terça-feira, 23 de julho de 2013

ACRÍLICO


ACRÍLICO

O acrílico é uma resina polimerisada derivada do petróleo e dos seus derivados . Foi descoberta em 1930 nos EUA e começou a ser usado na pintura de edifícios . Só a partir dos anos 50 nos EUA foi pouco a pouco ganhando o interesse para a pintura de cavalete , e em 62 pintores franceses começaram a utilizar este novo produto . Rapidamente se espalhou o seu uso e o acrílico para a pintura de arte se foi aperfeiçoando , existindo hoje uma vasta gama de marcas , cores , médios , pincéis , telas etc... exclusivos para a pintura acrílica .
O acrílico é uma matéria polivalente , tem um aspecto seco , sedoso e de um brilhante profundo e pode ser aplicado sobre quase todos os suportes – tela , madeira , contraplacado , cartão , papel , vidro , metal , plástico , cimento etc ... Convém no entanto preparar os suportes com gesso ou caparol como no óleo pois um suporte bem preparado é fundamental para uma boa pintura . Caso se pinte muito diluído deve o suporte ter alguma rugosidade , não ser muito liso . Suportes oleosos ou gordurosos devem ser evitados .
A resina acrílica é uma matéria plástica sintética resistente , estável e menos sensível à luz que as resinas naturais . Fácil de pintar e misturar seca rapidamente em poucos minutos o que torna a técnica complicada de dominar . O único diluente do acrílico é a água e , uma vez seco é resistente , fácil de limpar e dispensa mesmo o verniz . Aconselha-se mesmo assim o envernizar final com os vernizes próprios para o acrílico . Ao contrário do óleo pode ser envernizado logo que seco mas , por precaução , deve-se deixar passar pelo menos algumas horas .
O acrílico tanto pode ser usado tão líquido como a aguarela sobre papel aguarela como muito espesso à brocha ou à espátula sobre suportes proibidos ao óleo , tudo depende da quantidade de água utilizada . Tanto se pode diluir como utilizar como sai do tubo ou juntar médios para empastar .
O acrílico como seca rapidamente permite continuar a pintura com novas capas no imediato , tantas quantas se desejar e forem aconselháveis para o suporte . As veladuras não oferecem dificuldade , é uma questão de mais ou menos água . Ao contrário do óleo podem-se alternar capas finas e espessas sem problemas .
Um material indispensável para a pintura acrílica é um borrifador para manter húmida quer a tinta saída do tubo e posta na paleta quer a própria tinta aplicada no suporte caso seja necessário . A rapidez de secagem  exige rapidez de execução , pintar com rapidez é o segredo e , como na aguarela , não permite arrependimentos . Mas , o que não é possível na aguarela , uma vez seca pode-se repintar .
A técnica de pintar não é diferente da do óleo assim como tudo o que é relativo à teoria das cores , composição , etc..
O acrílico é um excelente produto para as técnicas mistas , com o óleo , com o pastel , com vinílicas , com a aguarela .
A grande vantagem do acrílico sobre o óleo é a sua solidez , a garantia que não estala ou racha , a capacidade de suportar diferenças de temperatura sem problemas , insensível à humidade , fácil de transportar . O óleo no entanto permite acabamentos e "nuances" difíceis de obter com o acrílico .

TINTAS
As tintas acrílicas existem em tubos , potes e frascos de vidro ou plástico em diversos tamanhos de acordo comas superfícies que se pretendem pintar . O tubo contém  acrílico em pasta parecido à consistência do óleo ; nos potes e frascos o conteúdo é mais cremoso , bom para as misturas e para grandes superfícies . A dos frascos diluem-se muito bem na água e facilitam a pintura em aerógrafo . Em geral o acrílico é mais caro do que o óleo . Em relação à qualidade temos os extra-finos , os finos e os de estudo .  A gama de cores comercializada é hoje muito extensa e variada , para além das cores normais existem os acrílicos de cores metálicas que permitem obter tons metal , os fluorescentes e os iridescentes ou de pérola .

MÉDIOS
A gama de médios é muito vasta e estão sempre a aparecer novos produtos que se misturam bem , não alteram as cores , criam condições para novas técnicas e utilizações quer nas texturas , na obtenção de relevos etc... Os médios são brilhantes e mates e em geral aplicam-se misturando 20% de médio e 80% de acrílico . Alguns exs :
Retardadores – retardam o tempo de secagem permitindo mais tempo para executar a pintura ;
Estruturantes – servem para adensar a pasta e podem ser misturados em proporções até 50% sem alterar a cor , dando maior volume à pasta ;
Veladuras – a pasta torna-se  mais fluída e transparente , são adesivos bons para colagens ;
Modeling past – médios que de grande poder adesivo que dão pinturas em relevo , permitem as colagens e a mistura de areias , serradura , pó de mármore etc ... para se obter efeitos de matéria , chamados morteiros ;
Fluorescentes e iridescentes – produzem efeitos especiais quando misturados à pasta ;
Gesso acrílico – bom para preparar os suportes e também para misturar com a cor para a encorpar . Existem em branco , negro ou coloridos ;
Verniz – brilhantes , mate e anti-UV . Servem para proteger a pintura e aplicados em camadas finas realçam as cores ternas , dão um ar acetinado à pintura . O anti-UV filtram os raios ultra-violeta reforçando a solidez das cores o que é bom para pinturas que fiquem muito expostas à luz ou de exterior .

