Charingado é um termo algarvio polivalente que significa lixado,chateado,zangado,e que é usado correntemente com expressões e intenções diversas.
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sábado, 24 de maio de 2014
quinta-feira, 15 de maio de 2014
MISÉRIA MORAL EM TEMPO ELEITORAL
Opinião
Miséria social,
miséria moral: mais pobres, mais frágeis
06/05/2014 - 02:57
A grande herança do Governo PSD-CDS no final
do “programa de ajustamento” é a reinstituição do medo.
Voltaire dizia que “quase toda a
História é uma sequência de atrocidades inúteis”. A frase adapta-se como uma
luva ao “programa de ajustamento” a que Portugal foi submetido nos últimos anos
pelo Governo de Passos Coelho, pelos seus “parceiros” europeus e pelo FMI. As atrocidades a que fomos
submetidos não são os horrores da guerra que estavam na mente do filósofo
francês, mas continuam a ser as velhas misérias sociais e um novo tipo de
miséria moral de que Passos Coelho ou Paulo Portas são simultaneamente
propagandistas e exemplos.
As
misérias sociais estão à vista: desemprego,
precariedade, subemprego, emigração forçada, salários mais baixos, pensões mais
baixas, aumento da pobreza e da miséria extrema, mais pessoas sem qualquer
rendimento e sem apoios sociais, mais crianças pobres, mais velhos pobres, mais
crianças com fome, menos acesso à saúde, menos acesso à educação, mais abandono
escolar, menos serviços públicos, mais depressão.
A
miséria moral é aquela que foi sendo insidiosamente
instilada na sociedade pela atitude do poder e pelo seu discurso, pelo seu
recurso despudorado à mentira sistemática tornada banal, pelo seu uso da
desconfiança como instrumentos de manipulação do público.
Não é surpreendente que, depois de
Passos Coelho, de Paulo Portas, de Miguel Relvas, de Maria Luís Albuquerque, de
Poiares Maduro tenhamos passado a considerar comum a falta de honorabilidade
dos governantes, fazendo
crescer o descrédito na democracia. Hoje vê-se como inevitável a promiscuidade
entre políticos e negócios e aceitamos que a verdade, como antes acontecia na
guerra, seja a primeira baixa da política.
O
Governo conseguiu difundir uma cultura de desprezo pelos velhos e pelos doentes, apresentando-os como gastadores de recursos sem
préstimo e como abusadores dos direitos sociais. Conseguiu impor um clima de confronto entre desempregados e
trabalhadores, apresentando a estabilidade de emprego como pecaminosa e
um obstáculo à competitividade. Conseguiu lançar uma guerra de gerações entre velhos “privilegiados”
por terem pensões e jovens a quem foi dito que estavam em risco de nunca
receber reformas devido aos “privilégios” dos seus pais e avós. O Governo
conseguiu minar consensos
sociais laboriosamente construídos ao longo de 40 anos de democracia, como o
acordo sobre a necessidade de investir na escola inclusiva, na formação de alto
nível e na investigação – que passou a ser referida na narrativa oficial como
uma actividade “pouco produtiva” e longe da “economia real”. O Governo
conseguiu apresentar sistematicamente a máquina do Estado como uma “gordura” improdutiva, um aparelho inútil e
despesista, formado por burocratas preguiçosos e incompetentes, pondo trabalhadores do sector
privado contra funcionários públicos
e destruindo uma filosofia de serviço público e uma ética de trabalho com
séculos de consolidação, para
melhor desmantelar o Estado
social. E impôs por
todos os meios possíveis a agenda neoliberal segundo a qual o trabalho é uma
mera mercadoria sem dignidade particular, cujo valor deve ser tão reduzido
quanto possível.
A
miséria moral que este panorama evidencia pode ser
menos visível do que os dramas da pobreza, mas é infinitamente mais grave,
porque abre fracturas de hostilidade e desconfiança na sociedade que levam
muitos anos a reparar.
O sucesso ímpar do Estado social após a
Segunda Guerra Mundial não se deveu apenas aos serviços que o Estado fornecia,
mas ao clima de estabilidade e de cooperação, de confiança nos outros e no
futuro que esses serviços possibilitaram. O grande sucesso do Estado social foi
a derrota da insegurança e do medo – do medo da doença, do desemprego, do
futuro.
A
grande herança do governo PSD-CDS no final do “programa de ajustamento” é a reinstituição
do medo e da insegurança como elemento central da vida social e como
instrumento estatal de “regulação social”.
E, com ele, a desconfiança e a desesperança. Dividir para reinar é uma receita eficaz, como
todos sabemos.
