sexta-feira, 2 de maio de 2014

VIVA O 1º DE MAIO !


Fotos do 1º de Maio de 1974 em VRSA

Em 1974 comemorou-se o 1º de Maio em VRSA, hoje nada. Muito comércio aberto, muita gente na praia. Hoje, 1º de Maio, reuniu-se o governo com a Troyka. Ontem, véspera do 1º de Maio o governo PPD/CDS, avançou com mais um pacote de impostos e a punição do provisório em definitivo. SERIA INGENUIDADE PARA NÃO PERCEBER A PROVOCAÇÃO, INTENCIONAL NESTA DATA, E CLARA, O GOVERNO ESTÁ AO SERVIÇO DOS MERCADOS E NÃO DOS TRABALHADORES E DO POVO PORTUGUÊS, TOMEM LÁ MAIS ESTE MERECIDO CASTIGO E AMOCHEM, QUEM MANDA SOMOS NÓS, QUE FIQUE CLARO.
Foi o POVO que ao sair à rua por todo o país, em 1974, ajudou o MFA a consolidar a vitória, e a construir uma democracia avançada para o tempo.
Hoje, ao não saírem à rua nem comemorarem o 1º de Maio ajudam a perpetuar um governo injusto e reaccionário, a consentirem que lhes mintam e os sobrecarreguem com impostos e atirem para o desemprego, a emigração e a miséria milhões de portugueses. Quem não se mexe acaba sempre por ser atropelado. E, quando forem votar no fim do mês, não se esqueçam de votar nos mesmos de sempre e depois, quando lhes caírem em cima mais impostos ou cortes nas pensões não venham com a cantiga que não votaram neles.
Junto um relato da Helena Pato de um 1º de Maio de outros tempos e um link para verem como foi em 1974.
Seguíamos num Volkswagen – eu acompanhava-os, até ver. O Alfredo, com quem já casara, tinha recebido do chefe de redacção do República a incumbência de fazer a reportagem. Para a censura cortar, inevitavelmente, de alto a baixo, é claro. Ao seu lado, um amigo, um camarada nosso, que estava ali por ser um dos organizadores. No banco de trás seguia eu, impaciente e receosa.
Nas vésperas tinham sido lançados panfletos por toda a cidade, chamando o povo a comemorar o 1.º de Maio, a manifestar-se. Se a ditadura proibia toda e qualquer manifestação, o «1.º de Maio» era assunto subversivo cuja referência pública, escrita ou em voz alta, só por si, podia valer prisão. Nos últimos meses, reuniões e mais reuniões na nossa casa, em Campo de Ourique – tudo muito discutido, muito preparado, à porta fechada, mas nada passara por mim. Apenas sabia que algumas dezenas de brigadas clandestinas, furtivamente e durante noites e noites, iriam cobrir de propaganda a cidade de Lisboa e os arredores. Papéis, aos milhares, por todos os sítios: apelos à manifestação contra o regime e abundante informação acerca das greves que nos últimos meses despontavam, umas a seguir às outras, nas empresas dos arredores de Lisboa.
Chegámos à Praça do Comércio uns dez minutos antes das 6 da tarde. 1.º de Maio de 1962. Uma data histórica – que persiste em sobrar-me, em ficar-me para trás, sempre que quero escrever sobre a resistência ou sobre a repressão fascista. Talvez por ter sido a única vez que, em idênticas circunstâncias, passei mesmo ao lado da morte. Depois foram décadas a gritar: «A-ssa-ssi-nos! A-ssa-ssi-nos!» Não se tratava de um grito demagógico, eles eram realmente assassinos.
O nosso carro ia devagar. As ruas estavam praticamente desertas e, ao olharmos para as lojas e para os cafés, a calma e a óbvia normalidade assustaram-nos. Estaríamos à beira de um fracasso? Seria aquele o resultado de tanto trabalho de organização tantos meses a fio? «Tem calma, Lena, ainda não são 6 horas!» Tanta reunião, tanta agitação, e um ambiente que parecia explosivo, no crescendo das greves, iria dar, assim, em nada? Seria que o povo não tinha coragem de assumir nas ruas o descontentamento que vinha manifestando à boca calada e que já revelara de forma tão convicta, tão expressiva, nas eleições do Delgado? Afinal, onde estava esse povo? «Tem calma, Lena, ele vai aparecer!» Amedrontara-se? Não se atrevia a enfrentar as forças policiais que os estudantes haviam defrontado por mais do que uma vez durante esse mesmo ano? 1500 jovens presos num só dia, em Março, na Cidade Universitária, e agora ninguém se mexia?
«Esta manifestação é política, amiga, não é associativa… hoje é mais complicado arriscar!», lembrava o camarada ciente de uma experiência que eu admirava.
De uma coisa eu tinha a certeza: a tarde estava mais quieta do que o habitual à mesma hora. A Baixa parecia adormecida. Dava-me a impressão de que a acção prevista teria sido prematura ou as expectativas demasiado grandes, que o medo trancara os lisboetas em casa e que os empregados e os lojistas – comércio, moda, capelistas, pastelarias, cafés – estariam a abandonar os estabelecimentos, aos poucos, para fugirem da confusão. Por onde parariam os bancários, que tinham prometido uma boa adesão? Continuávamos ansiosos, a rodar, rua abaixo, rua acima, repetitivamente, devagarinho, varrendo metodicamente um espaço cruzado por artérias quase vazias.
Emudecêramos. Somente meia dúzia de estudantes nossos conhecidos passou por nós. Que era feito do pessoal da outra banda? Então os operários da Siderurgia? E os da Lisnave? «Espera e verás, camarada… Hão-de vir, virão em peso… Sabemos que vão estar em força.» Qual quê! Algum comércio ia-se fechando ao nosso lado, e eu desanimada. Havia quem, à porta, se metesse para dentro e quem saísse para os passeios – caminhavam imperturbáveis, eles de chapéu na cabeça, elas de malinha no braço. «São donos das lojas e caixeiros, já se sabia, Lena… Pouco se contava com eles…»