PINCÉIS

O acrílico aceita todo o tipo de pincéis mas é preferível usar os próprios para o acrílico . A resina do acrílico estraga mais o pincel que o óleo , este conserva melhor os pelos . Os sintéticos e as sedas são os mais usados por serem firmes , resistentes e elásticos .
Quando se trabalha com o acrílico tipo aguarela ou em pormenores ou acabamentos finos os suaves de marta  ou afins são os mais indicados. Como o acrílico seca com grande rapidez  é necessário sempre que não se esteja a usar o pincel mergulhar o mesmo em água mas sem que o pelo toque o fundo . O melhor é ter um recipiente com bastante água à mão para dar uma lavadela ao pincel mal se deixe de usar .
No final devem ser lavados com água morna e sabão de marselha , e postos a secar com os pelos para o alto . Caso por descuido tenham secado ou as virolas estejam com tinta seca deve-se limpar com álcool .



sexta-feira, 19 de julho de 2013

AGUARELAS

                                                                                            


AGUARELA

A aguarela foi uma técnica utilizada na Idade Média nas iluminuras dos manuscritos (juntamente com o ovo),que cai em desuso com o aparecimento do óleo,reaparece na Renascença(Durer, Pisanello,Holbein e outros ), mas são os paisagistas ingleses do século XVIII que irão popularizar esta técnica – Tuner e Cotman designadamente , na forma como hoje ainda a praticamos . Conhecem-se aguarelas egípcias do II séc. AC ilustrando os livros sagrados .
O seu nome vem do italiano aquarello , que significa cor diluída em água .
Os pigmentos são aglutinados pela goma arábica à base de resina de acácia ou eucalipto,
de mel , de glicose ou de glicerina ( as de menor qualidade ) .
É uma técnica difícil de dominar , não permite o erro , exige precisão do gesto e da pincelada , rapidez de execução , paciência e conhecimentos . Ao contrário do óleo e outras técnicas  na aguarela o desenho adquire grande importância .O dissolvente é a água e a aguarela fascina pela sua transparência , frescura , intensidade das cores , o jogo de matizes e súbtis e finas graduações de cores. Não há branco , o branco do papel seu suporte ideal e quase exclusivo é o branco da aguarela . É este branco que transparece debaixo das cores que dá a luminosidade tão específica da aguarela .A evolução industrial e técnica  da química veio pouco a pouco substituindo os pigmentos de origem vegetal , animal ou mineral por pigmentos sintéticos , alargando a gama de cores , a permanência e a estabilidade das mesmas .

AS CORES
Existem várias e boas marcas no mercado . Independente da marca as aguarelas ditas artistas e as extra-finas são as de melhor qualidade , existindo também as finas e as de estudo . As aguarelas são apresentadas em godets ou em tubos . Os godets podem ser de porcelana , metal ou plástico ( os mais baratos e de menor qualidade ) . Para manter a humidade da pasta as cores em godet vêm embaladas dentro de caixas de madeira , metal ou estojos de cartão para melhor conservação . As cores em tubo têm um maior grau de humidade e o facto de se fecharem após o uso garante melhor conservação .Nas caixas metálicas as tampas servem de paleta para misturar as cores . Pode-se comprar caixas destas vazias e colocar lá a selecção de cores que mais nos convenha .
Após usar as cores em godet é bom limpar estes com papel absorvente e fechar bem a caixa e a manter afastada de fontes de calor para não detiorar as cores .
Hoje em dia existem também aguarelas em potes e tubos, como a Karat Liqua da Staedtler , de grande qualidade , usadas mais pelos ilustradores mas que são excelentes aguarelas .
Outro material são os lápis aguarela , de várias marcas e em caixas que vão de 12 a 120 cores . Os lápis aguarela podem ser utilizados como uma técnica autónoma ou servirem para técnica mista com a aguarela .
Hoje em dia existem feltros à prova de água , tintas da china especiais e feltros aguarela usados por muitos artistas .
Em relação à teoria das cores o uso destas e as misturas são no fundamental semelhantes ao óleo . Embora não seja corrente a aguarela pode ser utilizada em técnicas mistas com as ceras , pastel a óleo e mesmo com o acrílico . A aguarela também é utilisada por alguns aguarelistas em pinturas ao aerógrafo .
A aguarela é a arte da transparência , existindo naturalmente cores mais transparentes do que outras .
Transparentes – Terra de Siena Natural , Azul Ultramar , Magenta , Áureolina ;
Opacas –Terra de Sombra Queimada , Verde Óxido de Crómio , Amarelo Nápoles , Ocre , Cerúleo ,Vermelho Cádmio , Vermelhão , Amarelo Cádmio ;
Grande poder colorante  - Terra de Siena Queimada , Alizarina , Amarelo Cádmio , Azul Phtalo ;
Pouco poder colorante – Verde Esmeralda , Terra de Sombra Natural , Ocre Amarelo .
                                                                                                                                                                                          O  SUPORTE
O suporte por excelência da aguarela é o papel especial feito expressamente para a pintura a aguarela .
Existem quatro tipos de papel – acetinado , fino , rugoso e muito rugoso ou torchão . Os acetinados e os de grão fino acentuam o brilho e a transparência mas dificulta a saturação da cor , mais difícil de trabalhar , em particular na técnica a húmido para dominar o controlo da aguarela . O rugoso permite que um picel bem embebido na cor cubra grandes superfícies e um pincel com pouca tinta , seco ou semi-seco , deixe transparecer as covas das rugosidades . O torchão não absorve totalmente a tinta , esta não vai até ao interior da folha , é absorvente só na superfície . O torchão possibilita  belas aguarelas mas é igualmente difícil de trabalhar , exige grande prática da aguarela .
Aconselha-se que o papel não seja inferior a 300 gr., pois nesse caso terá de sere fixado com fita adesiva de ph neutro , para não criar bolsas ou encarquilhar .A partir de 400gr é considerado  papel cartão e com 600 gr e mais oferece uma grande estabilidade .O papel fabrica-se a partir de tecidos de linho ( o de melhor qualidade ) , de algodão ou misto de algodão e linho .
Aparece no mercado papel de fibra de madeira e sintéticos que não são bons para a aguarela , não garentem a homonegeidade necessária a esta técnica .
O papel de aguarela pode ser feito manualmente ou em máquinas , sendo o artesanal de muito melhor qualidade .
O papel aguarela tanto se pode comprar em folhas como em blocos , existem as mais variadas dimensões . Pode-se comprar folhas grandes e cortar no tamanho que mais nos convenha .
Um aspecto importante é o de que o papel de aguarela deve ter ph neutro , isto é sem acidez , para não alterar a cor da tinta e no futuro não degradar o trabalho .