E a grande herança do Governo PSD-CDS na
prática política é a crescente
banalização da mentira e a glorificação do despudor. O sofrimento não
nos deixou melhor do que antes. As atrocidades só serviram os saqueadores.
A “saída limpa” que o Governo anunciou
este fim-de-semana não é nem uma saída nem limpa, como qualquer pessoa com um
mínimo de honestidade admite – porque a fragilidade da nossa situação
financeira é igual ou pior do que era, porque permanecemos submetidos a uma tutela externa com direito de veto de
facto das políticas nacionais. Mudámos apenas de suserano: antes eram os
nossos “parceiros” europeus, amanhã serão os “mercados”. A diferença entre um
“programa cautelar” e uma “saída limpa” é a que existe entre o lume e a
frigideira. A chantagem é a mesma, apenas muda o agente. E a instabilidade é
maior.
Quando
a UE refere os “progressos impressionantes” que Portugal realizou, faz um
exercício de hipocrisia. Estamos economicamente mais pobres e socialmente mais
frágeis. Mais temerosos e mais divididos. Só pode achar que isto é um sucesso
quem tivesse este objectivo.
jvmalheiros@gmail.com
A ECONOMIA IMORAL
Opinião
Da Economia como
ciência pragmática
Por Fernando Belo
12/05/2014 - 01:22
As crises são as sociedades a tornarem-se laboratórios exibindo o que falta
às ciências.
1. Um velho texto de António J. Esteves, sociólogo da Universidade do
Porto, que evoca as engenharias como “ciências de projecto” de Herbert Simon
para incluir nelas a Economia, trouxe-me algo que procurava há vários anos.
Segundo ele, “a determinação de ‘como as coisas podem ser’ e de ‘como devem
ser’ para a realização de determinados objectivos delimita um conjunto de
saberes que não se resumem às disciplinas científicas nem à sua ‘aplicação’”,
diz Esteves, o projecto da Economia devendo ser “uma nova politica de bem estar
social para um Estado” (H. Simon) (1). Ciência de acção e portanto de
mudança, pragmática assim, a sua verdade consistirá na transformação que ela
consiga operar nas estruturas sociais sobre que incide, implicando a definição
de objectivos.
2. Era esta descrição que me
escapava, modesto fenomenólogo praticante de filosofia com ciências.
Sendo uma ciência dos mercados, a economia é apenas uma ciência social entre
outras que a ausência duma ciência global das sociedades capitalistas levou a
ocupar esse lugar, indevidamente por certo mas a apelo do vazio. O seu carácter
sectorial implica que os ‘objectivos’ a reconhecer-lhe não dependem
exclusivamente dela mas de algo que a ultrapassa: a dupla grande crise que atravessamos, económica - financeira
e climática, orienta o nosso olhar para o mais largo objectivo da Economia, a perpetuação
da espécie humana, posta em questão por duas questões dramáticas, o enorme
desemprego jovem (que futuro daqui a 30 anos?) e as consequências da
progressiva alteração dos climas (que futuro daqui a 100 anos?). Estas
duas questões impõem à Economia a consideração da nossa condição biológica como
axioma imperativo, se dizer se pode: qualquer animal tem como problemas
principais comer e proteger-se de ser comido e a sociedade começa por ser uma
forma cooperativa mais económica de enfrentar esses problemas. No que dependa da Economia, há que
garantir a alimentação (o “bem estar social” de que falava Simon, a que
chamamos na Europa o Estado social) e a protecção de todos os cidadãos, a nossa
liberdade (o Estado de direito). O imperativo estende-se à salvaguarda do
planeta que nos dá a vida: a este nível, de que não me ocuparei, o papel da
Economia será nomeadamente o de remover obstáculos derivados da arbitrariedade
da especulação financeira.
3. Ora, a Biologia oferece também uma espécie de modelo para delinear os
objectivos da Economia, à maneira da Medicina. Sabemos hoje que há uma
inter-relação entre a determinação genética que diz respeito à reprodução das
moléculas de cada célula do organismo e a circulação do sangue (que as alimenta
a todas elas), a qual, instável, deve ter uma estabilidade homeostática cujos
limiares, máximo e mínimo, são o objectivo médico, a nossa saúde:
tensão arterial, seus teores variados (análises de sangue), mormente os de
nutrientes e oxigénio. Para o que nos interessa aqui, este imperativo da saúde
cifra-se em não se comer nem de mais nem de menos. O que nos tem chocado a todos nesta crise é ver-se a
maior parte da população ser despojada mais ou menos brutalmente do que tem
para viver, muitos do emprego, outros de parte do salário ou da pensão,
enquanto que os muito ricos enriquecem e põem os capitais a darem dividendos lá
fora.
