segunda-feira, 26 de agosto de 2013

OS PROPRIETÁRIOS


OS PROPRIETÁRIOS
A denúncia da Almargem ilustra bem a situação que vivemos no Algarve e não só. Mais uma vez é uma organização ambientalista que vem denunciar publicamente uma nova negociata em curso à custa do nosso património ambiental, com o consentimento de quem deveria zelar pela defesa dos nossos bens e património, como por exemplo a Região Hidrográfica. Em terrenos da Reserva Ecológica Nacional (REN) e da Rede Natura 2000, 70 hectares estão nas mãos de uma empresa turística finlandesa que aqui pretende plantar um olival “biológico”, mas não satisfeitos com isto ainda ocuparam ilegalmente dezenas de hectares de 80 agricultores.
Estamos em campanha eleitoral, mas não se ouviram os partidos levantar a voz contra isto, nem as autarquias ou a AMAL?
Hoje encontramo-nos numa situação estranha. O Reino do Algarve desde o Tratado de Badajoz de 1267, há 746 anos, ficou definitivamente incorporado no Reino de Portugal e, desde então, a serra, o barrocal e o litoral foram nossos, e se os administramos mal foi e é um problema também nosso. Mas começamos a ter de viver num local deixado pelos nossos antepassados mas propriedade de outros, já não podemos andar por onde queremos. Aqui nascemos, agora trabalhando muitas vezes para estrangeiros, tendo de emigrar em grande número para sobreviver, pagando o que consumimos a chineses, angolanos, alemães, ingleses etc. Somos hóspedes na nossa própria casa. Ainda há dias um presidente (como diria o Octávio Machado, sabem de quem estou a falar! não sabem?), em mais uma das suas “promessas” acenava com um investimento americano na Ponta da Areia. É o mercado, dizem. Precisamos de investimentos estrangeiros para desenvolver o país. Mas para investir exigem que nos paguem menos pelo mesmo trabalho, que a educação já não possa ser universal assim como a saúde, que cortem no orçamento do Estado as verbas destinadas às funções sociais para que o excedente vá parar às suas mãos transformado em lucro que, por sua vez, sairá do país.
Contam com os cúmplices portugueses desta vilania, desde os postos mais importantes a nível governativo e do aparelho do estado até a sabujos presidentes de junta. É um facto. No dia 29 de Setembro vamos eleger certamente muitos desses cúmplices que mal se apanharem no poleiro se transformam em proprietários do concelho, não para trabalhar em favor dos cidadãos que os elegeram, mas para se apoderarem do património concelhio para o venderem a retalho a interesses especulativos nacionais ou estrangeiros, desviando as verbas dos nossos impostos para bolsos de amigalhaços políticos e partidários, endividando as câmaras sem qualquer pejo, ameaçando e perseguindo quem se lhes opuser, ignorando as mais elementares regras democráticas, usando meios camarários em seu benefício pessoal, comprando o silêncio da imprensa com os “subsídios e publicidade da traição”, corrompendo através de esmolas disfarçadas de apoios sociais. A regra é tudo a favor do privado e destruição de tudo o que é público.