Começámos por ver a guarda nacional republicana a cavalo, em grupos – três agora, quatro depois –, a avançar pela Rua Augusta, vinda do Terreiro do Paço. Postura sobranceira, a exibir a força. Quando se cruzou connosco, o Alfredo apressou-se a colocar no vidro do automóvel, em posição de boa visibilidade, uma pequena cartolina branca com os dizeres IMPRENSA – JORNAL DIÁRIO, desenhados na véspera, omitindo tratar-se do República para não chamar a atenção. Não queria dar-lhes qualquer pretexto para detenção, pois referir o jornal República era falar de oposição ao regime.
Percorríamos as ruas lentamente, circulando, da Praça do Comércio até ao Rossio; aí dávamos a volta e regressávamos à Rua do Ouro, num movimento cada vez mais desesperançado. O silêncio vindo de fora tinha-nos contagiado.
Às 6 em ponto, o espanto:
– Olhem, olhem! Extraordinário! – exclamei.

O milagre nesse Maio de luta contra o fascismo. Em poucos segundos, a Baixa ficara repleta de gente. Pareciam nascidos do chão. Surgiam de todos os cantos e do interior das lojas. Bem-postos, sim, bem-postos, de chapéu, eles, com malinha no braço ou na mão, elas. Vinham, em passo acelerado, das ruas transversais – a Rua da Conceição, a da Vitória, a do Crucifixo, abarrotavam. Santa Justa em clamor. Muitos corriam em bandos, vindos dos lados do Tejo, outros desciam o Chiado aos magotes ou afluíam dos Restauradores. A Rua da Madalena, a dos Fanqueiros e todas as ruas que desembocavam na Praça da Figueira encheram-se, num ápice, de gente que se dirigia para o Rossio. 6 da tarde. Nessa altura, a multidão bradava uma palavra de ordem qualquer, não sei o quê, não me lembro.
– Pára, Alfredo, vou sair! – gritei, na Rua da Prata, a saltar do carro ainda em andamento, sem levar carteira, nada, a não ser uma algibeira atulhada de pimenta.
Que me lembre, não havia carros de água nem bombas lacrimogéneas. A polícia era treinada para obedecer às ordens superiores e, desta vez, as ordens superiores resumiam-se, por certo, a duas frases:
«Dêem cabo deles! Acabem-lhes com a raça!» Os polícias invadiram o Rossio: pareciam drogados, saindo como animais das camionetas, bruscamente estacionadas, empunhando cassetetes, com olhares de ódio, espumando de fúria. Não me esqueço de que vi um deles junto de mim, fardado, com pistola. Largaram em corrida, mais aguerridos do que nunca, piores do que em concentrações anteriores. Juntei-me à multidão. De repente, a repressão abateu-se com tal violência que nos levou a reagir imediatamente com um só grito: «A-ssa--ssi-nos! A-ssa-ssi-nos! A-ssa-ssi-nos!» (E eram.) Caíram sobre todos os que agarraram, malhando a torto e a direito. Missão cumprida: homens novos e velhos caídos no chão, alguns cheios de sangue. Prisões aqui e ali. A pancada brutal assustava.
Na expressão vincada na face de muitos populares via-se raiva, mas também medo: gente lívida a escapar-se para dentro do Café Nicola e do Café Gelo. Constou que a Pastelaria Suíça tinha fechado as portas de imediato para que a polícia não lhe destruísse o interior, mas também para não acolher ninguém. Houve quem, a custo, conseguisse fugir para as margens da refrega e ficasse a descansar. Gente que por momentos se juntou àqueles lisboetas que desde o princípio se mantinham encostados às montras, nas esquinas do Rossio e perto do Arco Bandeira – uma Lisboa do reviralho, do fado e da ginjinha, solidária, mas, até Abril, temerosa.
