Há notícias pequenas no fundo das páginas dos jornais que são mais elucidativas que as de grandes parangonas.
A notícia a que me estou a referir dizia: Descontos na energia abrangem 700 mil famílias.
A energia eléctrica aumentou, e vão depois fazer descontos a 700 mil famílias, estranho!
Entrando na leitura da notícia descobre-se que afinal são famílias carenciadas.
Que famílias são essas? , e ficamos a saber que são "os idosos com pensões baixas, desempregados de longa duração, famílias com rendimentos muito baixos e filhos a cargo, e beneficiários da pensão social de invalidez".
Fazendo um cálculo de três pessoas por família, para simplificar, quer dizer que pelo menos 2 milhões e 100 mil portugueses se encontram em situação de carência.
E os desempregados há pouco tempo não terão carências?, e os idosos com pensões um pouco melhores e doentes estarão bem na vida? etc.
E as famílias em que um está desempregado e o outro ganha 500 euros, e conheço várias nessa situação, e que são "ajudados" pela pequena reforma dos pais?
Com a recessão que vai continuar com estas políticas insensatas de austeridade, com o desemprego a aumentar, o número das famílias carenciadas vai subir em flecha.
Na realidade hoje o número de portugueses com carências, a palavra é muito suave para classificar a situação, deve rondar os 45%, segundo vários estudos sociais recentes. Qualquer coisa como 4 milhões e meio, mete medo tanto sofrimento.
O remate da notícia espanta. Os tais carenciados se querem poupar uns euros na energia devem dirigir-se "ao respectivo operador", pois o processo é "muito simples", segundo o ministro.
Onde está o operador?, se na maior parte das cidades e vilas já não existe representação local do dito, os escritórios foram encerrados, quanto mais nas aldeias.
É só propaganda, o governo aumenta os preços aos tais carenciados e depois diz, agora já não é comigo, vão ao operador.
Grande parte nunca chegarão a saber desta "medida", outros pura e simplesmente farão contas e custará mais caro deslocarem-se vários quilómetros do que o desconto que poderão obter, e caso consigam provar que são carenciados.
Tudo isto mete repulsa e é indigno.
Charingado é um termo algarvio polivalente que significa lixado,chateado,zangado,e que é usado correntemente com expressões e intenções diversas.
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quinta-feira, 6 de outubro de 2011
sábado, 1 de outubro de 2011
É MESMO DE FICAR XARINGADO E MARFADO
Hoje foi mais um daqueles dias que ao ler o jornal ou se fica com uma depressão ou se apanha um ataque cardíaco.
Leio o seguinte escrito por José Pacheco Pereira do PSD, e o homem fala do que conhece:
"De uma ponta à outra, da base ao topo, o sistema político e em particular os partidos políticos estão ligados a actividades de tráfico de influências e de corrupção e este é um grande cancro da nossa vida política".
Claro que lhe convém meter tudo no mesmo saco, assim generalizando são todos pecadores e iguais, o que rouba um bago de uva e o que desfalca um banco.
Mas quando olhamos para o que se passa nas câmaras municipais temos razões para ficar alarmados e escandalizados. O recente e estranho episódio da prisão do Isaltino de Morais é mais um no seguimento dos casos (entre muitos mais), do Valentim Loureiro, da Fátima Felgueiras, do Luís Monterroso, do Avelino Torres, do João Rocha, do Abílio Curto, do António Cerqueira, do Júlio Santos, do Luís Gabriel Rodrigues, do António Lobo, do Mário Pedra etc. Todos eles presidentes de câmara, julgados e condenados, alguns ainda em prisão.
O caso Jardim é exemplar, segundo os elementos fornecidos pelos próprios serviços regionais da Madeira os quais não merecem qualquer credibilidade, a dívida será de 6.328 mil milhões de euros, mas não foram contabilizados mais de mil milhões de empresas públicas falidas etc. Verbas escondidas, contratos debaixo da mesa sem documentos, favorecimentos e corrupção, enriquecimentos vertiginosos de políticos sem investigação e por aí fora. Só vigarices e aldrabices por um presidente de uma região que é Conselheiro de Estado, que pode concorrer outra vez ao cargo e que certamente vai ter boa votação. Mas que país é este?,
dá vontade de chorar.
Mas não é necessário ir à Madeira para vermos situações que nos chocam, que nos indignam, basta ver o que se passa no nosso concelho e que o blogue da AMA relata perante o silêncio dos partidos de esquerda locais.
O mesmo jornal revela a existência de mais de 500 médicos mortos mas que continuam a passar receitas.
Nos serviços secretos foram descobertos actos de "eventual relevância criminal".