terça-feira, 6 de agosto de 2013

ÓLEO a ÁGUA


ÓLEO A ÁGUA


O óleo a água aparece na Noruega, pela marca Munch, nos princípios dos anos 70 mas a sua divulgação a sério só começa nos anos 90. A sua principal característica é a de ser um óleo ecológico composto de óleos de origem vegetal que não têm água .
Foi concebido para responder ao facto de muitos pintores não quererem abandonar a pintura a óleo por não se adaptarem ou não gostarem das outras técnicas mas não poderem continuar a pintar a óleo por causa das alergias causadas pelos solventes, a terebintina, por certos médios etc...
Ao mesmo tempo procurou resolver o velho problema do tempo de secagem . Este óleo paradoxalmente é diluído a água, seca bem e muito mais rapidamente que o óleo tradicional, e os pincéis e espátulas limpam-se com água e sabão .
O tempo de secagem anda pelas duas horas, dependendo da temperatura ambiente. Por precaução deve-se dar mais tempo para garantir uma boa secagem antes de pintar por cima .
As características da pasta não são diferentes do óleo, permitem várias camadas respeitando a regra do gras sur maigre mas, desta vez, o diluente é a água . Mais água ao princípio e menos no fim ou nenhuma no final , de forma decrescente. Assim tanto podem ser aplicados a seco como dissolvidos em água .
Quanto à maneira de trabalhar aconselha-se aplicar em camadas finas enquanto húmido. Após secar é um óleo normal. É compatível com os outros óleos e pode-se pintar sobre acrílico e viníl . Pode ser usado como fundo para o óleo normal.
Quando misturado com os outros óleos primeiro misturar na paleta e só depois juntar a água. Nestas misturas os óleos normais não devem exceder os 20% a 25% da mistura. Adere bem aos suportes, cobre bem e permite as veladuras. Como seca com rapidez deve-se deixar secar e só depois proceder aos acabamentos finos, sombras etc ... Os pincéis são os normais mas de preferência utilizar os que oferecem uma certa firmeza e suavidade simultâneamente .

Existem médios próprios para esta técnica, da Munch e a W&N criou a série Artisan para este fim. Aceita sem problemas os médios da pintura a óleo tradicional. A Talens também já comercializa este óleo cada vez mais apreciado e utilizado . Após terminado nada o distingue de uma outra pintura a óleo .

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

OS ALKYDES

ALKYDES & VINÍLICAS

A pintura alkyde é uma técnica recente, fruto dos progressos realizados pela química moderna, é uma composição à base de álcool e ácidos, resinosa, originando uma matéria brilhante e aveludada que seca com rapidez, muito mais que o óleo e menos do que o acrílico. Em geral leva algumas horas para secar (4 a 6), e a qualidade de acabamento é semelhante à do óleo.
Esta característica permite trabalhar o alkyde como o óleo frais sur frais, o que é importante para o trabalho de fusão, nos acabamentos, nos trabalhos de precisão etc... Uma vez o trabalho terminado seca totalmente entre 18h a 24h, dependendo da espessura das camadas e da temperatura ambiente. Tal permite aplicar o verniz de retoque um ou dois dias após a secagem e o verniz final um a dois meses após a finalização.
Esta técnica possibilita também, caso se queira, repintar o quadro desde que seco.
O alkyde responde assim à necessidade de se pintar mais depressa sem perder a qualidade e as características da pintura a óleo.
Não mais problema com sicativos e os conhecimentos necessários para bem os utilizar. O alkyde tanto pode ser aplicado como uma técnica autónoma como se pode misturar sem problemas cores alkydes com as cores a óleo diminuindo o tempo de secagem destas. O alkyde é, em geral, mais barato de que o óleo.
Para além dos suportes tradicionais para a pintura a óleo o alkyde pode ser aplicado sobre o metal ou sobre gesso ou estuque, desde que estes suportes estejam desengordurados e possuam alguma rugosidade.
Em relação aos médios o alkyde aceita sem problemas os médios do óleo embora existam médios próprios como o Liquin, líquido, que torna a pasta mais fluída, o Wingel gel, que torna a pasta mais untuosa e o Oleopasto, gel espesso para encorpar.
Tal como no óleo o gras sur maigre tem de ser respeitado para secar bem e evitar estalar.
Os pincéis para o óleo servem perfeitamente para a pintura alkyde.