Eu, ali parada, ao lado do Teatro D. Maria, quase em pânico, com as pernas a tremer, mas revoltada com tudo o que via – numa ira crescente –, procurava ganhar terreno e coragem para atirar com a pimenta aos cavalos que a GNR lançava sobre as pessoas. Assustei-me com eles a relinchar, patas ao alto, avançando sobre nós, enquanto clamávamos: «A-ssa-ssi-nos! A-ssa-ssi-nos!» A 2 metros de mim, em poucos segundos, uns quantos animais tombaram. Estavam agora de joelhos, os guardas a procurarem levantá-los, e nós: «A-ssa-ssi-nos! A-ssa-ssi-nos!».
Começou o tiroteio. A multidão resistia, sem conseguir perceber donde vinham os tiros.
Dois amigos puxaram-me e quase me arrastaram em direcção à estação de comboios. Depois subimos as Escadinhas do Duque e corremos rua acima, numa subida cansada, violenta e dramática. Os tiros sucediam-se nas nossas costas: aquele som ainda nos perseguia e nós, ofegantes, já íamos junto ao Quartel do Carmo. Lembro-me de, lá em cima, ter um ataque de choro. Raiva ou medo? Nem sei.
«A-ssa-ssi-nos! A-ssa-ssi-nos! A-ssa-ssi-nos!» é uma forte memória que guardo do eco da resistência no coração da cidade.

– Há montes de feridos, prenderam muita gente… – gritava-me uma amiga ali a dois passos.
– Parece que mataram um gajo, um operário, um rapaz dos nossos… – disse eu, em pranto.
Ao princípio da noite sentei-me na Cervejaria Trindade com o Alfredo, uns amigos e a certeza de que, a partir dali, a efeméride que, de futuro, comemoraríamos com verdadeira emoção não voltaria a ser o 5 de Outubro. Aquele tinha sido o primeiro «1.º de Maio» de luta para muitos milhares de pessoas em todo o país, um passo importante no combate político contra a ditadura.

Meses depois, o Alfredo foi para o exílio, fugindo à prisão que o ameaçava. Chegava brutal a vaga de repressão da PIDE sobre os principais organizadores da sequência de greves e lutas desse histórico ano – e ele havia sido um deles.

Em 1974, centenas de milhares de portugueses desfilaram no dia 1 de Maio, Dia do Trabalhador. Comemorava-se a liberdade: era dia de festa, mas poucos saberiam a história dos anteriores.




https://www.youtube.com/watch?v=cIN37JB6JMw


sexta-feira, 25 de abril de 2014

VIVA O 25 DE ABRIL!

http://www.youtube.com/watch?v=rE_nw8VGVYE

Hoje, aos primeiros minutos de 25 de Abril de 2016, saúdo todos os amigos que têm acompanhado este blogue, e quero recordar todos aqueles e aquelas que dedicaram  as suas vidas a combater a opressão e a injustiça, pois estas continuam e não acabaram com a Liberdade.
Continuar com persistência, com coragem, a defender a Democracia, que é uma flor frágil e murcha depressa se nos distraímos e não a regamos com firmeza democrática. Os inimigos da democracia não desarmam, utilizam todos os meios, demagogia, populismo, mentiras e truques para a ir enfraquecendo, minando, para que se torne uma fachada sem vida interior, ao serviço dos interesses financeiros especulativos.

quarta-feira, 26 de março de 2014

O ARCO DO F....!