4. O escândalo é que, aos olhos da
Economia, isto parece ser apenas algo de lamentável, nem sequer ‘imoral’: o
argumento com que nos enchem os ouvidos é o da ‘credibilidade’ junto dos
grandes capitais especulativos, ditos ‘mercados’ (como se fossem honestas
mercearias). Ou seja, este baixar até à miséria de milhões de pessoas e a
grande riqueza de poucos milhares não é nada que pareça dizer respeito à
Economia enquanto ciência, algo que é deixado como preocupação aos políticos. Nela não haver
respeito pelos limiares mínimos e máximos da Economia, faltar no seu arsenal
axiomático o que define os seus objectivos enquanto ciência da ‘habitação’ (oikos,
casa). No entanto, a crise ilustra como proceder na homeostasia social, na
estabilidade instável (Prigogine) das conjunturas: garantir os mínimos (o
Estado social) – que deverão ir até ao pleno emprego, diminuindo as horas de
trabalho de todos para que todos o tenham – e corresponder a essas despesas com
impostos (é a social-democracia) sobre a propriedade ‘privada’ (do social), a
qual só vale por essa ‘privação’ que lhe dá contexto (ou seja, os impostos são devolução ao social duma parte do
recebido dele). O nosso
governo troikista, pelo contrário, forçou aquém dos mínimos sociais sem
qualquer pudor, para garantir os máximos aos credores que vivem de especulação
– jogam com títulos para lá, títulos para cá –, sem que a Economia enquanto
ciência pareça ter algo a dizer a esse respeito, como se fosse apenas uma
questão moral, ou o fatalismo de “as coisas serem como são”.
5. Não sou de economia nem
de qualquer outra área social e percebo a dificuldade imensa de uma ciência
económica global e que pretenda domesticar os capitais internacionais. Mas as
crises são as sociedades a tornarem-se laboratórios exibindo o que falta às
ciências, pedindo para as reformular, se ainda for a tempo. Ou para o que
sobrar de espécie humana.
Filósofo
Um artigo para nos fazer pensar.
terça-feira, 11 de março de 2014
SILÊNCIO MAS NÃO ABANDONO DO BLOGUE.
POR DIVERSAS CAUSAS O BLOGUE FOI ABANDONADO DURANTE BASTANTE TEMPO. DEI MAIS ATENÇÃO AO FACEBOOK E À COLABORAÇÃO AO BLOGUE DA AMA, O QUE SOMADO À AUSÊNCIA DE VRSA HÁ SEMANAS E A PROBLEMAS DE SAÚDE DE FAMILIARES EXPLICA ESTE SILÊNCIO.
RETOMO COM UM TEXTO SAÍDO ESTA SEMANA QUE ME FOI PEDIDO PARA SERVIR DE EDITORIAL A UMA NEWSLETTER.
Editorial da NewsLetter de Março de 2014
O 28 de Maio de 2014 é em Junho
Segundo a propaganda governamental a "saída limpa", à "irlandesa", ou "cautelar", ou ainda "monotorização reforçada", será o nosso novo 1640. Seria mais significativo e ajustado à realidade que a data escolhida fosse o dia 28 que, pela sua carga simbólica, marca a entrada e a passagem a um novo período da nossa história.
O 28 de Maio de 1926 carimbou a vitória de uma contra-revolução, o dia 25 de Maio de 2014 terá o sabor amargo da contra-revolução em curso. Qual será a nossa realidade nesse dia?
A razão para a invasão e conquista de Portugal pela troyka foi a elevada divida externa pública e privada do país, ultrapassando somada mais de 200% do PIB. A 25 de Maio a nossa dívida pública será maior do que aquela que a troyka encontrou, o nosso PIB terá recuado e perdido mais de 9 mil milhões euros, e retirados mais de 25.000 milhões à economia e aos portugueses sem com isso se abater o défice do Estado.
A 25 de Maio vamos continuar a ser condicionados política e financeiramente pela impossibilidade de podermos pagar a dívida, e os credores não perdoam e com troyka ou outro nome continuaremos em 1639 com o relógio do Portas mas sem pilhas.
O fracasso da austeridade é uma evidência e um facto, mas o que foi avançado como justificação para a sua aplicação afinal escondia um objectivo ideológico reaccionário, claro e preciso de destruição do Estado de Direito, do Estado Social e de empobrecimento dos portugueses, só possível por a direita ter conseguido o seu sonho: Presidente, Governo e maioria absoluta na AR.
Estes anos de governo PSD/CDS deixaram um monte de destroços. Os seus objectivos foram e estão a ser concretizados "custe o que custar" no afrontamento constitucional tentando forçar a Constituição e a Justiça à subordinação ao poder político e aos interesses económicos.
