL DO ALGARVE

NOTA CHARINGADA
A TROIKA E A REGIONALIZAÇÃO
A Rádio Universitária do Algarve entrevistou recentemente os responsáveis actuais do PS e do PSD do Algarve, Miguel Freitas e Luís Gomes.
A conversa foi sobre a regionalização e, como sempre, em palavras consideraram que a regionalização é fundamental para o desenvolvimento do país, “projecto essencial para o país” afirma Miguel Freitas, “a regionalização deve ser a mãe de todas as reformas administrativas do país”, na frase um pouco chinesa de Luís Gomes.
Mas em política os actos é que contam, as palavras são quase sempre biombos atrás das quais se mascaram as intenções e o certo, constatamos, é que 35 anos após a Constituição ter consagrado a criação de regiões as mesmas não existem.
Igualmente se constata que os dois partidos referidos foram os que governaram Portugal quase em exclusividade depois do 25 de Abril, e se as regiões não foram criadas é porque não quiseram, ponto final.
Não quiseram até agora e continuam a não querer e só a Troika os vai obrigar a mexer no problema, se calhar mal e no momento errado.
Talvez seja coincidência mas o facto é que os três países mais atrapalhados com a crise, Portugal, Irlanda e a Grécia, são aqueles em que a regionalização não foi feita ou foi realizada há meses forçada pelos da Troika.
No caso da Grécia o número de municípios passou de 1030 para 325, e as regiões que existiam que não eram bem regiões, pois os responsáveis não eram eleitos, passaram de 57 para 13, suprimindo quatro mil empresas municipais e 54 prefeituras, uma espécie de governos civis. A poupança está calculada em 1.500 milhões de euros, e os municípios e as empresas municipais ficam impedidas de gastar sem aprovação prévia.
Foram abolidos cerca de 25.000 cargos de topo.
A mãozinha da troika é visível, a mesma que exige agora a nós a redução anual de 2% do pessoal das autarquias, cerca de 3.000 trabalhadores no total, e a redução de empresas municipais.
Existe a Europa das Regiões, organismo onde participam a Madeira e os Açores mas não o resto do país, andamos sempre atrasados e com um peso enorme sobre os ombros de conformismo e resignação. O Alexandre Herculano, perante a situação de concelhos sem dinheiro e sem iniciativa, sufocados pelo centralismo e dele dependente, dizia que era preciso “criar no país os hábitos da vida pública, desterrar a indiferença política do povo, resultado de uma tutela absurda”. São infelizmente ainda actuais estas palavras.
O país tende para uma desertificação humana acelerada, de acordo com estudos recentemente feitos a zona da Grande Lisboa terá em breve 45% do total da população do país, o Grande Porto e o litoral cerca de 33% e o resto do país (interior), 22%.
O centralismo é inimigo do desenvolvimento democrático, sustentado e harmonioso de todo o Portugal. Será que ainda teremos de agradecer à Troika ter dado o impulso para efectivar a regionalização?
Martins Coelho


segunda-feira, 16 de maio de 2011

Ataque aos benefícios sociais é «inaceitável» | agência financeira

Ataque aos benefícios sociais é «inaceitável» agência financeira

Posição da CES

É o povo, pá! | Não queremos subsídios, queremos emprego!

É o povo, pá! Não queremos subsídios, queremos emprego!

DEMOCRACIA E JUSTIÇA

Sem justiça a democracia não funciona. Sem justiça social é um desastre e sem justiça económica uma catástrofe.
A chamada troika impôs a Portugal medidas e datas apertadas para alterações na justiça. É lamentável que após décadas e toneladas de palavras sobre o não funcionamento da justiça, a nossa passividade e deixa-andar, seja, mais uma vez, a pressão exterior que nos obriga a fazer o que já devia ter sido feito há dezenas de anos.
Não foi feito por que não quizeram, uma justiça a sério é contrária ao caciquismo e interesses reinantes.
Agora vem a troika e manda executar e depressa alterações na justiça, não por causa da injustiça social que é a maior da UE, mas para que funcione melhor a nível económico para garantir que os empréstimos sejam pagos.
Encontram-se por resolver nos tribunais 1,1 milhões de processos pendentes de cobranças de dívidas. Estudos feitos calculam que o não funcionamento da justiça causa um prejuízo económico anual na cas dos 7 mil milhões de euros.
Agora temos por imposição de reduzir as actais 232 comarcas para 39 até fins de 2012; todos os processos de cobraça de dívida têm de estar resolvidos até Junho de 2013 e a simplificação do Código do Processo Civil tem de ser realizada.
Não se brinca com o dinheiro da troika, pois no final dos sete anos e meio previstos para pagamento do empréstimo, pagaremos cerca de 30 mil milhões de euros de juros.
Grande parte do empréstimo de 78 mil milhões de euros nem passarão por Portugal, irão directamente para os credores, isto é bancos alemães, franceses etc.
Resta saber se mesmo a toque de caixa a incompetência política nacional consegue cumprir os prazos.

domingo, 15 de maio de 2011

O QREN e o Al(l)garve

Segundo a imprensa o Algarve vai ter apoio para 12 projectos no valor de 8 milhões de euros. O Programa Operacional do Algarve que aprovou os projectos, financiados em 8,4 milhões pelo QREN, concentram-se no turismo, serviços e comércio (80%), 15% indústria e 3% na construção.
Agricultura e pescas nada, e com tão pouco apoio à indústria não se percebe como vamos criar riqueza e postos de trabalho e pagar o que devemos.
A taxa de execução do QREN no Algarve está neste momento em 15%, consta que estão aprovados 135 projectos para o período  do QREN, 2007/2013, o que atinge a taxa de 65% caso sejam implementados.
É pouco, é necessário até 2013 esgotar os apoios do QREN, pois a UE não será no futuro tão generosa connosco.
Esperemos que esses projectos sejam mesmo de apoio ao desenvolvimento industrial, agrícola e das pescas do Algarve, a melhor garantia de que o comércio e o turismo também sairão beneficiados.