MÉDIOS
Tal como para as outras técnicas a aguarela possui vários tipos de médios . Alguns exs. :
-       goma arábica – melhora a coesão e a aderência , aumenta a transparência e a profundidade das cores . Deitar uma a duas gotas na água limpa do recipiente que serve para tirar a água para dissolver as cores (depende do tamanho do recipiente ) . Quando se fez uma grande quantidade de cor uma gota ajuda à coesão da tinta ;
-       glicerina – uma gota na cor evita as escamas , melhora a flexibilidade e a densidade ;
-       Fiel de Boeuf – facilita a aderência , designadamente no papel Tourchon ;
-       máscaras – chama-se máscara à técnica que consiste em proteger o branco do papel com um produto que impeça a tinta de manchar essa área e que , depois de seca a tinta , se possa retirar o produto deixando a descoberto o branco do papel . Os materiais mais usados são a goma de borracha , a cera branca e o pastel a óleo branco ou a glicerina que repelem a água defendendo a área que se quer proteger ;
-       granulados – existem uns produtos no mercado que dão corpo à aguarela que depois de seca fica com aspecto rugoso .Serve para muros rústicos ,terrenos etc ;
-       máscaras transparentes – produto que dado sobre o branco do papel e depois de seco permite pintar por cima dando maior transparência , ou dado sobre a tinta seca permite que a nova camada deixe ver a inferior . Serve para dar efeitos especiais , transparência a zonas de água etc ...
-       verniz – protege a aguarela que é muito sensível à luz e tem tendência a esmaecer quando exposta a luz intensa . Os puristas condenam o uso do verniz que dizem fazer perder a frescura e a espontaneidade .
-       TÉCNICAS                                                                                                          Os puristas da aguarela só aceitam a tinta , o papel e o pincel , recusam tudo o resto.A controvérsia é grande e antiga sobre esta questão , mas a verdade é a de que a aguarela como técnica difícil que é vive de muitos expedientes e truques e nada impede de inovar no bom sentido, sem desvirtuar o espírito e a essência da aguarela.
É uma questão de escolha e método pessoal .
Na aguarela pintar sempre do claro para o escuro .Escurecer só por velaturas após as outras passagens estarem bem secas . Evitar dar mais de três passagens , a aguarela perde frescura e transparência . Não esquecer que o branco do papel é que dá luminosidade às cores .
Desenhar préviamente o tema da aguarela , de forma leve a lápis ou lápis aguarela , quer antes de molhar o papel ou aplicar a cor . O desenho é um indicativo , não se deve impor à cor . Também se pode desenhar com a própria aguarela , mas neste caso a tinta deve estar bem diluída .
As técnicas de base mais comuns são quatro : pintar a seco sobre seco , húmido sobre húmido , seco sobre húmido e pincel seco .
Evitar a húmido sobre seco pois existe o perigo de manchar e alterar as cores . Na aguarela as cores a húmido têm uma intensidade maior que se atenuam quando secas. Importante experimentar a cor num papel separado antes de a aplicar para ver se o tom é o pretendido quando seca .
A aguarela vive muito do branco do papel pelo que é fundamental reservar os brancos e os brilhos desde o princípio através de máscaras . Dominar a tinta de forma a que esta não invada a zona que queremos que fica branca , caso não se recorra à máscara , exige uma técnica muito apurada e grande experiência .
Não se devem multiplicar os brancos , em princípio recomenda-se só um branco puro central ( depende do trabalho , mas muitos brancos roubam expontâneidade à aguarela ) .
Deve-se pintar com o papel ligeiramente inclinado , ajuda a dominar e a controlar o movimento da tinta . Caso se pinte com blocos o problema está resolvido . Se a folha é solta quer seja a aguarela a seco quer a húmido ( depois de a molhar ) , deve ser fixa com fita adesiva não ácida a um suporte rijo , cartão forte ou contraplacado . Isto impede a folha de inchar e deformar .
A aguarela é água , um lavis , evitar por isso encharcar o pincel e procurar estender a pintura . Caso a superfície a cobrir seja grande a tinta no pincel deve estar de acordo com a área .
Frottis – é possível com o pincel quase seco ;
Aplat – da esquerda para a direita , de cima para baixo , com muita tinta e quando chegar ao fim da folha seguir no sentido inverso (direita para a esquerda ) , invertendo sempre o movimento até cobrir a zona que se pretende absorvendo com o pincel o excesso de tinta no final ;                                                                   Velaturas – são como filtros , pedem intensificar a cor ou ter cores diferentes da inicial , por ex. um azul sobre amarelo dará um verdoso . As cores com menos poder colorante e as mais transparentes são melhores para os glacis . A Alizarina desde que bem diluída dá boas velaturas ;
Lavis – é uma técnica que consiste em realizar uma agurela sem cor . Regra geral são feitos à base de terras .  
Certos pigmentos como o cobalto , as terras , o azul ultramar , devido à sua densidade/peso anicham-se bem às concavidades do papel e produzem um efeito granuloso que se pode explorar para dar efeitos .


TRUQUES
Para absorver e criar espaços mais ou menos brancos usar papel absorvente , algodão , esponja ou um pano absorvente . Por ex. para obter efeitos de nuvens , a pressão maior ou menor retira mais ou menos tinta .
Se deitarmos sal sobre a tinta quando húmida produz manchas e efeitos . Retirar o sal quando a tinta secar .
Esponja húmida de cor sobre seco , por ex. para imitar folhagem . O secador de cabelo para acelerar a secagem da aguarela .
Pode-se dar efeitos de raios de luz com lápis branco ou giz . Lixívia diluída a 50% na água come a cor e dá brancos . Cuidado para não abrir buracos no papel .
Raiando com o cabo do pincel sobre húmido ficam traços . Por ex . para caules ,ervas , pequenos troncos .
Uma lâmina de barba , um canivete ou mesmo uma lixa abre brancos ,por ex. reflexos na água , velame ou ramos .
Uma escova de dentes para salpicar uma zona . Um vaporizador para humedecer uma zona , ou com cor para borrifar e dar efeitos de textura .
Um papel não absorvente para friccionar e obter texturas . A terebentina sobre húmido produz efeitos .
Fio ou etiqueta para marcar ou preservar uma área .
Tunner , um dos maiores aguarelistas , pintava as costas do papel em certas zonas para acentuar essas partes .