O Serviço Nacional de Saúde é desmantelado à nossa vista, os índices e indicadores de mortalidade infantil, de tuberculose, oncológicos agravam-se. Faltam medicamentos, aumentam os custos, alargam-se as listas de espera e os prazos para operações e tratamentos, encerram-se hospitais.
Na Educação, na Ciência e na Cultura a mesma situação, visando um ensino para pobres e outro para ricos, cortes e redução de professores e pessoal, nos orçamentos, na educação pré-escolar, na autonomia e capacidade de decisão das escolas, cresce o absentismo e abandono escolar enquanto aumentam as verbas para o ensino privado.
Os trabalhadores do sector público e do privado são confrontados com novas leis que degradam as condições de trabalho, precarizam vínculos laborais, facilitam os despedimentos, aumentam horários de trabalho, horas extraordinárias mais baratas, diminuem as férias e feriados, reduzem salários e vencimentos, proletarizam a classe média, aumentam a carga fiscal e facilita-se o Lay-off.
As Forças Armadas e de Segurança são desconsideradas e sofrem cortes nas remunerações e nos orçamentos que impedem a manutenção de muitos serviços e diminuem a sua possibilidade de actuação em defesa dos cidadãos.
O desemprego real é muito superior ao oficial dado a emigração de mais de 200 mil portugueses nos dois últimos anos, a maioria jovens e com elevadas qualificações escolares e profissionais, ao que se somam outras centenas de milhar que já desistiram de ir aos centros de emprego e aliviam artificialmente as estatísticas. Os pais e os avós, apesar da redução das reformas e dos apoios sociais, dos abonos de família, transformaram-se na almofada que vai atenuando os dramas sociais dos filhos e netos.
A pobreza real subiu para níveis assustadores, dois milhões de portugueses subsistem com grandes dificuldades, mais de 400 mil sem qualquer apoio, os suicídios aumentaram, a fome é de novo uma realidade, o número de casas abandonadas por incapacidade de pagar as prestações bancárias ou as rendas aumentou assim como o crédito mal parado atingiu quantias tão elevadas que tem sido escondido. A evasão fiscal aumenta e a corrupção acompanha a degradação da economia.
No ambiente desmembram-se as redes e reservas ecológicas, os PIN´s ultrapassam todos os obstáculos legais, e agora avançam os PIN´s para o mar. A Justiça afoga por falta de meios, encerram-se tribunais e repartições de finanças acentuando a desertificação do interior.
As privatizações vão continuar para obter dinheiro para a dívida e juros, tudo está à venda, desde que seja cobiçado por interesses especulativos e dê dinheiro para ser evaporado na dívida impagável.
É neste quadro político e social, que peca por defeito dado estar incompleto e não ser exaustivo que vamos recordar 40 anos de Abril. Tem de ser uma data comemorada sem rotina, uma grande jornada de esclarecimento, mobilização e memória comparativa com os tempos presentes. As forças democráticas têm a responsabilidade de trazer Abril e os seus valores para a rua e a consciência dos mais jovens, por uma sociedade mais justa, democrática, soberana. É forçoso que o 25 de Abril de 2014 mobilize energias e vontades para que no dia 25 de Maio se obtenha uma grande vitória eleitoral democrática nas eleições para o Parlamento Europeu (PE), que contrarie e desminta as sondagens recentes.
A tarefa não será fácil, mais ainda pela provável concorrência de várias listas de esquerda às eleições, e o sentimento de muitos portugueses será de desconfiança e hostilidade para com o PE que será visto como mais um dos organismos da UE como a troyka e responsável também pela situação desastrosa em que vivemos, o que facilitará a demagogia e o radicalismo. A importância de eleger deputados das forças democráticas e de esquerda tem de ser um combate esclarecedor para se perceber que uma forte componente democrática no PE será um aliado na luta dos povos contra as políticas de austeridade.
Uma nova derrota eleitoral da direita após a sofrida nas eleições autárquicas confirmará o isolamento deste governo PSD/CDS, renovará a condenação da sua política deliberada de destruição social e empobrecimento, e pode abrir caminho a eleições antecipadas e a uma alternativa democrática.
A razão para a invasão e conquista de Portugal pela troyka foi a elevada divida externa pública e privada do país, ultrapassando somada mais de 200% do PIB. A 25 de Maio a nossa dívida pública será maior do que aquela que a troyka encontrou, o nosso PIB terá recuado e perdido mais de 9 mil milhões euros, e retirados mais de 25.000 milhões à economia e aos portugueses sem com isso se abater o défice do Estado.
A 25 de Maio vamos continuar a ser condicionados política e financeiramente pela impossibilidade de podermos pagar a dívida, e os credores não perdoam e com troyka ou outro nome continuaremos em 1639 com o relógio do Portas mas sem pilhas.