Andam a gozar connosco e nós consentimos. Ontem o Montenegro, o tal que afirma cinicamente que o país está melhor mas os portugueses é que estão pior, dizia sem rir que não vão haver mais cortes nos salários e pensões quando já tomaram a decisão de transformar em definitivos os cortes transitórios com que enganaram o Tribunal Constitucional. Junto mais um artigo do Vítor Malheiros que nunca nos faz perder tempo.


O arco da corrupção
25/03/2014 - 01:42
Há todas as razões para o combate à corrupção ser uma bandeira da esquerda e nenhuma para não o ser.
Existem diferenças de monta entre as análises feitas à esquerda e à direita sobre a nossa crise económica e financeira. Essas diferenças têm que ver com as diferentes perspectivas sobre a origem dos nossos males, com o diagnóstico dos males em si e com o prognóstico.
Quanto às origens, enquanto a esquerda coloca de uma forma geral a tónica nas regras de funcionamento do euro, na crise financeira de 2008, na consequente redução das receitas do Estado e aumento de despesas sociais, na austeridade ela própria e na debilidade da nossa estrutura produtiva, a direita coloca em geral a tónica num excesso da despesa do Estado — seja devido aos investimentos em grandes projectos ou aos serviços do Estado social — e na corrupção.
A corrupção está também presente nas análises à esquerda, mas é em geral tratada com alguma contenção, já que a esquerda considera disparatado colocar este factor no topo da lista de responsáveis pelo empobrecimento do país, pelo desemprego e pela perda de direitos sociais. De facto, mesmo que Portugal fosse o mais impoluto dos países, a nossa situação económica, social e política não seria substancialmente diferente, se se mantivessem todos os outros factores.
Esta diferença de perspectivas é rica em consequências: a primeira é que a mensagem da esquerda é dificilmente compreensível (o que é “a arquitectura do euro”? o que é “a soberania monetária”? o que foi “a crise de 2008”?), enquanto a da direita é fácil de perceber — ficámos sem dinheiro porque gastámos acima das nossas possibilidades e porque nos andaram a roubar.
Podemos dizer que a mensagem da direita é uma descarada mentira ou que é uma simplificação abusiva. Seja como for, ela passa mais facilmente para a opinião pública. É simples e fácil de reproduzir.
Esquerda e direita podem discutir a questão da despesa do Estado, mas é impossível um acordo total sobre estas questões, onde qualquer compromisso obrigará a cedências mútuas: qual deve ser o papel do Estado no fornecimento de serviços sociais essenciais como a educação, a saúde e a Segurança Social? Que tipo e que nível de protecção deve o Estado garantir aos mais desprotegidos? Que papel deve o Estado guardar para si? O que deve fazer em nome próprio e o que pode subcontratar? Deve executar e gerir ou regular e encomendar? Que nível de gastos são admissíveis? Que impostos estamos dispostos a pagar para garantir as funções do Estado?
No entanto, sobre a questão da corrupção, não existem, em princípio, diferenças de opinião entre a esquerda e a direita: ambos os campos acham que não se deve roubar e que é particularmente feio roubar o dinheiro da comunidade.
No entanto, apesar disso, a denúncia vociferante da corrupção é usada com frequência como recurso retórico da direita — é mesmo típica da direita populista “antipolítica” emergente — e só raramente ele ocupa um papel central nas posições da esquerda.

Este facto é tanto mais estranho quanto a corrupção é um fenómeno especialmente ligado à prática política dos partidos do chamado “arco da governação” — tanto, aliás, que seria mais rigoroso usar a expressão “arco da corrupção” — e quanto as suspeitas ou casos de corrupção são raros e combatidos com particular veemência nos partidos à esquerda destes. Apesar disso, esta esquerda, piedosamente, continua a considerar a corrupção como um epifenómeno da política, independente das ideologias, e recusa-se no seu discurso político a estabelecer um laço entre os partidos do “arco da governação” e a corrupção, como a simples correlação estatística sugeriria.

terça-feira, 25 de março de 2014

REFASCISMO


O texto que se publica, do Rui Tavares, é um toque de alarme. Eles estão de novo aí, nas eleições francesas, na Ucrânia onde vários membros do governo são de um partido fascista. A austeridade imposta aos europeus, "custe o que custar", para salvar bancos falidos por aventuras financeiras das quais os seus responsáveis ficam impunes está a degradar a Democracia, a abrir as portas à demagogia e ao populismo.