OS PINCÉIS
Os pincéis para a aguarela têm várias formas e tamanhos conforme o uso a que se destinam .Os de pelos naturais são os melhores mas existem sintéticos de boa qualidade.
As características fundamentais são a suavidade ,flexibilidade,elastecidade,a capacidade esponjosa de absorver/reter bastante tinta .
Oa de pelos de marta combinam todas estas qualidades e tanto servem para os largos aplats como para finos traços . Os petits-gris , de pelos de esquilo , são excelentes e bons para os lavis . Os de pelos de Putois igualmente bons para os lavis , usados para molhar o papel devido à boa absorção de água , para fundos e dégradés . Os pincéis de Oreille de Boeuf servem para molhar o papel , fundos e céus .
Os sintéticos gastam-se mais depressa e por isso misturam pelos naturais para melhorar a absorção de água e a resistência . Da qualidade e quantidade dos pelos misturados depende a qualidade do pincel .
Pincéis mais largos , tipo spalter , em petits-gris ou sintéticos , são usados para cobrir grandes zonas de cor .
As sedas de porco servem para misturar cores e , devido à sua rigidez , para os frottis .
Quando se pinta a aguarela devemos ter dois recipientes com água , um para ir lavando os pincéis e outro com água limpa para dissolver as cores . Alguns aguarelistas só usam um para tudo pois afirmam que a água dos pincéis ao dissolver as cores harmonizam estas enriquecendo o trabalho . Necessário lavar regularmente os pincéis com água morna e sabão , apertar e sacudir para que não percam a forma e a ponta , guardar com os pelos  voltados para cima .

Para as máscaras usar pincéis velhos ou baratos , proteger mesmo assim os pelos com sabão e lavá-los de seguida . 

quarta-feira, 17 de julho de 2013

PINCÉIS

Os pincéis  em marta são os melhores mas os de seda de porco são excelentes para a pintura a óleo .
Existem pincéis com as mais variadas formas e tamanhos , de cabo curto ou longo , adequados à pintura que se pretende ( suave sem deixar traço ou deixar bem vincada a marca do pincel ) , assim como às várias técnicas – óleo , acrílico , aguarela , guache , decoração etc ...

 Marta Kolinsky bons para aguarela e óleo , resistentes ao uso , precisos e elásticos;

Putois – bons para brochas de pelo curto , absorvem bem a água , boa resistência ;

Petit-gris – bons para aguarela , absorvem bastante água , menos robustos e elásticos do que a marta ;

Oreille de boeuf – resistentes e maleáveis , adaptam-se a várias técnicas ;

Cabra – baratos mas de fraca qualidade ,são suaves e finos , bons para envernizar ;

Mangouste – pelo fino e duro , bom para brochas curtas para óleo ,

Blaireau – bom para brochas para glacis e pincéis de leque ;

Seda de porco – resistentes , bons para óleo , acrílico e empastar ;

Sintéticos – resistentes , lavam-se bem e bons para a o acrílico e aguarela , maleáveis , robustos e elásticos .

Existem ainda pincéis fabricados com mistura de pelos naturais e sintéticos , alguns de muito boa qualidade quer para óleo quer para acrílico.  

Conservar os pincéis em bom estado é fundamental pois são a ferramenta por excelência da pintura .
Quando se utilizam com secativos , vernizes , diluentes ou produtos similares devem ser lavados imediatamente .
Com os acrílicos ou vinílicos mal se acabe de pintar deve-se imediatamente passar o pincel por água limpa . Caso se pretenda continuar a pintar com o mesmo pincel pouco tempo depois deixá-lo mergulhado em água mas sem que os pelos toquem o fundo para não perderem a forma . Após o uso devem ser lavados com água morna e sabão , sacudir e secar com um pano ou papel absorvente evitando puxar pelo pelo . O melhor sabão para lavar os pincéis seja qual for a técnica utilizada é osabão de marselha. Existem produtos próprios para a lavagem dos pincéis .
Caso por descuido o pincel seca com acrílico tentar recuperar limpando com acetona ou álcool .
Quando se utiliza o óleo ou os alkydes  após o uso deve ser retirado o excesso de tinta com papel de jornal ou papel absorvente , sem puxar os pelos e tendo o cuidado de não deixar tinta acumulada na virola , depois limpar bem com petróleo ou white sprit , sacudir e linpar com panos ou papel absorvente.
Regularmente lavá-los com água morna e sabão . Todos os pincéis após serem limpos devem ser guardados com os pelos voltados para cima , ajuda a conservação e a não perder a forma .
Quando não se utilizam por um período prolongado devem ser untados com vaselina para impedir que criem bicho e para manter a forma . Há quem utilize a fita gomada  para este fim .
A técica para lavar os pincéis é a de fazêlos girar na palma da mão quando são redondos e dar um movimento de vai-e-vem quando são chatos .
Os pincéis de aguarela devem ser lavados em água fria para a goma não estragar os pelos .

Existem também vários tipos de pincéis , spalters e brochas para truques , efeitos especiais etc...Agora encontramos no mercado em borracha ,espuma e outros materiais .