A AR ao fim de tantos anos de fraudes e corrupção lá consegue aprovar uma lei para castigar o "enriquecimento ilícito", e no momento imediato segue a polémica sobre a lei aprovada, que está imperfeita, que é inconstitucional etc. Afinal que partidos e deputados temos que não conseguem fazer sequer uma boa lei contra a corrupção?
O sucateiro Godinho, o tal do processo "Face Oculta", e que foi preso, ganha concurso da CP para comprar e desmantelar 39 veículos ferroviários.
E para cúmulo a electricidade e o gás sofrem aumentos no IVA de 6% para 23%, a partir de hoje, quando a Troika tinha preconizado só em Janeiro tais aumentos, com a medida hipócrita de abaterem 2% na factura aos mais pobrezinhos. É infame.
E para terminar, leio com espanto um artigo violento de Manuel Monteiro, ex- CDS e ex-Nova Democracia, contra Alberto João Jardim, que termina deste modo: " continuamos a ter cidadãos, lá e cá, que votam mais pela bebida gratuita que recebem e pelo pequeno ou grande favor de que beneficiam do que pela seriedade e solidez das propostas. É tudo isto a democracia? Talvez, mas é uma democracia contra a própria Democracia".
Olho à volta e dou-lhe razão.Anda tudo trocado, bizarro momento o que vivemos.
Leio o seguinte escrito por José Pacheco Pereira do PSD, e o homem fala do que conhece:
"De uma ponta à outra, da base ao topo, o sistema político e em particular os partidos políticos estão ligados a actividades de tráfico de influências e de corrupção e este é um grande cancro da nossa vida política".
Claro que lhe convém meter tudo no mesmo saco, assim generalizando são todos pecadores e iguais, o que rouba um bago de uva e o que desfalca um banco.
Mas quando olhamos para o que se passa nas câmaras municipais temos razões para ficar alarmados e escandalizados. O recente e estranho episódio da prisão do Isaltino de Morais é mais um no seguimento dos casos (entre muitos mais), do Valentim Loureiro, da Fátima Felgueiras, do Luís Monterroso, do Avelino Torres, do João Rocha, do Abílio Curto, do António Cerqueira, do Júlio Santos, do Luís Gabriel Rodrigues, do António Lobo, do Mário Pedra etc. Todos eles presidentes de câmara, julgados e condenados, alguns ainda em prisão.
O caso Jardim é exemplar, segundo os elementos fornecidos pelos próprios serviços regionais da Madeira os quais não merecem qualquer credibilidade, a dívida será de 6.328 mil milhões de euros, mas não foram contabilizados mais de mil milhões de empresas públicas falidas etc. Verbas escondidas, contratos debaixo da mesa sem documentos, favorecimentos e corrupção, enriquecimentos vertiginosos de políticos sem investigação e por aí fora. Só vigarices e aldrabices por um presidente de uma região que é Conselheiro de Estado, que pode concorrer outra vez ao cargo e que certamente vai ter boa votação. Mas que país é este?,
dá vontade de chorar.
Mas não é necessário ir à Madeira para vermos situações que nos chocam, que nos indignam, basta ver o que se passa no nosso concelho e que o blogue da AMA relata perante o silêncio dos partidos de esquerda locais.
O mesmo jornal revela a existência de mais de 500 médicos mortos mas que continuam a passar receitas.
Nos serviços secretos foram descobertos actos de "eventual relevância criminal".
A AR ao fim de tantos anos de fraudes e corrupção lá consegue aprovar uma lei para castigar o "enriquecimento ilícito", e no momento imediato segue a polémica sobre a lei aprovada, que está imperfeita, que é inconstitucional etc. Afinal que partidos e deputados temos que não conseguem fazer sequer uma boa lei contra a corrupção?
O sucateiro Godinho, o tal do processo "Face Oculta", e que foi preso, ganha concurso da CP para comprar e desmantelar 39 veículos ferroviários.
E para cúmulo a electricidade e o gás sofrem aumentos no IVA de 6% para 23%, a partir de hoje, quando a Troika tinha preconizado só em Janeiro tais aumentos, com a medida hipócrita de abaterem 2% na factura aos mais pobrezinhos. É infame.
E para terminar, leio com espanto um artigo violento de Manuel Monteiro, ex- CDS e ex-Nova Democracia, contra Alberto João Jardim, que termina deste modo: " continuamos a ter cidadãos, lá e cá, que votam mais pela bebida gratuita que recebem e pelo pequeno ou grande favor de que beneficiam do que pela seriedade e solidez das propostas. É tudo isto a democracia? Talvez, mas é uma democracia contra a própria Democracia".
Olho à volta e dou-lhe razão.Anda tudo trocado, bizarro momento o que vivemos.
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