O fracasso da austeridade é uma evidência e um facto, mas o que foi avançado como justificação para a sua aplicação afinal escondia um objectivo ideológico reaccionário, claro e preciso de destruição do Estado de Direito, do Estado Social e de empobrecimento dos portugueses, só possível por a direita ter conseguido o seu sonho: Presidente, Governo e maioria absoluta na AR.
Estes anos de governo PSD/CDS deixaram um monte de destroços. Os seus objectivos foram e estão a ser concretizados "custe o que custar" no afrontamento constitucional tentando forçar a Constituição e a Justiça à subordinação ao poder político e aos interesses económicos.
O Serviço Nacional de Saúde é desmantelado à nossa vista, os índices e indicadores de mortalidade infantil, de tuberculose, oncológicos agravam-se. Faltam medicamentos, aumentam os custos, alargam-se as listas de espera e os prazos para operações e tratamentos, encerram-se hospitais.
Na Educação, na Ciência e na Cultura a mesma situação, visando um ensino para pobres e outro para ricos, cortes e redução de professores e pessoal, nos orçamentos, na educação pré-escolar, na autonomia e capacidade de decisão das escolas, cresce o absentismo e abandono escolar enquanto aumentam as verbas para o ensino privado.
Os trabalhadores do sector público e do privado são confrontados com novas leis que degradam as condições de trabalho, precarizam vínculos laborais, facilitam os despedimentos, aumentam horários de trabalho, horas extraordinárias mais baratas, diminuem as férias e feriados, reduzem salários e vencimentos, proletarizam a classe média, aumentam a carga fiscal e facilita-se o Lay-off.
As Forças Armadas e de Segurança são desconsideradas e sofrem cortes nas remunerações e nos orçamentos que impedem a manutenção de muitos serviços e diminuem a sua possibilidade de actuação em defesa dos cidadãos.
O desemprego real é muito superior ao oficial dado a emigração de mais de 200 mil portugueses nos dois últimos anos, a maioria jovens e com elevadas qualificações escolares e profissionais, ao que se somam outras centenas de milhar que já desistiram de ir aos centros de emprego e aliviam artificialmente as estatísticas. Os pais e os avós, apesar da redução das reformas e dos apoios sociais, dos abonos de família, transformaram-se na almofada que vai atenuando os dramas sociais dos filhos e netos.
A pobreza real subiu para níveis assustadores, dois milhões de portugueses subsistem com grandes dificuldades, mais de 400 mil sem qualquer apoio, os suicídios aumentaram, a fome é de novo uma realidade, o número de casas abandonadas por incapacidade de pagar as prestações bancárias ou as rendas aumentou assim como o crédito mal parado atingiu quantias tão elevadas que tem sido escondido. A evasão fiscal aumenta e a corrupção acompanha a degradação da economia.
No ambiente desmembram-se as redes e reservas ecológicas, os PIN´s ultrapassam todos os obstáculos legais, e agora avançam os PIN´s para o mar. A Justiça afoga por falta de meios, encerram-se tribunais e repartições de finanças acentuando a desertificação do interior.
As privatizações vão continuar para obter dinheiro para a dívida e juros, tudo está à venda, desde que seja cobiçado por interesses especulativos e dê dinheiro para ser evaporado na dívida impagável.
É neste quadro político e social, que peca por defeito dado estar incompleto e não ser exaustivo que vamos recordar 40 anos de Abril. Tem de ser uma data comemorada sem rotina, uma grande jornada de esclarecimento, mobilização e memória comparativa com os tempos presentes. As forças democráticas têm a responsabilidade de trazer Abril e os seus valores para a rua e a consciência dos mais jovens, por uma sociedade mais justa, democrática, soberana. É forçoso que o 25 de Abril de 2014 mobilize energias e vontades para que no dia 25 de Maio se obtenha uma grande vitória eleitoral democrática nas eleições para o Parlamento Europeu (PE), que contrarie e desminta as sondagens recentes.
A tarefa não será fácil, mais ainda pela provável concorrência de várias listas de esquerda às eleições, e o sentimento de muitos portugueses será de desconfiança e hostilidade para com o PE que será visto como mais um dos organismos da UE como a troyka e responsável também pela situação desastrosa em que vivemos, o que facilitará a demagogia e o radicalismo. A importância de eleger deputados das forças democráticas e de esquerda tem de ser um combate esclarecedor para se perceber que uma forte componente democrática no PE será um aliado na luta dos povos contra as políticas de austeridade.
Uma nova derrota eleitoral da direita após a sofrida nas eleições autárquicas confirmará o isolamento deste governo PSD/CDS, renovará a condenação da sua política deliberada de destruição social e empobrecimento, e pode abrir caminho a eleições antecipadas e a uma alternativa democrática.