segunda-feira, 15 de julho de 2013

TÉCNICAS E MÉTODOS, CONTINUAÇÃO

Frotis : aplicação irregular de uma cor opaca ou semi-opaca sobre uma outra já seca , modificando o nível óptico ( nuvens , fumo , nevoeiro , vegetação etc...) . Também se pode usar  um trapo embebido na tinta para dar a sensação de folhagem .
Blaireautage : aplicação com pinceladas irregulares deixando aparecer a sub-camada . O pincel com pintura espessa aplicada sobre o seco , ligeiramente , não misturando as pinceladas , pressionando os pelos ( terrenos , certas folhagens ).
Pontilhado : toques vigorosos dados verticalmente com pincel de decoração ou uma esponja . A pressão regula o pontilhado ( folhas das árvores , efeitos de mármore , madeira etc... ).
Projecção : projectar a tinta com uma escova ( para folhagens , areias etc... ) .
Raspagem :  com o cabo do pincel ou outro instrumento para fazer aparecer a sub-camada ( troncos de vegetação , cabêlos , ramos de árvores etc... ) .
Glacis : o primeiro a usar a velatura foi Van Eyck no séc. XV ; é uma camada transparente dada bem diluída com um médio próprio sobre outra cor seca com pincel suave para não deixar traços , para alisar . O glacis deve ser sempre mais claro que a outra cor . As cores opacas não servem para este fim . É uma velatura que serve de filtro para harmonizar uma tela,para efeitos ópticos , para sombrear , para dar efeitos de água , para esbater e suavizar etc... As lacas como por ex . a laca de garanza dão excelentes glacis , mas nunca as misturar com branco pois  empalidecem e desaparecem . O cobalto , o prússia , os óxidos vermelho e amarelo são bons para as velaturas .                 O glacis pode ser magro ou não , acetinado , brilhante ou mate , tudo depende da quantidade de óleo usada mas em pricípio o pigmento é pouco , o normal é 45 % de óleo ou verniz , 45% de terebentina e 10 % de sicativo ( depende da oleosidade da cor ).
Para os magros usar copal ou goma Dammar .
 Empastar : engrossar a cor com um médio ou produto apropriado . Geralmente pinta-se com um pincel  de seda de porco .Colocado em pequenas pinceladas fazem vibrar a luz,
O empastar dá relevo e faz ressaltar os elementos do primeiro plano . Técnica usada para muros , montanhas etc ...
Pontilhismo : pintar em pequenos toques de pintura pura , opaca , com pincel redondo . Técnica usada por impressionistas para dar efeitos ópticos , ex. colocar duas primárias lado a lado para o olho as juntar na cor resultante .
Frais sur frais : sobre uma primeira cor dar de seguida com pincel redondo uma segunda , mais clara , para as misturar . Serve para fundir , criar céus com nuvens etc...
Tonking : método que consiste em esfregar papel de jornal com um ligeiro movimento da palma da mão sobre uma superfície fresca para obter efeitos ao acaso ou atenuar contornos . 
Fundidos :  técnica que serve para graduar a passagem de uma cor para outra , para as esbater ou fundir gradualmente . Usar pincéis brandos ou de leque para fundir . Pode-se colocar uma cor ao lado uma da outra ou com ligeira separação e depois fundir . Técnica usada pelos retratistas , para céus , nuvens , para sombras etc ... Os dedos são uma excelente ferramenta para fundir cores .
A Carne – não existe uma cor própria para a carne , depende do conjunto da obra . Os amtigos tinham um método : pintavam a carne em último lugar . A base era uma ou duas capas de terra verde e branco , depois aplicavam duas capas de  velaturas de cores diferentes sem ocultar a base .
Outra forma é a de aplicar as pinceladas de cores diferentes umas junto às outras e depois fundir ligeiramente .
As sombras da carne feitas com azul e cinzentos ou as complementares , cores frias . Os contornos repassados com sombras diluídas e as tintas ainda húmidas .
Brilhos – normalmente é o branco e o amarelo . O brilho tanto pode ser suave como espesso . O brilho das ondas  é muitas vezes dado com espátula . Recordar que o brilho é o ponto mais intenso da luz . Quanto mais escuro ao redor mais intenso parece ser o brilho .
Na natueza os brancos raramente são puros e as outras cores também .
FUNDOS
A forma clássica de trabalhar era partir do escuro para o claro . Primeiro o fundo , depois o primeiro plano . Começar com pintura diluída ( rebaixada ) , terminar com velaturas .
Como o óleo tende a ficar transparente com o tempo os fundos escuros têm a vantagem de se fundirem e integrarem com o resto . Inconveniente deste método é prejudicar as sombras e os meio-tons .
As bases ou fundos claros oferecem mais vantagens mas são mais complicados para se trabalhar sobre eles . Quando trabalhavam do claro para o escuro e do opaco para o transparente usavam o glacis como filtros .Usual reforçar os contornos com sombras castanho , fluídas , com pincelada suave , e os volumes usando o claro escuro em paralelo , fundidos em húmido .
O primeiro plano com pintura espessa e rebaixada nos planos de fundo para dar sensação de maior profundidade . Para dar transparência às cores opacas diluiam estas em óleo e terebentina . Usavam o contraste das cores quentes e frias para as formas .
Fundos : os fundos são de grande importância e eram fruto de muita atenção . Uma das técnicas era usar  gesso , ocres avermelhados e castanhos escuros com espátula .
As zonas claras eram delimitadas desde o início . Espesso sobre espesso . Davam também várias capas de gesso , sombra e carvão .
Outros criavam os fundos com castanhos claros e escuros aplicados irregularmente . Era também  usual fundos rosas , esverdeados , vermelhos , escuros quentes e brancos azulados ou esverdeados .
FINALIZAÇÃO / ENVERNIZAR
Quer a pintura a óleo quer a pintura a acrílica deve ser envernizada para sua defesa e preservação . O verniz protege as obras da poeira , das impurezas e da humidade . O acrílico pode ser envernizado práticamente após ter sido finalizado . O óleo nunca antes de um ano ( depende do clima ) . Na verdade o óleo não seca , oxida .
Desde que o óleo esteja seco pode  levar uma capa de verniz de retoucher para protejer até ao envernizamento final .Este verniz permite , caso se queira retrabalhar a pintura .
O verniz final deve depender do que queremos para a pintura , pode ser brilhante , mate ou acetinado . O verniz  final pode ser  reversível ou irreversível . O reversível , como o nome indica permite retrabalhar a obra .O verniz deve ser estável,não sofrer alterações com a luz ou o escuro.O ideal é dar uma camada de brilhante sobre outra mate,equivale ao “gras sur maigre”.
Pode-se dar várias camadas de verniz e alternálas , por ex. brilhante e depois mate etc...
O verniz final deve ser dado numa sala sem poeira , sem humidade e a pintura deve ser préviamente limpa da poeira com terebentina . Quer se use o pincel ou o aérosol a tela deve estar na horizontal e começar de cima para baixo e da direita para a esquerda .
Alguns pintores , quando envernizam a pincel , aquecem a tela dos dois lados e aplicam o verniz com um pincel aquecido , macio e largo , para libertar a humidade que esteja condensada para não turvar o verniz . O recipiente do verniz deve ser pouco profundo e largo .
Existem vernizes no comércio usados na pintura , em substituição do óleo e da terebentina . Muitos pintores preferem esta técnica . Para este fim existem vernizes magros e oleosos , os primeiros à base de essências e de resinas suaves ou semi-duras    ( goma Dammar , copal de Angola , mastic) ; os segundos à base de óleos polimerisados e de resinas duras . Existem ainda os mistos , compostos por óleo e essências .