O VÍNIL pareceu pela primeira vez em 1955, em França. É uma técnica que usa a água como solvente, resistente, mate, seca rapidamente mas menos do que o acrílico, com bom poder de cobertura. É muito apreciada pelos decoradores, maquetistas, ilustradores e restauradores e cada vez mais utilizada na pintura artística. Uma vez seca possibilita novas camadas sem risco de perder qualidade. Permite as veladuras e o aerógrafo.
É uma técnica autónoma e não permite misturas com o acrílico, com menos poder de cobertura e mais transparente. Pode ser aplicada sobre qualquer suporte, inclusos o barro e o tecido. É um material relativamente caro.
Existe uma gama larga de cores, algumas florescentes. Pode ser utilizado na preparação de fundos para a pintura a óleo.



terça-feira, 23 de julho de 2013

ACRÍLICO


ACRÍLICO

O acrílico é uma resina polimerisada derivada do petróleo e dos seus derivados . Foi descoberta em 1930 nos EUA e começou a ser usado na pintura de edifícios . Só a partir dos anos 50 nos EUA foi pouco a pouco ganhando o interesse para a pintura de cavalete , e em 62 pintores franceses começaram a utilizar este novo produto . Rapidamente se espalhou o seu uso e o acrílico para a pintura de arte se foi aperfeiçoando , existindo hoje uma vasta gama de marcas , cores , médios , pincéis , telas etc... exclusivos para a pintura acrílica .
O acrílico é uma matéria polivalente , tem um aspecto seco , sedoso e de um brilhante profundo e pode ser aplicado sobre quase todos os suportes – tela , madeira , contraplacado , cartão , papel , vidro , metal , plástico , cimento etc ... Convém no entanto preparar os suportes com gesso ou caparol como no óleo pois um suporte bem preparado é fundamental para uma boa pintura . Caso se pinte muito diluído deve o suporte ter alguma rugosidade , não ser muito liso . Suportes oleosos ou gordurosos devem ser evitados .
A resina acrílica é uma matéria plástica sintética resistente , estável e menos sensível à luz que as resinas naturais . Fácil de pintar e misturar seca rapidamente em poucos minutos o que torna a técnica complicada de dominar . O único diluente do acrílico é a água e , uma vez seco é resistente , fácil de limpar e dispensa mesmo o verniz . Aconselha-se mesmo assim o envernizar final com os vernizes próprios para o acrílico . Ao contrário do óleo pode ser envernizado logo que seco mas , por precaução , deve-se deixar passar pelo menos algumas horas .
O acrílico tanto pode ser usado tão líquido como a aguarela sobre papel aguarela como muito espesso à brocha ou à espátula sobre suportes proibidos ao óleo , tudo depende da quantidade de água utilizada . Tanto se pode diluir como utilizar como sai do tubo ou juntar médios para empastar .
O acrílico como seca rapidamente permite continuar a pintura com novas capas no imediato , tantas quantas se desejar e forem aconselháveis para o suporte . As veladuras não oferecem dificuldade , é uma questão de mais ou menos água . Ao contrário do óleo podem-se alternar capas finas e espessas sem problemas .
Um material indispensável para a pintura acrílica é um borrifador para manter húmida quer a tinta saída do tubo e posta na paleta quer a própria tinta aplicada no suporte caso seja necessário . A rapidez de secagem  exige rapidez de execução , pintar com rapidez é o segredo e , como na aguarela , não permite arrependimentos . Mas , o que não é possível na aguarela , uma vez seca pode-se repintar .
A técnica de pintar não é diferente da do óleo assim como tudo o que é relativo à teoria das cores , composição , etc..
O acrílico é um excelente produto para as técnicas mistas , com o óleo , com o pastel , com vinílicas , com a aguarela .
A grande vantagem do acrílico sobre o óleo é a sua solidez , a garantia que não estala ou racha , a capacidade de suportar diferenças de temperatura sem problemas , insensível à humidade , fácil de transportar . O óleo no entanto permite acabamentos e "nuances" difíceis de obter com o acrílico .

TINTAS
As tintas acrílicas existem em tubos , potes e frascos de vidro ou plástico em diversos tamanhos de acordo comas superfícies que se pretendem pintar . O tubo contém  acrílico em pasta parecido à consistência do óleo ; nos potes e frascos o conteúdo é mais cremoso , bom para as misturas e para grandes superfícies . A dos frascos diluem-se muito bem na água e facilitam a pintura em aerógrafo . Em geral o acrílico é mais caro do que o óleo . Em relação à qualidade temos os extra-finos , os finos e os de estudo .  A gama de cores comercializada é hoje muito extensa e variada , para além das cores normais existem os acrílicos de cores metálicas que permitem obter tons metal , os fluorescentes e os iridescentes ou de pérola .