Opinião
A Europa e o refascismo
24/03/2014 - 07:49
Quando se pensa no fascismo, os países que vêm normalmente à cabeça são a Itália, em certo sentido a Alemanha, também Portugal e a Espanha. A certa altura dos anos 30 e 40, regimes aparentados ao fascismo dominavam no continente europeu, em particular no Leste, onde estavam na Polónia e na Eslováquia, na Hungria e na Roménia. Em 1936, apenas, a Frente Popular deteve a chegada do fascismo à França e é talvez por isso que não pensamos muito na França quando pensamos no fascismo.
E, no entanto, foi na França que durante o meio século anterior foram germinando as sementes de ideias que depois ganhariam esse nome. O anti-semitismo moderno, com a eclosão do caso Dreyfus no fim do século XIX e a imprensa mais raivosamente anti-judaica da Europa no início do século XX; o anti-parlamentarismo de Sorel, que depois de passar da esquerda para a direita se tornou num precursor do nacional-socialismo; o revanchismo dos monárquicos e defensores do “organicismo” da nação; o pétainismo e o culto do salvador da pátria; e, muito, em particular, o integralismo de Charles Maurass, tido por ser uma das principais influências de Salazar. Tudo isso nasceu em França, muito disso ficou em estado larvar.
Saltemos de século. Desde 2001 que temos tido a infelicidade de ver todos os partidos estabelecidos da Vª República Francesa, da esquerda à direita, estenderem a passadeira à Frente Nacional. Desde logo quando toda a esquerda se dividiu para deixar passar Jean-Marie Le Pen à segunda volta das presidenciais. Depois, quando a direita de Sarkozy adotou todos os grandes temas da extrema-direita. E agora, com esse completo vazio de ideias — sobre a França, sobre a Europa ou sobre a democracia — que se chama François Hollande.
O resultado viu-se ontem, nas eleições municipais francesas. A Frente Nacional voltou a ganhar uma cidade, no Norte que já foi bastião comunista e socialista. Em Avignon e Fréjus vai para a segunda volta à frente. E em Marselha, o segundo município mais populoso do país, está à frente da esquerda e disputando a cidade com a direita.
Isto é uma primeira volta; quando os franceses voltarem às urnas a história será um tanto diferente. Mas isso importa pouco, porque a tendência é clara. Hoje, a filha do pai, Marine Le Pen, é presença permanente em todos os media franceses. As suas ideias tornaram-se plausíveis e pseudorrespeitáveis; concordam com ela entre um quarto e um terço dos franceses. O voto popular passou da esquerda para a Frente Nacional. Para todos os efeitos, há hoje em dia três pólos: a esquerda, a direita, e a Frente Nacional. Começa-se a desconfiar que esta caminhada só vai parar no Palácio do Eliseu. Com ela acabará a Vª República Francesa, e não só: acabará definitivamente uma certa ideia da Europa do pós-guerra.
Isto não se passa só em França. Gente defendendo as mesmas ideias estão no governo da Áustria ou da Letónia e apoiam os governos da Holanda ou da Suécia. Na Itália, a anti-política de Grillo sobe nas sondagens.
Chamem-se fascistas ou não, o que esta gente tem de comum é uma insinceridade e deslealdade de base em relação à democracia. A democracia só lhes interessa para manipular até chegar ao poder. E uma democracia sem ideias abre-lhes o caminho. Uma democracia que não acredite no futuro pode bem acabar por não o ter.
Historiador e eurodeputado




sábado, 22 de março de 2014




Imagem e texto pilhados ao Prof . Hernâni Matos








CENAS DE CAÇA (1670). Pormenor de painel de azulejos (158 x 286cm), 
fabrico de Lisboa. Museu de Lamego.