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
A VERDADE E A PROPAGANDA
Em primeiro lugar o sincero desejo a todos os amigos e visitantes deste blogue de Boas Festas e que o Novo Ano vos traga mais prosperidade, saúde e alegria.
Em segundo lugar dizer que, infelizmente, a propaganda mentirosa deste governo e dos partidos que o compõem ficou demonstrada mais uma vez ontem, com a declaração de Mario Draghi, Presidente do Banco Central Europeu, ao afirmar que portugal vai precisar de mais um programa de auxílio quando terminar em Julho de 2014 o actual programa de resgate. Nem poderia ser de outra forma, dado chegarmos a 2014 com uma dívida maior do que aquela que deu origem ao pedido de resgate, com a economia productiva destruída, os nossos bens privatizados por estrangeiros, desemprego escandaloso só não mais grave dado a enorme emigração e com o Estado sem meios para garantir saúde, pensões e educação dignas desse nome.
Além do mais sem oposição política e social forte em consequência da sua incapacidade para se juntar e derrotar esta desgraça governamental que nos desgraça.
Em segundo lugar dizer que, infelizmente, a propaganda mentirosa deste governo e dos partidos que o compõem ficou demonstrada mais uma vez ontem, com a declaração de Mario Draghi, Presidente do Banco Central Europeu, ao afirmar que portugal vai precisar de mais um programa de auxílio quando terminar em Julho de 2014 o actual programa de resgate. Nem poderia ser de outra forma, dado chegarmos a 2014 com uma dívida maior do que aquela que deu origem ao pedido de resgate, com a economia productiva destruída, os nossos bens privatizados por estrangeiros, desemprego escandaloso só não mais grave dado a enorme emigração e com o Estado sem meios para garantir saúde, pensões e educação dignas desse nome.
Além do mais sem oposição política e social forte em consequência da sua incapacidade para se juntar e derrotar esta desgraça governamental que nos desgraça.
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
A CARTA DOS CTT HOJE RECEBIDA
É uma carta exemplar dos tempos que vivemos. Informa-nos que os CTT são uma empresa de êxito e com futuro. Os CTT são líderes numa série de coisas. Depois, de sopete, mais uma privatização e convida-nos a comprar através do nosso banco acções dos CTT privatizados.
Algumas notas para pensar.
1ª, os CTT dão ao Estado anualmente dezenas de milhões de euros de lucro;
2ª, o dinheiro que este governo vai receber da privatização será imediatamente derretido com os juros da dívida;
3ª, perdidos os milhões anuais dos lucros dos CTT o Estado irá aumentar impostos para compensar a perda dessa receita anual;
4ª, naturalmente com os euros das acções compradas pelas pequenas poupanças de alguns, dado que a maioria tem mas é contas carecas nos bancos, os novos e privados donos dos CTT vão beneficiar;
5ª, os novos donos privados vão actuar visando o máximo de lucros, pouco se importando que os CTT sejam um serviço público fundamental. Foi assim em todos os lados e em alguns casos até tiveram de recuar face à degradação dos serviços;
6ª, tudo o que não gerar os lucros pretendidos será encerrado, designadamente nas aldeias e pequenas povoações, aumentando a desertificação humana e o abandona das populações, chutando depois o trabalho para cima das autarquias;
7ª, serão feitos despedimentos quer pelos encerramentos quer pela "racionalização" dos meios;
8ª, serão mais uns milhares de desempregados a sobrecarregarem as despesas sociais do Estado.
Eís o panorama que nos espera, e não carreguei muito nas tintas.
Algumas notas para pensar.
1ª, os CTT dão ao Estado anualmente dezenas de milhões de euros de lucro;
2ª, o dinheiro que este governo vai receber da privatização será imediatamente derretido com os juros da dívida;
3ª, perdidos os milhões anuais dos lucros dos CTT o Estado irá aumentar impostos para compensar a perda dessa receita anual;
4ª, naturalmente com os euros das acções compradas pelas pequenas poupanças de alguns, dado que a maioria tem mas é contas carecas nos bancos, os novos e privados donos dos CTT vão beneficiar;
5ª, os novos donos privados vão actuar visando o máximo de lucros, pouco se importando que os CTT sejam um serviço público fundamental. Foi assim em todos os lados e em alguns casos até tiveram de recuar face à degradação dos serviços;
6ª, tudo o que não gerar os lucros pretendidos será encerrado, designadamente nas aldeias e pequenas povoações, aumentando a desertificação humana e o abandona das populações, chutando depois o trabalho para cima das autarquias;
7ª, serão feitos despedimentos quer pelos encerramentos quer pela "racionalização" dos meios;
8ª, serão mais uns milhares de desempregados a sobrecarregarem as despesas sociais do Estado.