MÉDIOS
A gama de médios é muito vasta e estão sempre a aparecer novos produtos que se misturam bem , não alteram as cores , criam condições para novas técnicas e utilizações quer nas texturas , na obtenção de relevos etc... Os médios são brilhantes e mates e em geral aplicam-se misturando 20% de médio e 80% de acrílico . Alguns exs :
Retardadores – retardam o tempo de secagem permitindo mais tempo para executar a pintura ;
Estruturantes – servem para adensar a pasta e podem ser misturados em proporções até 50% sem alterar a cor , dando maior volume à pasta ;
Veladuras – a pasta torna-se  mais fluída e transparente , são adesivos bons para colagens ;
Modeling past – médios que de grande poder adesivo que dão pinturas em relevo , permitem as colagens e a mistura de areias , serradura , pó de mármore etc ... para se obter efeitos de matéria , chamados morteiros ;
Fluorescentes e iridescentes – produzem efeitos especiais quando misturados à pasta ;
Gesso acrílico – bom para preparar os suportes e também para misturar com a cor para a encorpar . Existem em branco , negro ou coloridos ;
Verniz – brilhantes , mate e anti-UV . Servem para proteger a pintura e aplicados em camadas finas realçam as cores ternas , dão um ar acetinado à pintura . O anti-UV filtram os raios ultra-violeta reforçando a solidez das cores o que é bom para pinturas que fiquem muito expostas à luz ou de exterior .

PINCÉIS

O acrílico aceita todo o tipo de pincéis mas é preferível usar os próprios para o acrílico . A resina do acrílico estraga mais o pincel que o óleo , este conserva melhor os pelos . Os sintéticos e as sedas são os mais usados por serem firmes , resistentes e elásticos .
Quando se trabalha com o acrílico tipo aguarela ou em pormenores ou acabamentos finos os suaves de marta  ou afins são os mais indicados. Como o acrílico seca com grande rapidez  é necessário sempre que não se esteja a usar o pincel mergulhar o mesmo em água mas sem que o pelo toque o fundo . O melhor é ter um recipiente com bastante água à mão para dar uma lavadela ao pincel mal se deixe de usar .
No final devem ser lavados com água morna e sabão de marselha , e postos a secar com os pelos para o alto . Caso por descuido tenham secado ou as virolas estejam com tinta seca deve-se limpar com álcool .



sexta-feira, 19 de julho de 2013

AGUARELAS

                                                                                            


AGUARELA

A aguarela foi uma técnica utilizada na Idade Média nas iluminuras dos manuscritos (juntamente com o ovo),que cai em desuso com o aparecimento do óleo,reaparece na Renascença(Durer, Pisanello,Holbein e outros ), mas são os paisagistas ingleses do século XVIII que irão popularizar esta técnica – Tuner e Cotman designadamente , na forma como hoje ainda a praticamos . Conhecem-se aguarelas egípcias do II séc. AC ilustrando os livros sagrados .
O seu nome vem do italiano aquarello , que significa cor diluída em água .
Os pigmentos são aglutinados pela goma arábica à base de resina de acácia ou eucalipto,
de mel , de glicose ou de glicerina ( as de menor qualidade ) .
É uma técnica difícil de dominar , não permite o erro , exige precisão do gesto e da pincelada , rapidez de execução , paciência e conhecimentos . Ao contrário do óleo e outras técnicas  na aguarela o desenho adquire grande importância .O dissolvente é a água e a aguarela fascina pela sua transparência , frescura , intensidade das cores , o jogo de matizes e súbtis e finas graduações de cores. Não há branco , o branco do papel seu suporte ideal e quase exclusivo é o branco da aguarela . É este branco que transparece debaixo das cores que dá a luminosidade tão específica da aguarela .A evolução industrial e técnica  da química veio pouco a pouco substituindo os pigmentos de origem vegetal , animal ou mineral por pigmentos sintéticos , alargando a gama de cores , a permanência e a estabilidade das mesmas .