A 21 de Março comemora-se o Dia Internacional das Florestas. A celebração deste dia teve início a 10 de Abril de 1872, no estado norte-americano do Nebraska, nos EUA (EUA). Aí, o jornalista e político Julius Sterling Morton, promoveu o “Dia da Árvore”, incentivando a plantação ordenada de árvores naquele estado.
Em Portugal, as primeiras Festas da Árvore tiveram início na fase final da Monarquia por iniciativa de organizações republicanas. Foi assim que a 26 de Maio de 1907 se realizou no Seixal a 1.ª Festa da Árvore, promovida pela Liga Nacional de Instrução. Dava-se assim início a um movimento cultural e cívico de celebração dos benefícios da Árvore e da Floresta, o qual se traduzia na plantação de árvores em ambiente festivo e de discursos de propaganda a favor da árvore. Por sua vez, o Dia Mundial das Floresta foi comemorado entre nós e pela primeira vez em 1974, tendo sido escolhida, como em muitos outros países do hemisfério norte, a data de 21 de Março, o primeiro dia de Primavera. A data de 21 de Março viria a ser declarada como Dia Internacional das Florestas, por resolução da Assembleia Geral da ONU, de 30 de Novembro de 2012.
No Dia Internacional das Florestas, têm lugar diversas acções de arborização e reflorestação a nível mundial. A comemoração da efeméride visa sensibilizar a população para a importância da preservação das árvores, não só ao nível do equilíbrio ambiental e ecológico, como da própria qualidade de vida dos cidadãos. Com efeito, estima-se que 1000 árvores adultas absorvem cerca de 6000 kg de dióxido de carbono. 30% da superfície terrestre está coberta por florestas, nelas se realizando a fotossíntese, através da qual há produção de oxigénio a partir de dióxido de carbono. Daí que as florestas sejam consideradas como “pulmões do mundo”. 




Hernâni Matos



A 21 DE Março comemora-se o Dia Mundial da Poesia. A efeméride visa suscitar uma reflexão sobre o poder da linguagem e do desenvolvimento das habilidades criativas de cada pessoa, celebrando a diversidade do diálogo, a livre criação de ideias através das palavras, a criatividade e a inovação. O Dia Mundial da Poesia foi criado na XXX Conferência Geral da UNESCO, a 16 de Novembro de 1999.
http://www.youtube.com/watch?v=9BTKtPgneog

terça-feira, 11 de março de 2014

SILÊNCIO MAS NÃO ABANDONO DO BLOGUE.

 POR DIVERSAS CAUSAS O BLOGUE FOI ABANDONADO DURANTE BASTANTE TEMPO. DEI MAIS ATENÇÃO AO FACEBOOK E À COLABORAÇÃO AO BLOGUE DA AMA, O QUE SOMADO À AUSÊNCIA DE VRSA HÁ SEMANAS E A PROBLEMAS DE SAÚDE DE FAMILIARES EXPLICA ESTE SILÊNCIO.
RETOMO COM UM TEXTO SAÍDO ESTA SEMANA QUE ME FOI PEDIDO PARA SERVIR DE EDITORIAL A UMA NEWSLETTER.
                                                                                                                                                                                                                                                                                            Editorial da NewsLetter de Março de 2014
O 28 de Maio de 2014 é em Junho

Segundo a propaganda governamental a "saída limpa", à "irlandesa", ou "cautelar", ou ainda "monotorização reforçada", será o nosso novo 1640. Seria mais significativo e ajustado à realidade que a data escolhida fosse o dia 28 que, pela sua carga simbólica, marca a entrada e a passagem a um novo período da nossa história.
O 28 de Maio de 1926 carimbou a vitória de uma contra-revolução, o dia 25 de Maio de 2014 terá o sabor amargo da contra-revolução em curso. Qual será a nossa realidade nesse dia?

A razão para a invasão e conquista de Portugal pela troyka foi a elevada divida externa pública e privada do país, ultrapassando somada mais de 200% do PIB. A 25 de Maio a nossa dívida pública será maior do que aquela que a troyka encontrou, o nosso PIB terá recuado e perdido mais de 9 mil milhões euros, e retirados mais de 25.000 milhões à economia e aos portugueses sem com isso se abater o défice do Estado.

A 25 de Maio vamos continuar a ser condicionados política e financeiramente pela impossibilidade de podermos pagar a dívida, e os credores não perdoam e com troyka ou outro nome continuaremos em 1639 com o relógio do Portas mas sem pilhas.
O fracasso da austeridade é uma evidência e um facto, mas o que foi avançado como justificação para a sua aplicação afinal escondia um objectivo ideológico reaccionário, claro e preciso de destruição do Estado de Direito, do Estado Social e de empobrecimento dos portugueses, só possível por a direita ter conseguido o seu sonho: Presidente, Governo e maioria absoluta na AR.