Para utilisar o verniz deve-se conhecer bem o produto , a sua consistência , as propriedades e tempo de secagem ( vai dos 30 m a 24 h ) . Estes vernizes vão agir como sicativos acelerando o tempo de secagem , pelo que todo o cuidado é pouco . Respeitar aqui a regra do gras sur maigre nunca utilizando um magro sobre um oleoso .
Os vernizes existem também em aérosol .
O âmbar amarelo líquido é considerado o melhor dos vernizes mas é muito caro . A Blockx comercializa este produto que serve tanto para pintar como envernizar . Caso a tela tenha sido pintada com âmbar não necessita de verniz final . Para pintar diluir uma gota de âmbar em cinco de óleo de linho para a primeira passagem e aumentando progressivamente o âmbar nas seguintes .                                                    NOTAS
Os tubos de pintura contêm já óleo de cravo , de papoila  ou linho pelo que não se deve utilizar em grandes quantidades o óleo de linho ( o mais usual ) , para não prolongar o tempo de secagem .
Há quem coloque o óleo saído do tubo sobre papel ou outro suporte absorvente para assim retirar o excesso de óleo .
Para reduzir o tempo de secagem usa-se a terebentina rectificada ou um médio secativo, por exemplo  o de Harlem ou o flamengo . Outros utilizam um verniz líquido                                                         SOLVENTES
Os solventes podem ser vegetais ou minerais . A terebentina extraída dos pinheiros marítimos é o solvente mais utilizado . Para pintar usar só a rectificada , a normal serve para limpar os pincéis mas atenção à qualidade desta para não os danificar .
A terebentina deve ser guardada em frascos ou recipientes herméticos à luz e ao ar e devem estar sempre cheios ( utilizar berlindes , por ex. ) .
O white sprit é um solvente mineral , não tão bom para pintar como a terebentina mas excelente para limpar os pincéis .
A essência d’aspic dá um tom mate às cores mas se conserva melhor do que a terebentina .
A essência de lavanda  é pouco volátil e é apreciada na execução final .
A essência de petróleo ( mineral ) torna as cores mate . O petróleo normal limpa bem os pincéis e é barato . As essências diluem bem a pasta para empastar .
MÉDIOS
Os médiums ou diluentes são geralmente óleos que favorecem a coesão e a homonegeidade das cores  assim que a sua adesão à tela . Os médios permitem modificar as propriedades das cores saídas do tubo , a sua consistência , brilho , textura e tempo de secagem .
Os médios podem ser magros ou gordos (oleosos).Os primeiros são mais apropriados para misturar com as cores na paleta.Elaborados à base de resinas moles,tipo Dammar, impedem os “embu”.Exs.: Vibert de L&B,Painting Medium da Talens,Médium à Peindre da Blockx etc...Podem ser alongados com terebentina,petróleo,cravo etc...
Os gordos constituídos à base de resinas duras e Copal devem ser misturados às tintas com moderação.Avivam as cores e as protegem bem,com durabilidade.Podem ser diluídos com terebentina e linho.
Nada impede de aplicar directamente a tinta do tubo mas se tal não oferece dificuldade com a espátula torna-se mais difícil com o pincel .
LINHO : é o óleo vegetal mais utilizado , seca bem sem perigo de estalar , dá fluidez e brilho às cores , mistura-as bem e junto com a terebentina dá um excelente médium . Único senão é que amarela com o tempo .Usar o rectificado ou refinado que amarela menos . O Standolie ou óleo holandês é um linho polimerisado ,usado em partes iguais com terebentina dá bons clacis .O óleo de linho cozido dá uma pasta rica e transparente, luminosa , boa para as velaturas ; seca lentamente pelo que se pode juntar um pouco de sicativo . O linho negro ajuda a secagem em profundidade sem risco de estalar . Van Dyck utilizava para as velaturas 50% de óleo negro e 50% de verniz cristal de mastic  puro que dá um aspecto profundo e transparente , seca rápido de forma homogénea protegendo bem as cores . Óptimo para trabalhos que exijam finura , delicadeza e detalhe . A firma L&B comercializa estes produtos .
CRAVO : é um excelente médio que práticamente não amarela mas leva mais tempo a secar . Excelente para usar com cores claras . Bom para pintar a fresco , alla prima . Menos  oleoso que o linho .
CÁRTAMO : as mesmas características e qualidades do cravo .
NOZ : não amarela mas de secagem lenta . Cria ranço .
PAPOILA : seca lentamente .
Existem muitos médios no mercado para os mais diversos fins . Alguns ex. :
Empastar – o gel oleopasto , os médios para empastar da Talens ,W & N , Maimeri , Pébéo e outros ;
Retocar – as principais marcas comercializam este médio à retoucher . É usado quando a pintura está manchada/enlameada , serve para aplicar só sobre essa parte quando seca e raspada , afim de eliminar essas deficiências geralmente resultantes do não respeito do gras sur maigre,depois pode-se retocar a pintura.Serve para envernizar  provisóriamente uma pintura antes de se poder dar o verniz final ;
Flamengo – acentua o brilho e a transparência , acelera o tempo de secagem ;
Veneziano – bom para as pastas consistentes e mates ;
A regra de utilização adequada dos médios é o tempo , a experiência e o tipo de pintura que se faz que a vai formulando .
A título indicativo recomenda-se para a primeira demão  2/3 de óleo e 1/3 de solvente .
A finalizar 4/5 de óleo e 1/5 de solvente . Tudo depende das demãos que se pretendem dar pois o gras sur maigre impõe que de demão para demão suba gradualmente a percentagem de óleo .
Se se pretende dar à pintura um tom óleoso a primeira demão de 50%/50% , a segunda de ¾ óleo e ¼ solvente .                                                                         
Na primeira passagem a maioria utiliza só a terebentina , na segunda cinco partes de terebentina e uma de médio e para as seguintes cada vez mais médio e menos terebentina . A passagem final sem terebentina .  
Para diminuir o tempo de secagem usam-se secantes mas é perigoso empregar
demasiado secante , a pintura pode vir a estalar .                                       
Dalí empregava um médio composto por uma parte de verniz copal e cinco de terebentina bi-rectificada .
CARGAS : matérias que adicionadas às cores modificam as texturas.Existe uma vasta gama de productos ; brancos de “meudon”, de Espanha ou de Troyes são cargas leves, assim como alguns gel.Existem cargas duras ; pó de mármore,areia,serradura etc...
As duras devem ser préviamente misturadas com branco de zinco e só depois misturar a cor.Às cargas leves basta juntar préviamente um pouco de gel de empastar.
PINTURA EM MADEIRA
A madeira deve ser preparada dos dois lados para não arquear e ficar direita . O gesso acrílico e o caparol ( uma resina vínilica ) , são os materiais mais usados na preparaçao das madeiras e contraplacados . A madeira deve ser bem lixada ( lixa 0 ) , antes de aplicar o gesso ou o caparol . Usa-se também depois de lixada um enduit de lissage antes do caparol ou do gesso .
Os antigos davam várias capas de gesso (oito e mais ) e depois lixavam para alisar .Essa espessura permitia gravar o desenho no gesso com uma ponta metálica . A cor colocada em cima dava a sensação de relevo , por ex. para as jóias e pregas .
Sobre o gesso por vezes ainda deitavam seis capas de tinta para o fundo. Era vulgar após o desenho sobre o gesso dar uma capa de óleo para saturar . A madeira era sempre preparada e pintada com o grão na vertical .
A madeira mais usada era a de carvalho.Hoje o contraplacado com um mínimo de 6 mm
é um excelente material para se pintar, pouco sensível à humidade.