AS CORES
Existem várias e boas marcas no mercado . Independente da marca as aguarelas ditas artistas e as extra-finas são as de melhor qualidade , existindo também as finas e as de estudo . As aguarelas são apresentadas em godets ou em tubos . Os godets podem ser de porcelana , metal ou plástico ( os mais baratos e de menor qualidade ) . Para manter a humidade da pasta as cores em godet vêm embaladas dentro de caixas de madeira , metal ou estojos de cartão para melhor conservação . As cores em tubo têm um maior grau de humidade e o facto de se fecharem após o uso garante melhor conservação .Nas caixas metálicas as tampas servem de paleta para misturar as cores . Pode-se comprar caixas destas vazias e colocar lá a selecção de cores que mais nos convenha .
Após usar as cores em godet é bom limpar estes com papel absorvente e fechar bem a caixa e a manter afastada de fontes de calor para não detiorar as cores .
Hoje em dia existem também aguarelas em potes e tubos, como a Karat Liqua da Staedtler , de grande qualidade , usadas mais pelos ilustradores mas que são excelentes aguarelas .
Outro material são os lápis aguarela , de várias marcas e em caixas que vão de 12 a 120 cores . Os lápis aguarela podem ser utilizados como uma técnica autónoma ou servirem para técnica mista com a aguarela .
Hoje em dia existem feltros à prova de água , tintas da china especiais e feltros aguarela usados por muitos artistas .
Em relação à teoria das cores o uso destas e as misturas são no fundamental semelhantes ao óleo . Embora não seja corrente a aguarela pode ser utilizada em técnicas mistas com as ceras , pastel a óleo e mesmo com o acrílico . A aguarela também é utilisada por alguns aguarelistas em pinturas ao aerógrafo .
A aguarela é a arte da transparência , existindo naturalmente cores mais transparentes do que outras .
Transparentes – Terra de Siena Natural , Azul Ultramar , Magenta , Áureolina ;
Opacas –Terra de Sombra Queimada , Verde Óxido de Crómio , Amarelo Nápoles , Ocre , Cerúleo ,Vermelho Cádmio , Vermelhão , Amarelo Cádmio ;
Grande poder colorante  - Terra de Siena Queimada , Alizarina , Amarelo Cádmio , Azul Phtalo ;
Pouco poder colorante – Verde Esmeralda , Terra de Sombra Natural , Ocre Amarelo .
                                                                                                                                                                                          O  SUPORTE
O suporte por excelência da aguarela é o papel especial feito expressamente para a pintura a aguarela .
Existem quatro tipos de papel – acetinado , fino , rugoso e muito rugoso ou torchão . Os acetinados e os de grão fino acentuam o brilho e a transparência mas dificulta a saturação da cor , mais difícil de trabalhar , em particular na técnica a húmido para dominar o controlo da aguarela . O rugoso permite que um picel bem embebido na cor cubra grandes superfícies e um pincel com pouca tinta , seco ou semi-seco , deixe transparecer as covas das rugosidades . O torchão não absorve totalmente a tinta , esta não vai até ao interior da folha , é absorvente só na superfície . O torchão possibilita  belas aguarelas mas é igualmente difícil de trabalhar , exige grande prática da aguarela .
Aconselha-se que o papel não seja inferior a 300 gr., pois nesse caso terá de sere fixado com fita adesiva de ph neutro , para não criar bolsas ou encarquilhar .A partir de 400gr é considerado  papel cartão e com 600 gr e mais oferece uma grande estabilidade .O papel fabrica-se a partir de tecidos de linho ( o de melhor qualidade ) , de algodão ou misto de algodão e linho .
Aparece no mercado papel de fibra de madeira e sintéticos que não são bons para a aguarela , não garentem a homonegeidade necessária a esta técnica .
O papel de aguarela pode ser feito manualmente ou em máquinas , sendo o artesanal de muito melhor qualidade .
O papel aguarela tanto se pode comprar em folhas como em blocos , existem as mais variadas dimensões . Pode-se comprar folhas grandes e cortar no tamanho que mais nos convenha .
Um aspecto importante é o de que o papel de aguarela deve ter ph neutro , isto é sem acidez , para não alterar a cor da tinta e no futuro não degradar o trabalho .