Estes anos de governo PSD/CDS deixaram um monte de destroços. Os seus objectivos foram e estão a ser concretizados "custe o que custar" no afrontamento constitucional tentando forçar a Constituição e a Justiça à subordinação ao poder político e aos interesses económicos.

O Serviço Nacional de Saúde é desmantelado à nossa vista, os índices e indicadores de mortalidade infantil, de tuberculose, oncológicos agravam-se. Faltam medicamentos, aumentam os custos, alargam-se as listas de espera e os prazos para operações e tratamentos, encerram-se hospitais.

Na Educação, na Ciência e na Cultura a mesma situação, visando um ensino para pobres e outro para ricos, cortes e redução de professores e pessoal, nos orçamentos, na educação pré-escolar, na autonomia e capacidade de decisão das escolas, cresce o absentismo e abandono escolar enquanto aumentam as verbas para o ensino privado.
Os trabalhadores do sector público e do privado são confrontados com novas leis que degradam as condições de trabalho, precarizam vínculos laborais, facilitam os despedimentos, aumentam horários de trabalho, horas extraordinárias mais baratas, diminuem as férias e feriados, reduzem salários e vencimentos, proletarizam a classe média, aumentam a carga fiscal e facilita-se o Lay-off.

As Forças Armadas e de Segurança são desconsideradas e sofrem cortes nas remunerações e nos orçamentos que impedem a manutenção de muitos serviços e diminuem a sua possibilidade de actuação em defesa dos cidadãos.

O desemprego real é muito superior ao oficial dado a emigração de mais de 200 mil portugueses nos dois últimos anos, a maioria jovens e com elevadas qualificações escolares e profissionais, ao que se somam outras centenas de milhar que já desistiram de ir aos centros de emprego e aliviam artificialmente as estatísticas. Os pais e os avós, apesar da redução das reformas e dos apoios sociais, dos abonos de família, transformaram-se na almofada que vai atenuando os dramas sociais dos filhos e netos.
A pobreza real subiu para níveis assustadores, dois milhões de portugueses subsistem com grandes dificuldades, mais de 400 mil sem qualquer apoio, os suicídios aumentaram, a fome é de novo uma realidade, o número de casas abandonadas por incapacidade de pagar as prestações bancárias ou as rendas aumentou assim como o crédito mal parado atingiu quantias tão elevadas que tem sido escondido. A evasão fiscal aumenta e a corrupção acompanha a degradação da economia.

No ambiente desmembram-se as redes e reservas ecológicas, os PIN´s ultrapassam todos os obstáculos legais, e agora avançam os PIN´s para o mar. A Justiça afoga por falta de meios, encerram-se tribunais e repartições de finanças acentuando a desertificação do interior.

As privatizações vão continuar para obter dinheiro para a dívida e juros, tudo está à venda, desde que seja cobiçado por interesses especulativos e dê dinheiro para ser evaporado na dívida impagável.

É neste quadro político e social, que peca por defeito dado estar incompleto e não ser exaustivo que vamos recordar 40 anos de Abril. Tem de ser uma data comemorada sem rotina, uma grande jornada de esclarecimento, mobilização e memória comparativa com os tempos presentes. As forças democráticas têm a responsabilidade de trazer Abril e os seus valores para a rua e a consciência dos mais jovens, por uma sociedade mais justa, democrática, soberana. É forçoso que o 25 de Abril de 2014 mobilize energias e vontades para que no dia 25 de Maio se obtenha uma grande vitória eleitoral democrática nas eleições para o Parlamento Europeu (PE), que contrarie e desminta as sondagens recentes.

A tarefa não será fácil, mais ainda pela provável concorrência de várias listas de esquerda às eleições, e o sentimento de muitos portugueses será de desconfiança e hostilidade para com o PE que será visto como mais um dos organismos da UE como a troyka e responsável também pela situação desastrosa em que vivemos, o que facilitará a demagogia e o radicalismo. A importância de eleger deputados das forças democráticas e de esquerda tem de ser um combate esclarecedor para se perceber que uma forte componente democrática no PE será um aliado na luta dos povos contra as políticas de austeridade.

Uma nova derrota eleitoral da direita após a sofrida nas eleições autárquicas confirmará o isolamento deste governo PSD/CDS, renovará a condenação da sua política deliberada de destruição social e empobrecimento, e pode abrir caminho a eleições antecipadas e a uma alternativa democrática.