Eís o panorama que nos espera, e não carreguei muito nas tintas.
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
TROYKA ILEGAL
Hoje, dia 13 de Novembro, "regressa" o FMI a Lisboa e ordena a um país governado sem dignidade e empobrecido: mais cortes na despesa, mais diminuição de salários e recomenda juízinho ao Tribunal Constitucional, nada de contrariar credores e mercados.
Aonde chegamos, já nem se dão ao trabalho de disfarçar que são eles que mandam.
É legal? Ler Rui Tavares ajuda a perceber os meandros desta conspiração.
Aonde chegamos, já nem se dão ao trabalho de disfarçar que são eles que mandam.
É legal? Ler Rui Tavares ajuda a perceber os meandros desta conspiração.
terça-feira, 12 de novembro de 2013
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
sábado, 13 de julho de 2013
segunda-feira, 27 de maio de 2013
sexta-feira, 24 de maio de 2013
segunda-feira, 15 de abril de 2013
NÃO QUEREM!
Este artigo de Rui Tavares é mais um exemplo do absurdo a que as "esquerdas" chegaram. Há muito que o digo, não só neste blogue como no facebook e em vários outros lados.
segunda-feira, 8 de abril de 2013
ANÁLISE CÍNICA MAS TOTALMENTE VERDADEIRA
ESTAMOS SÓS!
Creio que este sentimento de orfandade política está muito generalizado
entre os portugueses. Sentem-se inseguros em relação ao presente e mais ainda
em relação ao futuro. Acordaram atordoados de uma falsa sociedade de consumo em
que a riqueza produzida estava cada vez mais desigualmente repartida entre o
capital e o trabalho e não notavam tal fenómeno, anestesiados pelo crédito
fácil e incentivado irresponsavelmente pela banca. Ganhas pouco?, é injusto o
que recebes em relação ao trabalho que fizeste e à riqueza que geraste!, não há
problema. Nós te emprestamos dinheiro para a casa, o carro, a mobília, as
férias e viagens e até te damos cartões com os quais podes gastar mais do que recebes
e vais pagando com juros altos.
Deixa-te de reivindicações, de sindicatos (isso é coisa de pobretanas),
estás já noutro patamar social com o carro e a casa, repara como o
individualismo é que é bom, cada um trata de si e deixa-te de te preocupar com os outros, sê egoísta e troça dos que não são como tu, és um vencedor tal
como essas figuras sorridentes que aparecem na publicidade.
E de repente, zás!, aparecem os
governos, o PR e uma data de senhores engravatados na TV a dizer que estamos
endividados, e que a culpa é tua, andaste a gastar mais do que podias e agora
tens de pagar, somos gente de honra e de palavra, as dívidas são para pagar e só
os credores é que têm direitos, os mercados é que mandam.
Acabou a boa vida, dizem, a austeridade vai ser necessária durante anos
para podermos poupar para pagar a dívida, não temos dinheiro e para que nos
emprestem algum nestas condições (senão falimos como país), temos de aceitar
juros altos e são eles que vão dizer quais os sacrifícios que temos de fazer.
Eles são a Troika mais a Srª Merkel, nós não queríamos isto mas temos de
aceitar contrafeitos. Por vezes esquecem-se e afirmam que até estão orgulhosos
por poderem cumprir com as ordens sem falha e até, gabam-se, estão a ir mais
longe na austeridade (um raio de termo que até não compreendes muito bem do que
se trata), tudo para poderem pagar a dívida e ficar bem com os mercados e
depois iremos outra vez melhorar e até, quem sabe, poder voltar a tempos
semelhantes aos agora perdidos.
Entretanto, para teu bem, tens de compreender, não podes ter a educação
para os teus filhos como até aqui, temos de aumentar os custos, despedir
professores, fechar escolas; na saúde a mesma coisa, vai custar mais caro e com
pior assistência; as tuas reformas e pensões terão de diminuir, estás velho,
não precisas de tanto dinheiro. Pensavas que os descontos eram teus e que o
Estado geria essas verbas para teres uma velhice sem problemas!, estás
enganado, elas são nossas e as vamos usar para tapar buracos no orçamento e
depois logo se vê.
As despesas sociais do Estado são só cerca de 14% do orçamento, mas é
aí que temos de cortar mais 4.000 milhões de euros, nos outros 86% nem pensar,
os lucros das parcerias público privadas são sagrados, não podemos tocar, nem
em outros aspectos. Recorda que tu é que foste culpado.