MÉDIOS
Tal como para as outras técnicas a aguarela possui vários tipos de médios . Alguns exs. :
-       goma arábica – melhora a coesão e a aderência , aumenta a transparência e a profundidade das cores . Deitar uma a duas gotas na água limpa do recipiente que serve para tirar a água para dissolver as cores (depende do tamanho do recipiente ) . Quando se fez uma grande quantidade de cor uma gota ajuda à coesão da tinta ;
-       glicerina – uma gota na cor evita as escamas , melhora a flexibilidade e a densidade ;
-       Fiel de Boeuf – facilita a aderência , designadamente no papel Tourchon ;
-       máscaras – chama-se máscara à técnica que consiste em proteger o branco do papel com um produto que impeça a tinta de manchar essa área e que , depois de seca a tinta , se possa retirar o produto deixando a descoberto o branco do papel . Os materiais mais usados são a goma de borracha , a cera branca e o pastel a óleo branco ou a glicerina que repelem a água defendendo a área que se quer proteger ;
-       granulados – existem uns produtos no mercado que dão corpo à aguarela que depois de seca fica com aspecto rugoso .Serve para muros rústicos ,terrenos etc ;
-       máscaras transparentes – produto que dado sobre o branco do papel e depois de seco permite pintar por cima dando maior transparência , ou dado sobre a tinta seca permite que a nova camada deixe ver a inferior . Serve para dar efeitos especiais , transparência a zonas de água etc ...
-       verniz – protege a aguarela que é muito sensível à luz e tem tendência a esmaecer quando exposta a luz intensa . Os puristas condenam o uso do verniz que dizem fazer perder a frescura e a espontaneidade .
-       TÉCNICAS                                                                                                          Os puristas da aguarela só aceitam a tinta , o papel e o pincel , recusam tudo o resto.A controvérsia é grande e antiga sobre esta questão , mas a verdade é a de que a aguarela como técnica difícil que é vive de muitos expedientes e truques e nada impede de inovar no bom sentido, sem desvirtuar o espírito e a essência da aguarela.
É uma questão de escolha e método pessoal .
Na aguarela pintar sempre do claro para o escuro .Escurecer só por velaturas após as outras passagens estarem bem secas . Evitar dar mais de três passagens , a aguarela perde frescura e transparência . Não esquecer que o branco do papel é que dá luminosidade às cores .
Desenhar préviamente o tema da aguarela , de forma leve a lápis ou lápis aguarela , quer antes de molhar o papel ou aplicar a cor . O desenho é um indicativo , não se deve impor à cor . Também se pode desenhar com a própria aguarela , mas neste caso a tinta deve estar bem diluída .
As técnicas de base mais comuns são quatro : pintar a seco sobre seco , húmido sobre húmido , seco sobre húmido e pincel seco .
Evitar a húmido sobre seco pois existe o perigo de manchar e alterar as cores . Na aguarela as cores a húmido têm uma intensidade maior que se atenuam quando secas. Importante experimentar a cor num papel separado antes de a aplicar para ver se o tom é o pretendido quando seca .
A aguarela vive muito do branco do papel pelo que é fundamental reservar os brancos e os brilhos desde o princípio através de máscaras . Dominar a tinta de forma a que esta não invada a zona que queremos que fica branca , caso não se recorra à máscara , exige uma técnica muito apurada e grande experiência .
Não se devem multiplicar os brancos , em princípio recomenda-se só um branco puro central ( depende do trabalho , mas muitos brancos roubam expontâneidade à aguarela ) .
Deve-se pintar com o papel ligeiramente inclinado , ajuda a dominar e a controlar o movimento da tinta . Caso se pinte com blocos o problema está resolvido . Se a folha é solta quer seja a aguarela a seco quer a húmido ( depois de a molhar ) , deve ser fixa com fita adesiva não ácida a um suporte rijo , cartão forte ou contraplacado . Isto impede a folha de inchar e deformar .
A aguarela é água , um lavis , evitar por isso encharcar o pincel e procurar estender a pintura . Caso a superfície a cobrir seja grande a tinta no pincel deve estar de acordo com a área .
Frottis – é possível com o pincel quase seco ;
Aplat – da esquerda para a direita , de cima para baixo , com muita tinta e quando chegar ao fim da folha seguir no sentido inverso (direita para a esquerda ) , invertendo sempre o movimento até cobrir a zona que se pretende absorvendo com o pincel o excesso de tinta no final ;                                                                   Velaturas – são como filtros , pedem intensificar a cor ou ter cores diferentes da inicial , por ex. um azul sobre amarelo dará um verdoso . As cores com menos poder colorante e as mais transparentes são melhores para os glacis . A Alizarina desde que bem diluída dá boas velaturas ;
Lavis – é uma técnica que consiste em realizar uma agurela sem cor . Regra geral são feitos à base de terras .  
Certos pigmentos como o cobalto , as terras , o azul ultramar , devido à sua densidade/peso anicham-se bem às concavidades do papel e produzem um efeito granuloso que se pode explorar para dar efeitos .