sábado, 13 de julho de 2013

DEMOCRACIA TUTELADA


PINTURA A ÓLEO


PINTURA A ÓLEO
A pintura a óleo nasceu na Flandres no século XV e tudo indica ter sido Jan Van Eyck o primeiro a utilizar o óleo de linho e o óleo de nozes para dissolver os pigmentos . Esta descoberta iria revolucionar toda a pintura até aos nossos dias . A nova técnica foi guardada em segredo e espalhou-se lentamente por toda a Europa , de tal forma que foram necessários mais de quarenta anos para Antonello da Messina a introduzir em Veneza .
O quadro reproduzido acima é considerado o primeiro quadro pintado a óleo, em 1434, do casal  Arnolfini, mercadores venezianos. Por isso toda a pintura anterior a esta data não é a óleo, é a tempera e outras técnicas. A existência da nova técnica provocou uma autêntica guerra entre os pintores flamengos que conservavam o segredo e os italianos, chegando a haver espionagem, assaltos e mortes para se obter o segredo. Consta que foi um auxiliar de Jan Van Eyck que terá ensinado a Antonello da Messina  a nova técnica.
Jan Van Eyck que estava ao serviço do Duque de Borgonha veio a Portugal para pintar o retrato da Infanta Dª. Isabel, prometida do Duque, mas que aproveitou a situação para copiar cartas náuticas portuguesas secretas que transportou para Bruges.
A revolução industrial do século  XIX ao inventar o óleo em tubo permitiu a pintura fora do atelier  e, progressivamente, veio a liquidar os ateliers tradicioinais dos grandes mestres  e com eles a perda das receitas da fabricação tradicional das cores . Igualmente se perdeu uma aprendizagem lenta mas sólida da profissão que as escolas não substituiram . A pintura e o pintor tornan-se individualistas, as melhorias e as inovações técnicas e científicas  das cores fabricadas pela indústria assim como uma gama cada vez maior de cores e de médiuns no mercado permite novas técnicas de pintura,  novas escolas e correntes mas o pintor perdeu o domínio dos materiais que utiliza , já não sabe como se fabricam o que por vezes causa danos ao trabalho com  consequências desastrosas nas obras pouco tempo depois de pintadas .
TELAS