Dinheiro é preciso para pagar aos banqueiros, aos mercados, aos
especuladores, aos corruptos, aos que fogem ao fisco e mudam as sedes das
empresas para a Holanda e outros países ou colocam o dinheiro nos paraísos
fiscais. Temos de vender coisas que pensavas serem nossas, que existem há
séculos algumas como os correios, e a preços convidativos para os mercados. Vai
tudo a eito, cimentos, estaleiros navais, TAP, CTT, EDP, aeroportos, portos,
transportes, telecomunicações, energia, e também porque não a RTP e as águas. É
a globalização, é a vida.
Aguenta, não sejas piegas, o desemprego aumenta, não faz mal, chula a
pensão do velho, ou emigra e não chateies. A emigração até nos está a ajudar,
ou não sabes que em 2012 aumentaram as remessas em 13%? Estás a ver, sais e é
menos um desempregado e até nos ajudas depois a gastar o teu dinheiro. É uma
oportunidade o desemprego, até podes arranjar uma coisa melhor ou montares uma
pequena empresa. Ou suicida-te, também é uma solução, menos subsídio de
desemprego a pagar.
E agora que as coisas estavam a carrilar, a dívida aumentou muito, é
verdade, mas é coisa sem gravidade, mais uns impostos e uns cortes nas
despesas, educação, saúde e reformas já se sabe, vieram estes gajos do Tribunal
Constitucional armados em justiceiros e cortaram 0,8% no orçamento, 1300
milhões de euros. Mas quem se julgam eles?!, quem manda somos nós, ora essa,
então eles não sabem que somos os capatazes da Troika/Merkel e fazem esta
desfeita. Mas no fundo até lhe agradecemos, já fomos falar com o Cavaco que nos
apoia, e temos um bom pretexto e argumento para continuar a destruir o país,
temos mais um culpado, o Tribunal Constitucional e tu.
Agora andam para aí uns exaltados a proporem eleições, ah! ah!, têm de
mostrar que estão vivos, sabes os partidos da oposição também precisam de
massa, mais uns deputados dão jeito, sempre recebem mais uns tostões que tu
pagas, a democracia tem custos, mas depois fica tudo mais ou menos na mesma.
Eles não se entendem, não são como nós o PSD e o CDS, nós cá nos entendemos
pelos interesses, agora eles dividem-se sempre pelas palavras, eu sou mais de
esquerda do que tu, ou mais revolucionário, caso não estejas de acordo com tudo
o que eu proponho não há acordo, pois eu é que sei. Não, eu é que sou
democrata,dís o outro, vocês não, ou aceitam a minha direcção ou não há acordo.
E depois lá fazemos o centrão, lá vamos convencendo a ala direita do PS que é
maioritária a negociar lei aqui, imposto acolá, até nova oportunidade de ganhar
o poder, é assim desde 1976, aliás sabes bem que assim é, pois tens votado e é
com o teu voto que te vamos lixando, então por que é que te queixas?
Convence-te, estás só e abandonado.
terça-feira, 19 de março de 2013
A CAMINHO DA DESTRUIÇÃO DA DEMOCRACIA
Cada vez mais artigos de vários autores e de todos os quadrantes políticos vêm hoje dizer de uma forma clara e sem ambiguidades coisas que há muito tenho aqui e noutros lugares publicado. Preferia ter errado.
segunda-feira, 18 de março de 2013
ALERTA!
Estamos a viver um período histórico extremamente grave, este artigo do Rui Tavares, mais um alertando para o perigo explosivo da situação presente, é um aviso de que os conflitos sociais presentes podem rapidamente descambar em situações incontroláveis. Estamos a recuar no tempo, a voltar a níveis de pobreza e destruição social impensáveis há pouco tempo, e como ontem dizia Frei Bento Domingues quando se afirma que não existem alternativas a este roubo do dinheiro, da vida e da esperança a milhões de seres humanos com total insensibilidade "é sinal de que a ditadura não anda longe". São cada vez mais as vozes responsáveis e alarmadas que se levantam e exigem mudanças rápidas, acabo de ler um artigo do Gen. Loureiro dos Santos exigindo um murro na mesa ao Cavaco e novo governo perante este descalabro político e social antes que a situação saia de controlo. Quero ter esperança que o bom senso perdure e os alertas sejam ouvidos por todos, pela oposição em especial e que saia das suas capelinhas para se entender e travar esta derrapagem para o abismo
quarta-feira, 6 de março de 2013
terça-feira, 5 de março de 2013
domingo, 24 de fevereiro de 2013
GASTOS SOCIAIS DO ESTADO, A VERDADE DOS NÚMEROS
Excelente artigo, simples e claro, os dados desmentem toda a propaganda intencional para destruir o Estado Social.
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