TRUQUES
Para absorver e criar espaços mais ou menos brancos usar papel absorvente , algodão , esponja ou um pano absorvente . Por ex. para obter efeitos de nuvens , a pressão maior ou menor retira mais ou menos tinta .
Se deitarmos sal sobre a tinta quando húmida produz manchas e efeitos . Retirar o sal quando a tinta secar .
Esponja húmida de cor sobre seco , por ex. para imitar folhagem . O secador de cabelo para acelerar a secagem da aguarela .
Pode-se dar efeitos de raios de luz com lápis branco ou giz . Lixívia diluída a 50% na água come a cor e dá brancos . Cuidado para não abrir buracos no papel .
Raiando com o cabo do pincel sobre húmido ficam traços . Por ex . para caules ,ervas , pequenos troncos .
Uma lâmina de barba , um canivete ou mesmo uma lixa abre brancos ,por ex. reflexos na água , velame ou ramos .
Uma escova de dentes para salpicar uma zona . Um vaporizador para humedecer uma zona , ou com cor para borrifar e dar efeitos de textura .
Um papel não absorvente para friccionar e obter texturas . A terebentina sobre húmido produz efeitos .
Fio ou etiqueta para marcar ou preservar uma área .
Tunner , um dos maiores aguarelistas , pintava as costas do papel em certas zonas para acentuar essas partes .

OS PINCÉIS
Os pincéis para a aguarela têm várias formas e tamanhos conforme o uso a que se destinam .Os de pelos naturais são os melhores mas existem sintéticos de boa qualidade.
As características fundamentais são a suavidade ,flexibilidade,elastecidade,a capacidade esponjosa de absorver/reter bastante tinta .
Oa de pelos de marta combinam todas estas qualidades e tanto servem para os largos aplats como para finos traços . Os petits-gris , de pelos de esquilo , são excelentes e bons para os lavis . Os de pelos de Putois igualmente bons para os lavis , usados para molhar o papel devido à boa absorção de água , para fundos e dégradés . Os pincéis de Oreille de Boeuf servem para molhar o papel , fundos e céus .
Os sintéticos gastam-se mais depressa e por isso misturam pelos naturais para melhorar a absorção de água e a resistência . Da qualidade e quantidade dos pelos misturados depende a qualidade do pincel .
Pincéis mais largos , tipo spalter , em petits-gris ou sintéticos , são usados para cobrir grandes zonas de cor .
As sedas de porco servem para misturar cores e , devido à sua rigidez , para os frottis .
Quando se pinta a aguarela devemos ter dois recipientes com água , um para ir lavando os pincéis e outro com água limpa para dissolver as cores . Alguns aguarelistas só usam um para tudo pois afirmam que a água dos pincéis ao dissolver as cores harmonizam estas enriquecendo o trabalho . Necessário lavar regularmente os pincéis com água morna e sabão , apertar e sacudir para que não percam a forma e a ponta , guardar com os pelos  voltados para cima .