Com as telas passou-se o mesmo fenómeno – compram-se hoje no mercado já prontas ,
montadas em châssis e untadas ( preparação gordurosa para o linho e magra ou universal para todo o tipo de utilização ).
Existem telas de linho, algodão ,  juta , polyester (sintéticas) e mistas (algodão/polyester etc.). O linho , descoberto e utilizado há 7000 anos é o material mais seguro , resistente , não deforma , quase insensível às variações higrométricas .
Conhecem-se pinturas sobre linho com 4000 anos. É com os pintores venezianos da Renascença , em particular Ticiano , que a tela deixa de ser marginal .
As telas de polyester tecido são igualmente um excelente material equivalente ao linho.
A tela não deve apresentar defeitos , nós , deve ser uniforme  e os fios da trama estarem bem direitos . As telas devem ter 2 a 4 camadas finas de preferência a uma espessa .
As telas ditas universais estão untadas de forma a receber qualquer tipo de pintura excepto aguarela .
Apesar de virem já preparadas é conveniente usar gesso acrílico ou caparol antes de colocar o óleo do tubo , ou limpar com terebentina para impedir que a gordura do reboco viole a regra do gras sur maigre .
As telas podem ser de grão fino , médio ou grosso conforme o tipo de tecelagem . Existem em formato standard que vão do 0 ao 120 e em três tipos : retrato/F , paisagem/P e marinha/M .
Antes da tela pintava-se essencialmente sobre madeira de carvalho , álamo/choupo ou acaju .
Hoje o contraplacado é um excelente material para se pintar tendo no mínimo 6 mms de espessura e deve ser rebocado dos dois lados para não se deformar.
PREPARAÇÃO DAS TELAS
Cada um prepara as telas à sua maneira , não há regra fixa . Pode-se começar por dar uma lixadela ou uma camada  fina de gesso ou caparol e depois lixar e dar uma camada de gesso mais espessa , ou ainda nas telas para óleo primeiro limpar com terebentina e depois dar gesso etc ...O objectivo é garantir uma boa base , o menos porosa e absorvente possível que permita longevidade à pintura . O gesso é absorvente  pelo que pode absorver directamente o óleo da primeira camada para o fundo e vir a provocar o estalar da pintura.                                                                                                    
INICIAR A TELA
Após a preparação da tela  esboçar ou desenhar o tema a pintar . O desenho é uma imagem sem cor . A linha não existe na natureza . O desenho e a pintura são linguagens só compreensíveis pelo homem .
Tudo na natureza se pode resumir em formas geométricas .
O grego Zêuxis tinha por ideal  pintar uvas tão reais que os pássaros viessem debicálas.                                                                                         O método mais clássico consiste no uso do carvão e limpar com um trapo limpo para tirar o excesso de carvão e depois passar o desenho com óleo bem diluído em terebentina . Uma alternativa é usar acrílico em vez do óleo na passagem do desenho a limpo .
Para desenhar ou fazer a esquadria quando a mesma se revela necessária para além do carvão usa-se a sanguínea ou o giz quando o fundo é de cor . Nunca usar o lápis pois o chumbo do mesmo é difícil de fazer desaparecer e tem a tendência de ser visível sob o óleo ou o acrílico , mais no primeiro que fica transparente com o tempo.
Para desfazer e limpar o desenho a borracha aconselhada é a de “miga de pão”.
Há pintores que usam o lápis aguarela para desenhar e depois passam acrílico sobre o desenho . Outra forma de trabalhar é depois de feito o desenho e de se ter o mesmo passado a limpo dar uma camada de acrílico branco ou caparol sobre a tela ,desde que não se tenha  feito o realce com óleo diluído em terebentina (regra do gras sur maigre) . Este método tem a vantagem de limpar bem a tela sem perder o desenho que fica bem visível sob a transparência do acrílico branco ou do caparol ou mesmo do gesso .
Pode-se depois passar de novo o desenho sobre esta capa , o que no caso do retrato ou outra pintura que exija grande precisão pode ser recomendável .
Algumas observações : seja qual for o tema a desenhar deve haver alguns cuidados no seu enquadramento . Deve ter espaço e respirar . Escolher um ponto de observação e mantermo-nos nele  pois no raio visual  tudo é mais vivo e esbate-se quanto mais se fasta  ( saber conduzir o olhar ) . Considerar os pontos de fuga , as linhas de fuga e a perspectiva . A secção áurea (0.618 ). A composição ( L, triângulo, etc.). Os diversos planos e a linha de horizonte (3/4 ou ¼ ) . Anotar desde o princípio os pontos de luz e sombra . Procurar o equilíbrio das massas . Escolher se a tela deve ser pintada horizontal ou vertical . Vertical dá energia e força, caso dos retratos.. Horizontal calma e profundidade, por exemplo nas paisagens. O tamanho da tela deve ser adequado ao tema. Mas, como tudo na vida, as regras não
 são leis imutáveis, e sem as transgredir não se evolui.
Exemplos de como dividir a tela com o nº d´oiro








                                                                                               TÉCNICAS/MÉTODOS
A(s)  primeira(s) demão , o manchar a cor , deve ser com o óleo diluído em terebentina e a(s) seguinte(s) gradualmente mais rica(s) em óleo (gras sur maigre). Quanto mais fluída é a tinta melhor se aplica .
Cada camada de óleo tem de secar bem antes de levar nova camada de pintura e é por isso que a pintura a óleo é lenta . A excepção é quando se pinta  alla prima pois o óleo quando fesco aceita sem problemas nova camada que se mistura com a anterior mas, mesmo neste caso , respeitar sempre o gras sur maigre .
Primeiro molhar o pincel no médio , depois na terebentina e então recolher a cor e pincelar a tela . Pode-se aplicar a cor e misturar directamente na tela ou prepará-la préviamente na paleta .
Os pincéis devem ser utilizados de acordo com a superfície a desenhar ou pintar . Utilizar pincéis próprios para óleo ou acrílico .
Hoje muitos pintores para evitar a espera da secagem do óleo começam com acrílico e continuam com este e os acabamentos são feitos a óleo . É uma técnica segura , mais rápida e respeita inteiramente o gras sur maigre . Os alkydes e os vinyl são técnicas novas que secam mais rápido que o óleo mas não tão depressa como o acrílico .  São técnicas autónomas que se regem pelos mesmos princípios do óleo , podem ser feitos quadros inteiramente com elas ou dar as primeiras camadas e depois terminar a óleo uma vez que secam mais depressa que este . São também compatíveis com o acrílico .
Desde o princípio , desde as primeiras pinceladas , qualquer que seja a técnica , dar as formas , o volume e as sombras. As pinceladas devem ser direccionadas para modular as formas ,constructivas .
Escolher a direcção da luz , a paleta de cores (quente ou fria ) , a harmonia das cores , procurar dar a atmosfera ao quadro {manhã , tarde , luz adequada ao tema (cromatismo)etc...)] . A gravidade (peso das cores),o equilíbrio das massas e das cores. Respeitar os planos tendo em conta que o primeiro plano é sempre mais nítido e preciso que o segundo e este mais que o terceiro e assim sucessivamente . Não esquecer que o ar é um filtro e azula com a distância .
É importante não começar a pintura sem ter uma ideia o mais precisa possível do que se vai fazer . É sempre útil ter um esboço com as cores pretendidas , para orientação . Não confiar na intuição ou na inspiração , nada nasce ao acaso . O resultado final é sempre diferente do esboço , um quadro  é uma construção mas precisa de uma bússola .
A  pintura é imóvel mas deve ter dinamismo e sensação de acção .
Nas passagens , transição , evitar contornos duros ou demasiado esbatidos que apagam os contornos . Nunca prolongar a cor para além do contorno .
A linha de horizonte é um aspecto importante a ter em conta , por ex. na paisagem . Se está alta o céu é pequeno , se está baixa o céu tem muita força , depende da intenção que se quer dar ao quadro . Se existem figuras humanas os olhos devem ficar ao nível da linha do horizonte , excepto quando a perspectiva é aérea mas mesmo neste caso depende da perspectiva dada .
Na pintura oriental procura-se o eterno , na ocidental o momento .
No próxima nota a publicar vamos falar de algumas técnicas de pintura.