Para as máscaras usar pincéis velhos ou baratos , proteger mesmo assim os pelos com sabão e lavá-los de seguida . 

quarta-feira, 17 de julho de 2013

PINCÉIS

Os pincéis  em marta são os melhores mas os de seda de porco são excelentes para a pintura a óleo .
Existem pincéis com as mais variadas formas e tamanhos , de cabo curto ou longo , adequados à pintura que se pretende ( suave sem deixar traço ou deixar bem vincada a marca do pincel ) , assim como às várias técnicas – óleo , acrílico , aguarela , guache , decoração etc ...

 Marta Kolinsky bons para aguarela e óleo , resistentes ao uso , precisos e elásticos;

Putois – bons para brochas de pelo curto , absorvem bem a água , boa resistência ;

Petit-gris – bons para aguarela , absorvem bastante água , menos robustos e elásticos do que a marta ;

Oreille de boeuf – resistentes e maleáveis , adaptam-se a várias técnicas ;

Cabra – baratos mas de fraca qualidade ,são suaves e finos , bons para envernizar ;

Mangouste – pelo fino e duro , bom para brochas curtas para óleo ,

Blaireau – bom para brochas para glacis e pincéis de leque ;

Seda de porco – resistentes , bons para óleo , acrílico e empastar ;

Sintéticos – resistentes , lavam-se bem e bons para a o acrílico e aguarela , maleáveis , robustos e elásticos .

Existem ainda pincéis fabricados com mistura de pelos naturais e sintéticos , alguns de muito boa qualidade quer para óleo quer para acrílico.  

Conservar os pincéis em bom estado é fundamental pois são a ferramenta por excelência da pintura .
Quando se utilizam com secativos , vernizes , diluentes ou produtos similares devem ser lavados imediatamente .
Com os acrílicos ou vinílicos mal se acabe de pintar deve-se imediatamente passar o pincel por água limpa . Caso se pretenda continuar a pintar com o mesmo pincel pouco tempo depois deixá-lo mergulhado em água mas sem que os pelos toquem o fundo para não perderem a forma . Após o uso devem ser lavados com água morna e sabão , sacudir e secar com um pano ou papel absorvente evitando puxar pelo pelo . O melhor sabão para lavar os pincéis seja qual for a técnica utilizada é osabão de marselha. Existem produtos próprios para a lavagem dos pincéis .
Caso por descuido o pincel seca com acrílico tentar recuperar limpando com acetona ou álcool .
Quando se utiliza o óleo ou os alkydes  após o uso deve ser retirado o excesso de tinta com papel de jornal ou papel absorvente , sem puxar os pelos e tendo o cuidado de não deixar tinta acumulada na virola , depois limpar bem com petróleo ou white sprit , sacudir e linpar com panos ou papel absorvente.
Regularmente lavá-los com água morna e sabão . Todos os pincéis após serem limpos devem ser guardados com os pelos voltados para cima , ajuda a conservação e a não perder a forma .
Quando não se utilizam por um período prolongado devem ser untados com vaselina para impedir que criem bicho e para manter a forma . Há quem utilize a fita gomada  para este fim .
A técica para lavar os pincéis é a de fazêlos girar na palma da mão quando são redondos e dar um movimento de vai-e-vem quando são chatos .
Os pincéis de aguarela devem ser lavados em água fria para a goma não estragar os pelos .

Existem também vários tipos de pincéis , spalters e brochas para truques , efeitos especiais etc...Agora encontramos no mercado em borracha ,espuma e outros materiais .